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Calotes pressionam 3º tri do Bradesco, que prevê provisões maiores até 2023

Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O Bradesco teve uma queda surpreendente no lucro do terceiro trimestre, uma vez que a rápida piora na qualidade da carteira de crédito o levou a ampliar as provisões para perdas esperadas com calotes, cenário que deve durar até 2023.

O segundo maior banco privado do país anunciou nesta terça-feira que seu lucro recorrente de julho a setembro somou 5,22 bilhões de reais, uma queda de 22,8% ante mesma etapa de 2021. O número veio abaixo da previsão média de analistas consultados pela Refinitiv, de 6,76 bilhões de reais.

A rentabilidade sobre o patrimônio, que mede como um banco remunera o capital de seus acionistas, desabou 5,1 pontos percentuais no comparativo anual, para 13%.

Com uma visão mais pessimista para as operações de crédito, o Bradesco fez uma provisão extraordinária para perdas (PDD) de cerca de 1 bilhão de reais no terceiro trimestre. De julho a setembro, essa provisão do banco deu um salto de 116,4% ano a ano, para 7,27 bilhões de reais.

Além disso, elevou a estimativa dessas provisões para o acumulado de 2022, da faixa de 17 bilhões a 21 bilhões de reais, para 25,5 bilhões a 27,5 bilhões de reais.

"Entramos agora em um momento de aumento de provisões, tendência que deve se manter até parte de 2023", afirmou em comunicado separado o presidente-executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Junior, citando piora nos segmentos de pessoas físicas e micro e pequenas empresas.

O índice de atrasos acima de 90 dias subiu na base sequencial pelo quinto trimestre consecutivo, chegando a 3,9%, voltando ao maior nível em quatro anos.

O Bradesco ainda fez cessões de carteiras ativas e baixadas no período e seguiu renegociando com clientes em atraso.

O banco, no entanto, notou que o índice 15 a 90 dias manteve-se estável pelo terceiro trimestre seguido, "o que pode indicar o pico da inadimplência nos próximos trimestres".

O desempenho do trimestre ainda foi pressionado por uma perda de 1,2 bilhão de reais nas operações de tesouraria, após ter tido resultado positivo de 1,6 bilhão de reais um ano antes.

Por fim, o braço de seguros também teve queda no lucro, diante de resultados financeiros mais fracos.

No fim de setembro, a carteira de empréstimos do Bradesco somava 878,57 bilhões de reais, um aumento de 13,6% em 12 meses, com destaque para cartão de crédito (+38,8%).

Os números do Bradesco sublinham como grandes bancos no Brasil estão sendo atingidos pelo efeito combinado de inflação e juros altos, que têm comprimido a renda disponível das famílias.

Há duas semanas, o Santander Brasil havia divulgado queda de 28% no lucro do terceiro trimestre, também na esteira de maiores provisões para perdas e fraca expansão do crédito.

Executivos do Bradesco discutem na quarta-feira em teleconferência com analistas os resultados do terceiro trimestre e comentários prospectivos.