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Cúpula da Caixa recebeu relato de assédio sexual ainda em 2020

*** ARQUIVO *** BRASILIA, DF,  BRASIL,  04-11-2020, O  presidente da Caixa Pedro Guimarães, durante cerimônia alusiva à marca dos 100 milhões de poupanças sociais digitais. No palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*** ARQUIVO *** BRASILIA, DF, BRASIL, 04-11-2020, O presidente da Caixa Pedro Guimarães, durante cerimônia alusiva à marca dos 100 milhões de poupanças sociais digitais. No palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A cúpula da Caixa Econômica Federal sabia de relatos de assédio sexual envolvendo dirigentes do banco ao menos desde 2020 --dois anos antes do início da investigação do MPF (Ministério Público Federal) contra o ex-presidente Pedro Guimarães.

Em julho de 2020, uma funcionária da empresa procurou a então vice-presidente de Pessoas Girlana Granja Peixoto para contar que tinha se sentido assediada pelo ex-vice-presidente Celso Leonardo Barbosa em uma viagem do programa Caixa Mais Brasil a Goiás.

Pelas informações obtidas pela reportagem, Barbosa teria insistido com convites inadequados a essa mulher durante a agenda.

De volta a Brasília, ela levou seu relato sobre o episódio para Girlana, que já tinha sido corregedora na Caixa --ela deixou o cargo em novembro de 2019. A ex-vice-presidente decidiu, então, procurar Pedro Guimarães para tratar do assunto, mas não houve qualquer consequência.

De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, Girlana argumentou que procurou o presidente do banco por entender que ele era o superior hierárquico e deveria tomar medidas sobre o caso. Segundo essas fontes, o nome da funcionária não teria sido revelado nessa conversa.

Outras pessoas do banco, no entanto, criticaram a decisão tomada pela ex-vice-presidente, por entenderem que a servidora que se sentiu assediada poderia ficar exposta. Girlana saiu da vice-presidência de Pessoas em abril de 2021.

Barbosa é amigo de longa data de Guimarães e um de seus maiores aliados. Ele ingressou na Caixa em janeiro de 2019 como assessor estratégico da presidência e tornou-se vice-presidente em março do ano seguinte. Barbosa era tido como o número dois do banco e frequentemente substituía Guimarães no comando da empresa.

Por meio da assessoria de imprensa, Guimarães afirmou desconhecer o caso. "Pedro Guimarães não conhece essa história. Nunca foi informado de nada parecido", disse. Girlana Granja Peixoto e a defesa de Barbosa não quiseram se manifestar.

Barbosa renunciou ao cargo de vice-presidente de negócios de atacado da Caixa depois que as denúncias de assédio sexual contra Guimarães vieram à tona. Guimarães deixou a presidência em 29 de junho.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, uma funcionária da Caixa acusou o ex-vice-presidente de Negócios de atacado de ter acobertado abusos cometidos por Guimarães na instituição. Segundo a servidora, Barbosa vigiava as mulheres que não cediam aos assédios do então presidente do banco.

De acordo com a funcionária, que preferiu não ser identificada, as mulheres "marcadas" pelo ex-presidente eram subordinadas a Barbosa, que tentava acobertar os casos. Ela diz que o executivo fingia acolher as mulheres que resistiam aos assédios de Guimarães para monitorar se havia o risco de denúncia por parte dessas servidoras.

As acusações de assédio sexual e assédio moral na Caixa estão sendo investigadas pela Procuradoria da República no Distrito Federal. O MPT (Ministério Público do Trabalho) e o TCU (Tribunal de Contas da União) também iniciaram procedimentos para averiguar o que acontecia no banco sob Guimarães.

Após a saída de Pedro Guimarães, o MPT pediu à Caixa informações sobre "a denúncia de que o sr. Celso Leonardo Barbosa causaria 'temor' às mulheres que trabalham no banco, levando a crer que as denúncias de assédio também se estenderiam ao referido gestor".

O Ministério Público do Trabalho também cobrou do banco dados sobre eventuais denúncias apresentadas internamente contra Barbosa e Guimarães, além dos casos de assédio sexual recebidos contra qualquer funcionário desde 2019 --ano em que Guimarães assumiu a presidência.

Na carta em que formalizou o pedido de demissão, Guimarães negou as acusações, disse ser alvo de "rancor político em um ano eleitoral" e de uma avalanche de "notícias e informações equivocadas".

O ex-presidente da Caixa era um dos nomes mais próximos de Jair Bolsonaro (PL) no governo e um participante frequente das lives do chefe do Executivo.

A Caixa tem afirmado que "existem apurações internas em andamento, em paralelo às que estão sendo feitas pelos órgãos de controle". O banco também ressalta que o Conselho de Administração determinou a contratação de empresa externa e independente para verificar todos os casos.

As denúncias contra Guimarães apontam, entre outras coisas, toques indesejados e convites inapropriados. À reportagem, uma funcionária do banco disse que os assédios aconteciam diante de todos, dentro e fora da instituição.

A mulher, que pediu para ter o nome preservado por receio de retaliação, afirma que ficou em choque depois que Guimarães a puxou pelo pescoço e disse que "estava com muita vontade" dela.

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