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Campanha de vacinação contra gripe será novo desafio para o país, avaliam especialistas

Giuliana de Toledo
·5 minuto de leitura

SÃO PAULO — O Brasil terá nas próximas semanas mais uma campanha de vacinação em curso, contra a gripe. Fazer essa imunização em massa, para 80 milhões de pessoas, em paralelo com outra de grande dimensão, a de Covid-19, é uma situação inédita no país e trará muitos desafios, avaliam especialistas ouvidos pelo GLOBO.

A preocupação passa por questões de logística, armazenamento, organização dos locais de aplicação, controle de períodos necessários de espera entre as doses e, principalmente, pela comunicação com os públicos-alvos, para que eles não deixem de comparecer.

— É possível a coinfecção de Covid e influenza. Ninguém tem bola de cristal para dizer o que vai acontecer, mas efetivamente não podemos abrir mão dessa vacinação (contra gripe), porque ainda é um problema de saúde importante, principalmente nos grupos mais vulneráveis — afirma Carla Domingues, epidemiologista que foi coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) por oito anos, até outubro de 2019.

Neste ano, a campanha contra a influenza vai começar mais tarde do que em 2020, quando foi antecipada pela gestão federal em 23 dias e teve início em 23 de março. Foram vacinadas 73.672.162 pessoas do público-alvo, 88,8% de uma meta de 90%. Agora nem há data exata para o lançamento. Na sexta-feira, o Ministério da Saúde anunciou apenas que será na segunda quinzena de abril.

— É de praxe começar mesmo em abril e ir até julho, agosto. O ano passado é que foi uma exceção porque, com o começo da pandemia, entendeu-se que você vacinando as pessoas contra gripe, que tem sintomas semelhantes, desafogaria o sistema de saúde, colaborando para não criar um colapso. Foi uma decisão muito acertada, na minha opinião — avalia a médica Mônica Levi, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). — Mas agora não é essa a realidade. Estamos na campanha da Covid e ainda não chegou a vacina da gripe. E alguns públicos-alvos se misturam nesta situação.

Idosos, profissionais de saúde, professores, indígenas e portadores de doenças crônicas são alguns dos grupos considerados prioritários para ambas as campanhas. Para eles, a grande questão, destacam Domingues e Levi, é orientar que as vacinas de Covid e gripe não podem ser tomadas ao mesmo tempo. Como os imunizantes contra o Sars-CoV-2 são novos e estão aprovados apenas para uso emergencial, é necessária a espera mínima de 14 dias entre a aplicação deles e de qualquer outra vacina.

— Não temos estudos ainda que mostrem que não vai haver interferência, seja na imunogenicidade, que é a capacidade de produzir anticorpos tanto para uma vacina quanto para outra, seja pela própria questão da vigilância de eventos adversos — explica Domingues.

E como controlar esse intervalo?

— Teremos esse complicador de ter que perguntar a cada pessoa a ser vacinada: “Você já fez vacina de gripe ou de Covid? Se fez, sua segunda dose contra Covid está marcada para quando?”. E, numa vacinação em massa, isso é muito difícil de se fazer — destaca Levi.

A médica, que acompanha os planos do Ministério da Saúde por meio da SBIm, entidade responsável por ajudar nas decisões das campanhas, conta que a estratégia estudada pela pasta é a de inverter as prioridades neste ano. Assim, os primeiros chamados para a imunização contra a influenza serão as crianças (até 6 anos, idade delimitada pelo PNI) e as gestantes, por serem grupos que não estão envolvidos na campanha contra a Covid. Somente na sequência é que devem ser convocados os profissionais de saúde e os idosos, que normalmente estariam antes no calendário, conta Levi.

Mesmo assim, ela calcula, é grande a chance de ver alguns idosos serem convocados para as duas vacinas ao mesmo tempo.

— Dependendo do número de doses e da celeridade da campanha contra a Covid, corre-se o risco de uma sobreposição principalmente nas faixas etárias dos 60 e 70 anos. Isso é uma preocupação ao meu ver. Não é nada que não possa ser evitado com uma boa comunicação, mas a gente tem visto que é um telefone sem fio as informações que chegam lá ponta nas UBSs [Unidades Básicas de Saúde] — opina. — Os idosos vão perguntar: “O que eu faço? Gripe ou Covid?”. Esses detalhes são importantíssimos. Precisamos pensar o que vai ser falado para as pessoas.

Para Levi, os idosos, se estiverem diante dessa situação, devem priorizar a proteção contra a Covid.

— Eles também têm risco maior de morte por gripe, mas a gente tem em média mil mortes por ano por gripe no total. E por Covid estamos tendo quase duas mil por dia.

Apesar da tentativa de desafogar o sistema, começar a campanha por crianças e gestantes também traz o temor de baixa adesão. Nos últimos anos, entre todos os convocados para a influenza, este grupo tem sido o que menos comparece.

— Eu acho que a adesão tende a ser menor ainda porque a gente está vendo isso com todas as vacinas do calendário da criança. Todas as vacinas estão com coberturas baixíssimas — diz Levi. — Isso pode ser perigoso. Imagina as crianças (na escola) pegando gripe, pegando Covid e trazendo para casa, vai ser complicado este ano.

Procurado pela reportagem, o Ministério da Saúde não informou detalhes de como será organizada a campanha. Em nota enviada por sua assessoria de imprensa, a pasta diz que “irá orientar a população” quanto ao “intervalo mínimo de 14 dias entre essas vacinas”. “Essas informações serão repassadas aos profissionais de saúde para ficarem atentos durante a aplicação das vacinas”, escrevem.

O ministério afirmou ainda que os 80 milhões de doses já estão encomendados ao Butantan. Também procurado pelo GLOBO, o instituto, que tem a maior fábrica do Hemisfério Sul para vacinas de influenza, disse que “a produção está acontecendo neste momento, sem qualquer atraso no cronograma”. Os envios, explica, serão em etapas “nos finais dos meses de março, abril e maio”. Ao final dessas entregas, conta também, a capacidade de envase da CoronaVac será dobrado.