Cai participação de importados no consumo

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou na manhã desta quinta-feira o estudo "Coeficientes de Abertura Comercial". O trabalho indica que, depois de dez trimestres consecutivos de alta, a participação de produtos industriais importados no consumo dos brasileiros caiu para 22,1% no terceiro trimestre deste ano. O índice havia alcançado 22,3% no segundo semestre, que foi recorde.

Esse é o "coeficiente de penetração das importações", medido pela participação de bens industriais importados no consumo doméstico no terceiro trimestre, considerando o acumulado dos últimos quatro trimestres até o fim do período em análise. O indicador mede a compra de importados pela indústria brasileira, na fabricação de novos produtos, e também pelas famílias, no consumo final.

O economista da CNI Marcelo Azevedo destaca que não é possível afirmar que, pela leve queda no resultado apurada no terceiro trimestre, as importações continuarão caindo. "Enquanto os mercados desenvolvidos estiverem em baixa, a produção dos países asiáticos será desviada para economias em crescimento como a brasileira", explica Azevedo.

Dos 27 setores avaliados pelo estudo, 12 importaram menos que no trimestre anterior. As indústrias de petróleo e biocombustíveis e as de farmoquímicos e farmacêuticos foram as que tiveram as maiores quedas. No setor de petróleo e biocombustíveis, a queda foi de 2,4 pontos porcentuais. No de farmoquímicos e farmacêuticos, a retração foi de 0,7 ponto porcentual.

"Nos setores em que se registram quedas, as variações podem ser atribuídas à alta na taxa de câmbio ocorrida no início do ano e às medidas adotadas pelo governo para a desoneração dos setores industriais", explica o estudo. A pesquisa foi realizada em parceria com a Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex).

A estudo apresenta também o coeficiente de exportação da indústria brasileira, correspondente à participação das exportações no valor da produção industrial, e que alcançou 18,0% no terceiro trimestre de 2012, considerando nesse resultado o acumulado nos últimos quatro trimestres. Foi exatamente o mesmo porcentual frente ao trimestre anterior: 18,0%. Ainda assim, o coeficiente permanece significativamente abaixo do máximo histórico da série trimestral, registrado no fim de 2007, em torno de 20%. "O mercado lá fora está muito ruim, por isso as exportações não decolam", avalia Azevedo.

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