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Campanha não foi feita para criticar os outros, diz presidente do Itaú Unibanco

Gustavo Brigatto

Em vídeo para funcionários, Candido Bracher disse que o objetivo era exaltar os avanços feitos pelo Itaú no mercado de investimentos Segundo Candido Bracher, presidente do Itaú Unibanco, instituição respeita muito os agentes autônomos e tem contratado vários deles

Claudio Belli/Valor

A campanha do banco Itaú que causou alvoroço no mercado essa semana ao alfinetar o modelo de distribuição das corretoras via agentes autônomos, não foi feita para criticar ninguém, especialmente os agentes autônomos segundo o presidente da instituição Candido Bracher.

Em vídeo divulgado aos funcionários ontem à noite obtido pelo Valor, Bracher disse que o objetivo era exaltar os avanços feitos pelo Itaú no mercado de investimentos.

“Houve quem ficasse muito incomodado com a nossa campanha, pessoas que acreditaram que a nossa campanha foi feita para criticar os outros. Quero deixar claro que não foi isso. É uma campanha de competição, mas basicamente é uma campanha onde a gente quer falar de como nós melhoramos e como nós estamos bem capacitados para atender aos nossos clientes”, disse Bracher.

Sobre os agentes autônomos, o executivo diz que respeita muito os profissionais e que, inclusive, o Itaú tem contratado vários deles para trabalhar no banco.

Bracher, que se disse muito favorável à competição, e que gosta de competir com “pessoas que respeita”, lembrou que há cerca de três anos o banco abriu sua plataforma para a oferta de produtos de terceiros, não apenas os seus próprios, um movimento para fazer frente ao avanço das corretoras, que começaram a ganhar força há cerca de uma década – oferecendo produtos de outras casas e com especialistas de investimento para atender os clientes. “Hoje os clientes podem comprar os melhores produtos do mercado de diversos fornecedores nas plataformas do Itaí e também contratamos um time muito robusto de especialistas”, disse.

Ele destacou ainda que o Itaú mudou o modelo de remuneração dos especialistas para que ele “nunca fique na situação de ter que escolher entre o produto que paga comissão maior para ele e aquele que é melhor para o cliente”. “Para nós todos os produtos pagam basicamente a mesma coisa, o mesmo incentivo. O incentivo é dado em volume total do cliente e do grau de satisfação do cliente”, completou. A campanha publicitária, então teria vindo para “celebrar” isso. “Nossa competição sempre foi e sempre será na bola, visando exclusivamente o bem do nosso cliente”, disse o executivo.

Bracehr pediu aos funcionários que ao discutir o assunto façam isso destacando as qualidades do Itaú, não falando dos concorrentes, e que tenham muito cuidado com as redes sociais.

No fim do vídeo de pouco mais de oito minutos, Bracher responde a uma pergunta de uma funcionária sobre as expectativas para o segundo semestre. Segundo ele, o período apresentará um início de retomada econômica, mas em ritmo lento.

Ao falar com os funcionários, Bracher não citou nenhuma vez que o Itaú é um dos maiores acionistas da XP, com uma fatia de 46%. A participação – originalmente de 49,9%, que foi diluída com a abertura de capital da XP em 2019 – foi adquirida em 2017 por R$ 6,2 bilhões.

Hoje à tarde, durante live com o Bluetrade, um escritório que trabalha com a XP, Guilherme Benchimol, fundador e presidente da companhia, disse esperar que a confusão com o Itaú já tenha sido superada e que seja possível “focar no que interessa”.