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Candidatos a prefeito de capitais têm ganhos milionários desde a última eleição; patrimônio chega aumentar até 1.400%

Redação Notícias
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Receita paga hoje as restituições do 1º lote do Imposto de Renda
Os dados são do Tribunal Superior Eleitoral (Foto: Agência Brasil)

Pelo menos 16 candidatos a prefeito de capitais tiveram ganhos milionários desde as últimas eleições, de 2016 e 2018, e multiplicaram o patrimônio declarado para as eleições de 2020. Em um caso, a variação chegou a ser 1.400% em apenas dois anos. O levantamento é do G1.

De acordo com dados do repositório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quem lidera o ranking dos que mais enriqueceram neste período é o candidato a prefeito de Curitiba, no Paraná, Dr. João Guilherme (Novo).

Quando disputou o cargo de vice-prefeito, em 2016, ele havia declarado R$ 3,5 milhões. Hoje, os bens declarados chegam a R$ 13,2 milhões. Em outras palavras, o médico aumentou o patrimônio em quase R$ 10 milhões em apenas quatro anos.

O candidato se defende dizendo que a evolução patrimonial é fruto de “remuneração como médico e aplicações financeiras”. “Além disso, o médico é proprietário de um hospital e outras empresas, que tiveram bom resultado neste período. João Guilherme declarou a integralidade e verdadeiro valor dos bens, assim como todos os candidatos deveriam fazer”, diz trecho da nota enviada pela equipe do candidato.

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Há casos em que a variação entre as declarações é enorme. O candidato a prefeitura de Manaus, no Amazonas, Ricardo Nicolau (PSD), passou de R$ 40 mil em 2018, quando foi eleito deputado estadual, para R$ 600 mil em 2020. A variação é de 1.400%.

A multiplicação dos bens e, consequentemente, do patrimônio não viola necessariamente a Lei eleitoral. No entanto, especialistas apontam que os candidatos precisam informar todo o patrimônio ao se candidatar. Neste caso, o descumprimento das regras pode ter punição.

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Além disso, é necessário que os dados sobre a declaração estejam transparentes e com fácil acesso para a população. O doutor em ciência política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Denisson Silva, afirmou ao G1 que esse monitoramento estimula que os candidatos fiquem mais fiéis aos dados.

Em setembro, o candidato a prefeito de São Paulo, Filipe Sabará (Novo), que, após ser cobrado pelos cidadãos, alterou o patrimônio declarado. Ele havia R$ 15 mil para R$ 5,1 milhões. Sabará atribuiu o erro a um “lapso”. De acordo com regras do TSE, a declaração de bens pode ser corrigida até o julgamento do registro.

Perda de patrimônio

De acordo com o levantamento do G1, outros 10 candidatos a prefeito perderam pelo menos R$ 1 milhão desde as eleições passadas. A maior queda foi registrada pelo candidato a prefeito de Goiânia Vanderlan Cardoso (PSD). Ele perdeu quase R$ 12 milhões desde 2018. O patrimônio declarado passou de R$ 26,6 milhões em 2018 (quando foi eleito senador) para R$ 14,7 milhões em 2020.