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Campanha doará oxímetros para detectar covid-19 em favelas

Marcos de Moura e Souza

Aparelhos medem saturação de oxigênio do sangue e podem identificar estágio inicial da doença Uma campanha idealizada pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pelo Instituto Estáter pretende incentivar o uso de oxímetros por moradores de favelas pelo país que estejam nos grupos de risco para covid-19.

Os oxímetros são aparelhos que medem a saturação de oxigênio do sangue e que podem salvar vidas de pacientes nos estágios iniciais da doença.

A Central Única das Favelas participa da iniciativa, que tem o apoio da Embraer, Boticário, Ultra, Gol, Klabin e banco Voiter.

O Todos pela Saúde, grupo de especialistas em saúde e liderado pelo médico Paulo ChapChap, diretor-geral do Hospital Sírio Líbânes, doará os oxímetros considerados necessários para a campanha. O Todos pela Saúde já tem 104 mil desses aparelhos.

Clóvis Arns, presidente da SBI, afirmou nesta segunda-feira que a campanha, batizada de Alert(ar), tem o objetivo de detectar o quanto antes um quadro chamado de hipoxia silenciosa, que é a falta de oxigênio no sangue – e que nem sempre é percebida pela falta de ar.

A detecção precoce desse quadro permite que pacientes sejam hospitalizados e tratados numa fase cujos sintomas da covid-19 não requerem internações em UTI.

“É frequente o paciente de covid ter hipoxia silenciosa”, disse Arns. “Esse aparelhinho pode salvar vidas.”

Pércio de Souza, presidente do Instituto Estáter – que há uma década tem projetos dedicados à infância e que na pandemia passou a dedicar parte do seu tempo aos dados sobre a pandemia – disse que nas próximas semanas os aparelhos já devem estar disponíveis em áreas pobres pelo país.

A ideia é engajar agentes de saúde para que eles possam fazer as medições nos bairros e favelas onde atuam e, além desses profissionais, treinar voluntários e estudantes residentes.

Souza, que assim como Arns falou com jornalistas na tarde desta segunda sobre a campanha, disse que cerca de 115 milhões de pessoas vivem em áreas onde a pandemia está ainda em fase ascendente.

A intenção com a campanha é atingir os moradores de áreas pobres, principalmente os com mais de 60 anos e com problemas prévios de saúde, afirmou.

Os detalhes da campanha ainda serão definidos em cada região. A iniciativa do Instituto Estáter e da SBI tem o apoio ainda da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade e Associação de Medicina Intensiva Brasileira.