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Cantor e compositor Leonard Cohen terá três livros publicados no Brasil

·3 min de leitura

Mais conhecido por suas canções melancólicas, cheias de sexo e fé, Leonard Cohen também era poeta e ficcionista. A partir do próximo ano, os fãs brasileiros terão mais chances de se familiarizar com outras facetas do canadense, morto em 2016, aos 82 anos. A Todavia anunciou ontem a publicação dos dois únicos romances escritos por Cohen: “The favourite game” e “Beautiful losers”. Ao menos um deles deve sair em 2022. Já a Companhia das Letras vai lançar, em março, “A chama”, título póstumo composto por poemas e outros escritos inéditos, com tradução de Caetano W. Galindo.

Antes de gravar seu primeiro disco, em 1967, aos 33 anos, Cohen já havia publicado dois romances e quatro livros de poesia e arrancado elogios da crítica. Romance de formação com tintas autobiográficas, “The favourite game” foi publicado originalmente em 1963 e lançado no Brasil em 2012, pela extinta Cosac Naify, com o título “A brincadeira favorita” e tradução de Alexandre Barbosa de Souza.

E “Beautiful loosers” (belos perdedores), de 1967, impressionou os críticos. O resenhista do jornal americano Boston Globe afirmou: “James Joyce não está morto. Ele vive em Montreal sob o nome Cohen”. Escrito entre Londres e a Grécia e à base de muito ácido, o romance retrata um triângulo amoroso entre um antropólogo, sua mulher, indígena mohawk, e F, místico, líder do movimento separatista de Quebec. Segundo o jornalista e tradutor Daniel Benevides, que recentemente deu curso sobre vida e obra de Cohen, a fixação do personagem na santa indígena Kateri Tekakwitha (1656-1680) é reflexo do interesse do escritor por figuras femininas fortes e ligadas à religião, como Joana D’arc, homenageada numa canção.

— É um romance caleidoscópico, experimental, maluco. Mistura o erudito, o chulo e o pop com religião, cenas de sexo e referências à história do Canadá — diz Benevides, lembrando que Cohen vinha de família judaica. — Ele gostava de explorar nossas zonas cinzentas, estejam elas na religião, na sexualidade ou na política. Antes de ser um grande cantor e compositor, ele já era um grande escritor. Na verdade, decidiu tentar a carreira musical porque não ganhava muito dinheiro com a literatura.

Para Leandro Sarmatz, editor da Todavia, Cohen é uma espécie de Chico Buarque com “o calendário trocado”. Enquanto Chico se consolidou como compositor antes de publicar ficção, o canadense fez o oposto. Sarmatz identifica, na ficção de Cohen, “uma voz reconhecível e consistente, nascida a partir dos primeiros tremores daquilo que seria chamado de contracultura e pós-modernismo, comparável em alguma medida a Philip Roth e outros autores daquela geração, como Ken Kesey e Mordecai Richler”.

— A sexualidade, a sombra da morte, a religiosidade e o amor pelas palavras já aparecem nos livros. É possível entreouvir aqui e ali a “voz” grave do cantor e seus versos cuidadosamente esculpidos — diz. — E, claro, uma atitude a um só tempo dessacralizante (em relação ao sexo, ao desejo) e sacralizante (em relação ao amor e à criação poética). Nesses polos, o terreno e o sagrado, a obra dele mostra a que veio, tanto na ficção quanto na lírica musical. Não é pouca coisa.

Presença da poesia

Além de “A brincadeira favorita”, dois outros livros de Cohen já haviam saído Brasil: as antologias poéticas: “Atrás das linhas inimigas de meu amor” e “A mil beijos de profundidade”, traduzidas por Fernando Koproski e publicadas pela 7Letras. “A chama”, que a Companha das Letras lança o ano que vem, vai reforçar a presença da poesia por aqui. Publicado postumamente, em 2018, o livro traz poemas inéditos, burilados por Cohen ao longo de décadas, letras de canções, trechos em prosa coletados em cadernos e autorretratos. Antes de morrer, Cohen deu instruções sobre a publicação do livro.

— Seria legal que alguma editora traduzisse “Stranger music”, seleção de poemas e letras que abarca boa parte da carreira dele — diz Benevides.

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