Candidato do País à OMC quer revitalizar a entidade

Fortalecer e revitalizar o sistema multilateral de comércio são um dos principais objetivos que o candidato brasileiro à direção geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), embaixador Roberto Azevêdo, buscará cumprir, caso seja escolhido para comandar a instituição no período entre 2013 e 2017.

Oficialmente lançado ao posto pelo governo brasileiro em 28 de dezembro, Azevêdo está em plena campanha, disputando a vaga com outros oito concorrentes. Nesta quinta-feira, ele conversou com jornalistas em Brasília, defendendo sua candidatura e mostrando como tentará conquistar a vaga de diretor geral da OMC, em substituição a Pascal Lamy.

Azevêdo destacou que sua candidatura é uma decisão de Estado, tomada pela presidente Dilma. "É uma decisão de Estado. E a decisão do governo brasileiro foi pautada no desejo nosso de contribuir na revitalização da OMC e do sistema multilateral de comércio, que atravessa um momento especialmente difícil, principalmente na área negociações", destacou.

Segundo ele, a situação de impasse ainda persiste em reflexo à crise financeira de 2008 e suas consequências. O embaixador explicou que o Brasil vê com grande preocupação esse cenário. "São necessárias soluções ao mesmo tempo ambiciosas e consensuais que promovam a abertura do comércio mundial."

De acordo com o embaixador, a eliminação de distorções e o uso do comércio como instrumento de desenvolvimento, em especial dos países mais pobres, é algo muito importante para o mundo. "Nesse difícil contexto, o governo brasileiro julgou ter um candidato que é capaz de contribuir de forma eficaz para a superação desses impasses e para a evolução do sistema", disse.

Azevêdo admitiu que a escolha do novo diretor-geral da OMC "será um exercício de formação de consenso em torno da candidatura mais viável". Diante da observação, lembrou que é representante permanente do Brasil na OMC, em Genebra, desde 2008. "Uma pessoa que não conheça o histórico das negociações não saberá desarmar os espíritos", argumentou. Segundo ele, os impasses na área do comércio internacional exigem soluções criativas, inovadoras e viáveis. Diante disso, o embaixador reforçou que quem for escolhido para comandar o órgão precisa conhecer o histórico das negociações.

O embaixador evitou falar sobre o apoio de outros países à sua candidatura. "Estamos muito satisfeitos com o grau de receptividade da candidatura brasileira, tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento, em todas as regiões geográficas", comentou. Azevêdo declarou que será impossível visitar todos os integrantes da OMC no período de campanha. "São 159 membros. Vou tentar visitar os países, mas são só dois meses e meio."

O candidato brasileiro à direção geral da OMC alertou, porém, que se escolhido não vai defender os interesses do Brasil, mas dos integrantes do órgão como um todo. "Temos de ter presente uma distinção. Em muitas das coisas que fiz, representei o governo brasileiro. Como diretor-geral, representarei os membros", afirmou. Inclusive destacou que as discussões sobre o tema "câmbio e comércio" somente avançarão, se houver vontade dos países que integram a OMC. "Enquanto houver consenso, o debate continuará. Não é o diretor-geral que vai determinar."

O processo de eleição, conduzido pelo Conselho Geral da OMC, ocorrerá a partir do dia 31 de março e deverá estar concluído até 31 de maio de 2013. Azevêdo disputa a vaga com candidatos de Gana, Costa Rica, Indonésia, Nova Zelândia, Quênia, Jordânia, México e Coreia do Sul.

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