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Argentinos estão comprando menos camisinhas devido à crise econômica

Camisinhas gratuitas distribuídas em Buenos Aires. Foto: JUAN MABROMATA/AFP/Getty Images

As vendas de camisinhas e outros métodos contraceptivos estão em queda na Argentina, devido à grave crise econômica que assola o país. É o que dizem empresários do setor ouvidos pelo jornal O Globo.

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A queda no valor da moeda e os altos índices de inflação fizeram com que preservativos e pílulas anticoncepcionais ficassem mais caros na Argentina. Com isso, os argentinos têm investido menos em prevenção de gravidez e de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

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Felipe Kopelowicz, presidente da Kopelco, fabricante de Tulipán e Gentleman, duas populares marcas de camisinhas, diz que o preço dos preservativos subiu 36% desde o início do ano, o que gerou uma queda de 8% nas vendas em toda a indústria.

Já as vendas de pílulas anticoncepcionais viram uma queda de 6% no ano. Um farmacêutico ouvido pela reportagem disse que, só no seu estabelecimento, as vendas de preservativos e anticoncepcionais caíram até 25% nos últimos dois meses.

“As pessoas vêm, perguntam o preço [da camisinha] e depois vão embora”, disse Emiliano Di Ilio, farmacêutico que trabalha nos subúrbios de Buenos Aires. Segundo Isabel Reinoso, presidente da Confederação Farmacêutica Argentina, cerca de 144 mil mulheres argentinas pararam de usar contraceptivos regularmente.

A economia da Argentina deve encolher 2,6% este ano e está enfrentando uma inflação anual de mais de 50%. A moeda perdeu dois terços do valor que tinha no início de 2018 comparada ao dólar. Outros produtos, como carros, vinhos e carne, também viram queda nas vendas.

No caso das camisinhas, o impacto da crise é maior porque a maior parte da produção e dos materiais usados na fabricação de preservativos são importados. O Ministério da Saúde da Argentina não quis comentar o assunto.