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Caminhoneiros fazem nova tentativa de paralisação nesta segunda

·6 min de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.03.2021 - Greve dos caminhoneiros contra a fase vermelha na rodovia Castelo Branco, na entrada da marginal Tietê, em São Paulo. Motoristas criticam as medidas de restrição adotadas pelo governo paulista contra o coronavírus e o valor do ICMS sobre combustíveis. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2103051112737040
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 05.03.2021 - Greve dos caminhoneiros contra a fase vermelha na rodovia Castelo Branco, na entrada da marginal Tietê, em São Paulo. Motoristas criticam as medidas de restrição adotadas pelo governo paulista contra o coronavírus e o valor do ICMS sobre combustíveis. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress) ORG XMIT: AGEN2103051112737040

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Líderes de organizações de caminhoneiros tentam fazer uma nova greve na próxima segunda-feira (1º). No entanto, após uma série de tentativas frustradas de paralisação neste ano, a adesão ainda é incerta.

Segundo alguns motoristas, uma parte só deve aderir caso os atos ganhem força pelo país. A insatisfação entre eles, porém, é generalizada.

Eles reivindicam a revisão da política de preços para os combustíveis, o cumprimento do piso mínimo do frete e aposentadoria especial a partir de 25 anos de contribuição.

A paralisação foi anunciada no último dia 16, após assembleia organizada por três entidades representativas.

De acordo com Wallace Landim, o Chorão, que foi um dos líderes da greve de 2018 e atualmente é presidente da Abrava (Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores), os caminhoneiros estão mais organizados hoje do que há três anos, quando a greve de 2018 paralisou o país.

"Nós viemos de um trabalho de unificação da pauta da categoria e, com certeza, cada dia que passa está crescendo mais [o engajamento], porque não está ruim só para o transportador, está ruim para todo mundo, a nossa família também está sofrendo", diz.

Segundo ele, a principal reivindicação dos motoristas é em relação ao preço do combustível. "Se o governo não sinalizar nada até dia 31 [domingo] agora, no dia 1º [segunda-feira] estamos na rua, porque agora é uma pauta de sobrevivência", afirma.

No leilão do sistema rodoviário Presidente Dutra (Rio-São Paulo) nesta sexta-feira (29), o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, não quis responder a questionamentos sobre a possível paralisação. Ele afirmou que o evento era para falar sobre investimentos.

Antes, durante discurso, referindo-se às rodovias BR-116 e BR-101 leiloadas, citou os investimentos previstos no edital.

"Aos caminhoneiros que podem perguntar o que o governo está pensando para nós? Isto: R$ 15 bilhões de investimento, segurança, quatro postos de parada de descanso, que serão operados pela concessionária, 35% de redução de tarifa. É isso que estamos fazendo", afirmou.

A categoria, porém, reclama da alta dos combustíveis.

Na última segunda-feira (25), a Petrobras anunciou novos reajustes nos preços da gasolina e do diesel em suas refinarias. Este foi o segundo reajuste dos dois produtos em menos de um mês. Segundo a estatal, os aumentos refletem a elevação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.

Nesta sexta-feira (29), o Confaz (Conselho Nacional de Política Fazendária) anunciou o congelamento do valor do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) cobrado nas vendas de combustíveis por 90 dias.

Para Carlos Alberto Litti Dahmer, diretor da CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte e Logística), o congelamento não resolve a questão e a paralisação está confirmada.

"O ICMS é parte do problema, mas o principal é a política de preço de paridade. É importante baixar [o imposto], mas o governo federal tem que fazer a parte dele também", afirma.

Segundo ele, o país tem todas as condições para fazer uma greve aos moldes da que aconteceu em 2018.

"A sensação dessa inconstância econômica que o país vive, a dificuldade que a gente atravessa --não só como caminhoneiros, mas como sociedade-- tudo isso nos leva a crer no movimento. Na minha avaliação, ele é muito similar ao que aconteceu em 2018."

