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Candidato a vereador de Bauru (SP) tem ligações com grupos nazifascistas

Ponte Jornalismo
·4 minuto de leitura
Candidatura de André consta como “deferida” pelo TSE
Candidatura de André consta como “deferida” pelo TSE

Por Arthur Stabile

“Anauê!”. O comentário de André Luiz Santos Alvarez, em 6 de junho de 2018 na página Direita Bauru, no Facebook, faz referência ao integralismo, movimento brasileiro do século 20 inspirado no nazifascismo. Dois anos depois, André Alvarez é candidato a vereador em Bauru, cidade no interior de São Paulo.

Há uma série de elementos ligando André a movimentos de extrema-direita e próximos aos ideais nazifascistas. Ele integrava o coletivo de extrema-direita Direita Bauru, conforme fotos de reuniões do grupo também postadas no Facebook.

Leia também: Com avanço da extrema-direita, antissemitismo se recicla e volta a atacar

O grupo tinha como logo uma ave em cima da letra grega sigma, usado pelos integralistas na década de 1930 – a página do coletivo não existe mais na rede social. Plínio Salgado é o criador do movimento, que se tornou a Frente Integralista Brasileira e levava como lema “Deus, pátria e família”.

Depois de Salgado, o slogan acabou usado na Marcha da Família com Deus e pela Liberdade, em 1964, um dos movimentos estopim para a o golpe que originou a ditadura militar, que perdurou daquele ano até 1985.

Símbolo usado pela Direita Bauru com referência ao integralismo
Símbolo usado pela Direita Bauru com referência ao integralismo

São creditados à Direita Bauru ataques homofóbicos e racistas na Universidade do Sagrado Coração, com pichações nas paredes do banheiro da instituição. Elas aparecem junto do símbolo sigma e uma dizia “mate um favelado, mate um anarquista”.

Outra pichação era “remédio de gay é lâmpada fluorescente”, em referência a ataque sofrido por dois jovens gays na Avenida Paulista feito por quatro homens em 2018, que usaram lâmpadas para agredir as vítimas.

André aparece em fotos, publicadas em 2015, com as bandeiras de São Paulo e do Brasil ao lado do obelisco da Revolução de 1932. Na autodeclarada Revolução Constitucionalista, São Paulo e o que viria a ser o Mato Grosso do Sul se juntaram na tentativa de derrubar o então presidente Getúlio Vargas, empossado após a Revolução de 1930. O governo de Vargas venceu. Nas últimas décadas, símbolos da revolta paulista têm sido apropriados por grupos de extrema-direita.

As imagens mostram o atual candidato do partido Democratas a uma vaga na Câmara Municipal de Bauru limpando o monumento. No álbum, há retrato tirado em um túmulo com o símbolo do integralismo, a letra sigma. Ali está enterrado Nicola Rossica, primeiro mártir integralista, morto em Bauru dias antes da Batalha da Praça da Sé – disputa entre integralistas e antifascistas em outubro de 1934.

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Alvarez posa com a bandeira paulista ao lado de outras três pessoas. Uma delas é Mateo Borda Daniel, que usa suas redes sociais para disseminar ideais nacionalistas e segregacionistas.

Um dos ideais compartilhados é o “Fenaista”. Segundo a pesquisadora da Unicamp (Universidade de Campinas) Adriana Dias, que estuda grupos neonazistas, o coletivo é “super nacionalista”.

André (segundo da esquerda para direita) posa no monumento à “Revolução de 1932”
André (segundo da esquerda para direita) posa no monumento à “Revolução de 1932”

“É super de direita e têm a cruz gamada no símbolo deles, o que remete ao nazismo alemão”, explica a especialista – cruz gamada é um símbolo que deu origem à suástica nazista. Fenaista, então, seria o nome dado a quem integra a frente nacionalista.

Adriana explica que Mateo tem histórico de relações com neonazismo. “É tido como uma pessoa violenta, já esteve em manifestação pró-nazismo”, exemplifica.

Sigma integralista em túmulo (à esq.) e exaltação integralista feita por Mateo
Sigma integralista em túmulo (à esq.) e exaltação integralista feita por Mateo

Sigma integralista em túmulo (à esq.) e exaltação integralista feita por Mateo | Foto: Reprodução/Facebook

Há foto de Mateo fazendo a saudação integralista, com braço levantado e mão direita aberta, em frente ao túmulo com a letra sigma. O mesmo gesto era feito pelos nazistas para exaltar Adolf Hitler.

André Alvarez integrou a juventude do PSDB na cidade. Depois, entrou para o MBL (Movimento Brasil Livre) de Bauru, particupo da tentativa de criação do PMB (Partido Militar Brasileiro) e integrava o movimento separatista São Paulo Livre, que prega a independência do estado.

Comentário de André Luiz Alvarez na extinta página Direita Bauru
Comentário de André Luiz Alvarez na extinta página Direita Bauru

Segundo Adriana, a candidatura demonstra “desrespeito com as minorias”, comprometimento com “a extrema-direita e com tudo que e é mais reacionário na política”.

“Ele é um fascista. É responsável por pichações que podem ser consideradas fascistas”, analisa, ao considerar “complicado” uma pessoa com tal “arcabouço ideológico” possa fazer parte da sociedade política “que vai decidir o destino de uma cidade”.

Ajude a Ponte!

A Ponte procurou André para explicar as ligações com o Direita Bauru, São Paulo Livre, com Mateo Borda e com os ataques na Universidade do Sagrado Coração. No entanto, não obteve resposta no telefone apontado em sua página de campanha no Facebook, e nem em mensagens enviadas à página.

A reportagem também questionou o partido Democratas sobre os vínculos de André Luiz Alvarez com ações de extrema-direita e aguarda um posicionamento.