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Em resposta ao governo, entidades lançam campanha “Vacina para Todas e Todos”

Matheus Pichonelli
·3 minuto de leitura
Foto: Getty Images
Woman holding a syringe.

Declarações desencontradas e uma discussão atemporal sobre as obrigações do Estado a respeito da imunização da covid-19 levou cerca de 250 entidades a lançarem a campanha “Vacina para Todas e Todos”.

Encabeçada pela Abong (A Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais), a ação tenta pressionar o governo federal a garantir o direito universal à futura vacina contra o coronavírus.

A campanha é lançada após o presidente Jair Bolsonaro dizer que não pode obrigar ninguém a se vacinar no país — declaração que coroa uma série de ataques, que abastecem todo tipo de teorias da conspiração, sobre a procedência da vacina que está sendo desenvolvida pelo Butantan em parceria com uma fabricante chinesa.

Para a Abong, a imunização de cada indivíduo é essencial para a coletividade. A campanha alerta também para “o risco iminente de manutenção da lógica do lucro em detrimento da vida humana”.

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Em nota, a associação afirma que o Sistema Único de Saúde (SUS) possui mecanismos institucionais, jurídicos e econômicos capazes de garantir esse direito, cita as orientações do próprio Conselho Nacional de Saúde e manifesta apoio ao PL 1462/2020, apresentado por parlamentares de partidos como Cidadania, DEM, PCdoB, Podemos, PSB, PSD, PSDB, PSL, PT e PTB.

“A Abong defende também que seja garantida a articulação nas três esferas de governo, por meio do Conselho Nacional de Saúde (CNS), para o acompanhamento de todo o processo de testagem e validação das vacinas em território nacional, sua aprovação pela ANVISA, as políticas de aquisição, preços, quantidades e a definição dos protocolos e calendários de imunização da população brasileira”, diz a nota.

Essas medidas, segundo Mauri Cruz, integrante da Diretoria Executiva da Abong, não podem sofrer influência de interesses político partidários. “São questões de Estado, de segurança pública e sanitária, exigindo dos agentes públicos alto nível de compromisso com a cidadania e a vida da população”, afirma.

Na nota, a associação lembra ainda que o governo brasileiro já optou pela quebra de patente de medicamentos para garantir a saúde da população. Cita, como exemplo, a liberação da licença compulsória de medicamento que integrava o coquetel anti Aids em 2001 após o laboratório responsável se negar a reduzir o preço do remédio.

Interessados em aderir à campanha podem buscar mais informações no site www.vacinaparatodas.redesolidaria.org.br

A campanha é uma das muitas reações da sociedade civil organizada em relação à postura do governo Bolsonaro em relação ao coronavírus.

Em sete meses de pandemia, mais de 157 mil pessoas morreram após serem contaminadas pelo coronavírus no Brasil. Durante o período, o presidente provocou aglomerações, instigou a população a sair às ruas, contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde, apostou na cloroquina como resposta milagrosa para a doença e minimizou os riscos de contaminação, chamando a covid-19 de “gripezinha”. Quando a mortandade era iminente, respondeu “e daí” ao ser questionado pela postura e se justificou dizendo que não era coveiro.

Na semana passada, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, o terceiro a assumir o posto desde o começo da crise, anunciou a secretários um acordo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, produzida em parceria com o instituto paulista e a chinesa SinoVac Biotech.

Bolsonaro contradisse o subordinado, chamou o composto de “vacina do Doria”, em referência ao governador paulista, seu adversário político, e barrou a iniciativa.

O vaivém estendeu ainda o buraco cavado com ajuda do governo para sair da crise. “Eu não sei por que correr em cima dessa (vacina). Eu dou minha opinião pessoal. Não é mais barato ou mais fácil investir na cura do que até na vacina? Ou jogar nas duas, mas também não esquecer da cura", afirmou Bolsonaro a apoiadores em Brasília no último dia 26.