Essa percepção, porém, não é unanimidade na categoria. Para Daniel de Oliveira, conhecido como Queixada, a paralisação não deve se equiparar às que aconteceram durante o governo de Michel Temer.

"Eu não acredito que vai ser tão grande igual a 2018, primeiro porque teve muita empresa envolvida. Já nem sei se aquilo foi uma greve em prol da categoria ou se foi apenas para derrubar um partido e abrir as portas para outro concorrer a eleição", afirma.

Queixada é caminhoneiro em Minas Gerais e integrou um grupo ativo durante a greve daquele ano. Ele diz que deve aderir à paralisação e, pelo que tem visto entre seus colegas e nos grupos de WhatsApp, acha que a maioria está disposta a parar. "O povo está revoltadíssimo, a gente não aguenta mais."

A questão para Queixada é quando isso deve acontecer. Segundo ele, uma boa parte dos motoristas deve esperar o movimento ganhar força antes de aderir.

Joelmis Correia, do Movimento GBN (Galera da Boleia da Normatização Pró-Caminhoneiro), também acha que os atos não serão iguais aos de 2018. Segundo ele, a posição do movimento é de neutralidade em relação à paralisação, que não será suficiente para resolver os problemas da categoria.

"O problema do caminhoneiro se resolve nos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, participando dos pleitos de normas, regras, leis, PLs [projetos de lei] para resolver. É preto no branco. Mas a categoria é levada ao confronto de pista e, infelizmente, nós não vamos para confronto de pista", afirma.

Tarcísio se reuniu nesta quinta (28) com lideranças de categorias ligadas ao setor de transportes, mas segundo o ministério, o encontro não teve relação com a possível paralisação.

Na última terça-feira (26), o ministro sugeriu que os caminhoneiros aumentem o preço do frete como forma de repassar o reajuste nos combustíveis. A fala foi criticada por alguns motoristas.

"O caminhoneiro autônomo, por mais que preguem que o livre mercado é a saída, ele como CPF não tem condições de barganha. Como que uma formiga vai ditar para o elefante o valor de um frete?", questiona Joelmis Correia.

Queixada também reclamou da ideia do ministro. "Não tem frete que dê conta de acompanhar essa política de preço da Petrobras. Eu negociei um frete na semana passada, porque teve um aumento [no diesel]. Ontem [quinta], fui falar com a pessoa de novo e ela disse que não dá conta de outro reajuste, sendo que já teve outro aumento."

SSEM BLOQUEIOS

Dahmer, da CNTTL, diz que não há previsão de bloqueios de estradas ou atos específicos, e que o objetivo é ter uma manifestação ordeira e pacífica. A instrução, ele diz, é para deixar o veículo parado em casa, na oficina ou no posto de combustível, não nas rodovias.

"Mas é necessário que a presença física dele [caminhoneiro] esteja nos trevos, nas rodovias, manifestando a sua indignação, porque em casa, a greve de pijama como se chama, não funciona", afirma.

Não é a primeira vez que as lideranças apostam em atos de proporção nacional. Ao longo deste ano, a convocação de protestos da categoria também suscitou comparações com a greve de 2018. No entanto, apenas mobilizações pontuais foram registradas pelo país.

Para a paralisação de 1º de novembro, contudo, as lideranças dizem estar notando um engajamento maior da categoria.

De acordo com Plínio Dias, presidente do CNTRC (Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas), a expectativa é de muita adesão.

"Vai dar resultado essa paralisação. [Espero] Que o governo possa atender realmente os caminhoneiros autônomos e escutar o que a gente tem para falar. Agora a gente quer falar é com o Bolsonaro, para a gente resolver essa situação", diz.

Transportadores autônomos da Baixada Santista confirmaram a adesão à paralisação. De acordo com Marcelo da Paz, caminhoneiro que atua na região do Porto de Santos, a decisão foi tomada em assembleia com aprovação de 90% da categoria.

A pauta dos caminhoneiros ganhou apoio das centrais sindicais, mas entidades do agronegócio, que apoiaram o movimento em 2018, não aderiram.

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Colaborou Paula Soprana, de São Paulo

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