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Café e chá podem estar associados a menor risco de AVC e demência

*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 16-10-2011: Still de xícara de café. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 16-10-2011: Still de xícara de café. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O hábito de tomar café ou chá pode ter um impacto na saúde melhor do que se esperava. Segundo estudo feito recentemente com dados de mais de 360 mil ingleses, o consumo diário das duas bebidas pode estar associado à diminuição de casos de AVC (acidente vascular cerebral) e demência em pessoas com mais de 50 anos.

Publicada na revista acadêmica PLOS Medicine, a pesquisa foi feita por cientistas da Universidade Médica de Tianjin, na China, e da Universidade Yale, nos Estados Unidos.

"É um tema importante porque nós temos poucas opções de medidas que possam evitar ou diminuir a chance de ter, principalmente, demência. Então, é necessário que se façam pesquisas desse tipo para combater uma doença que é tão prevalente", comenta Polyana Piza, médica neurologista do Hospital Albert Einstein (que não fez parte do estudo).

Segundo a neurologista, aproximadamente 1 milhão de pessoas vivem com os diferentes tipos de demência no Brasil. Além disso, nenhuma das opções atuais para o tratamento consegue curar o paciente, mas somente diminuir a evolução da doença.

No caso do AVC, só no Brasil são reportados em média 400 mil novos casos por ano. A mortalidade também é alta. Piza cita dados da Arpen (Associação dos Registradores de Pessoas Naturais), que mostram que o Brasil registrou, em 2020, o AVC como a quarta causa de mortes por doenças.

Para o estudo, foram utilizados registros de 2006 a 2010 do UK Biobank, base de dados que reúne informações biomédicas de aproximadamente meio milhão de pessoas que vivem no Reino Unido. Como o AVC e a demência são mais comuns em idosos, houve um recorte para pessoas que tinham entre 50 e 74 anos anos --totalizando uma base amostral de aproximadamente 365 mil pessoas.

Os pesquisadores analisaram as respostas a um questionário sobre o consumo de café ou chá --no caso deste último, não era especificado qual o tipo, mas incluía chá preto e verde, ambos com cafeína em sua composição.

Cada participante poderia assinalar que tomava menos de um copo por dia, não sabia responder, preferia não passar essa informação ou indicava a quantidade exata de copos ingeridos diariamente --podendo responder, por exemplo, zero, caso não tomasse alguma das bebidas recorrentemente.

Os participantes foram acompanhados até 2020 para visualizar quais tinham desenvolvido algum tipo de demência, sofrido AVC ou continuavam saudáveis.

Ao cruzar esses dados com a rotina de consumo das bebidas, os pesquisadores descobriram que aqueles que consumiam todo dia entre duas e três xícaras de café e de duas a três de chá apresentaram 32% menos risco de ter um AVC isquêmico e 23% menos de ter demência, com exceção do Alzheimer --tipo muito comum da doença, que não contou com redução na análise feita durante o estudo.

O consumo das bebidas sem serem combinadas também diminuiu as chances de ter as enfermidades. Quem tomava somente duas a três xícaras de café por dia teve uma diminuição média de 12% de riscos para AVC, enquanto quem consumia a mesma quantidade de chá apresentou uma contração de 16% de sofrer um acidente cerebral.

Outra parte da pesquisa se voltou a entender o desenvolvimento de demência após sofrer um AVC. Nesse caso, mais de 13 mil respostas foram observadas.

Segundo os pesquisadores, o consumo de três a seis xícaras de café e chá todo dia representou uma diminuição do desenvolvimento de alguns tipos de demência. O chá isolado, em contrapartida, não teve nenhum impacto considerável contra a demência em pacientes que já sofreram o AVC.

Existem algumas explicações para chá e café prevenirem o AVC ou a demência, mas os próprios autores afirmam que são necessários testes em animais para terem conclusões com maior propriedade.

No artigo, é citado, por exemplo, o fato de as bebidas serem compostas por substâncias, principalmente a cafeína, que teriam efeito antioxidante e neuroprotetor, acarretando a diminuição da ocorrência das doenças.

Embora Piza afirme que "o estudo é bem feito e tem um banco de dados confiável", com uma grande amostra de participantes, ela ressalta que o fato de ser observacional é um aspecto limitante.

Diferentemente de um estudo clínico, em que se tem grupos controlados para analisar os efeitos de alguma substância, o estudo observacional consiste em analisar dados de uma população sem interferência dos pesquisadores.

Dessa forma, a médica diz que a pesquisa funciona mais como um direcionamento para novas investigações que podem trazer maior grau de certeza sobre o impacto das bebidas na prevenção de demência e AVC.

"É importante validar com outras pesquisas que também tenham uma amostra grande, mas que sejam controláveis, [contem com] um grupo que faça uso do café ou do chá em comparação com um grupo placebo", afirma.

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