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Cúpula da América do Norte, entre a integração e as disputas comerciais

Os presidentes de Estados Unidos e México e o primeiro-ministro do Canadá reúnem-se, nesta terça-feira (10), para promover a competitividade, a luta contra a mudança climática e a cooperação em segurança, tendo suas disputas comerciais como pano de fundo.

Os presidentes Joe Biden e Andrés Manuel López Obrador e o premiê Justin Trudeau se encontraram por volta do meio-dia local (15h em Brasília) no palácio presidencial na Cidade do México, por ocasião da 10ª Cúpula de Líderes da América do Norte.

Previamente, Biden e Trudeau mantiveram uma reunião bilateral, após a qual anunciaram uma visita do presidente americano ao Canadá em março, a primeira de caráter oficial.

Ambos dialogaram sobre "formas de ajudar a estabilizar Haiti", havia adiantado Biden em seus comentários introdutórios. Seus governos contemplam, há bastante tempo, o possível envio de uma força de intervenção internacional ao país caribenho, assolado pela criminalidade e por problemas sanitários.

"Podemos construir grandes coisas aqui", afirmou Trudeau, antes de se reunir com Biden, e lembrou que os três países formam "o maior bloco de livre-comércio do mundo", o USMCA, que substituiu o Nafta em 2020.

- Oportunidades -

Os três países, cujas economias contribuem com 28% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial - apostam no fortalecimento desse bloco, que registrou US$ 3 milhões por minuto em intercâmbios comerciais entre janeiro e outubro de 2022.

Com isso, tornou-se um bloco econômico 50% e 55% maior do que China e União Europeia, respectivamente, segundo o Instituto Mexicano de Competitividade (IMCO).

Após se reunir com empresários na segunda-feira (9), o premiê canadense lembrou que seu governo e o do México trabalharam arduamente para manter o tratado regional ante as ameaças do então presidente Donald Trump (2017-2021) de retirar os Estados Unidos.

"Sabemos que há muito trabalho a ser feito, que sempre temos de estar de prontidão contra as forças políticas que vêm e vão e exercem pressão", declarou Trudeau.

Os três países anunciaram o desenvolvimento de um site para que os viajantes conheçam as orientações necessárias, antes de partirem para a região, que é palco de uma crise migratória, segundo um documento que enumera vários acordos, difundido pela Casa Branca.

Também anunciaram uma troca de informação ainda maior para detectar os produtos químicos usados na fabricação do fentanil. Esta potente droga sintética já causou milhares de mortes nos Estados Unidos.

"A cooperação da América do Norte torna nossos países mais seguros, nossas economias mais competitivas e nossas cadeias de suprimentos mais competitivas", disse Washington, no documento.

- Semicondutores e emissões -

Os três líderes se reúnem em um contexto geopolítico complexo, que, paradoxalmente, pode gerar maior competitividade na região.

Neste cenário, "entrecruzam-se a invasão da Ucrânia pela Rússia e a consequente crise energética na Europa, a política de 'covid zero' na China, assim como a tendência para a regionalização das cadeias de valor", afirma o IMCO.

Concretamente, os três países assinaram uma série de acordos que incluem o desenvolvimento da indústria de semicondutores e a redução de 15% das emissões de metano até 2030.

Em agosto, Biden assinou uma lei para promover o desenvolvimento e a produção de semicondutores nos Estados Unidos por meio de subsídios, pesquisa e desenvolvimento, de cerca de US$ 52 bilhões, ante o temor de que a China se torne a potência mundial do setor.

Pouco depois, o México anunciou sua intenção de aderir ao plano, para o qual dispõe de reservas de lítio, agora nacionalizadas, mas cujo tamanho é desconhecido.

O México quer transformar a região de fronteira com os EUA em um polo de desenvolvimento com o chamado Plano Sonora. Este inclui a exploração do lítio — crucial para o desenvolvimento de novas tecnologias e carros elétricos —, a produção desses veículos mediante a realocação de montadoras e a construção de usinas de energia solar.

Washington manifestou apoio a essa estratégia, que requer investimentos de US$ 48 bilhões, como parte de seus esforços contra a mudança climática.

- Nuvens pesadas -

Sobre a Cúpula, pairam as disputas entre os três membros do USMCA por diferentes questões. Entre elas, está a política energética mexicana, que busca limitar a participação estrangeira no setor.

Washington e Ottawa consideram que as medidas de López Obrador favorecem um monopólio estatal em detrimento das empresas privadas, o que violaria o tratado.

Contudo, o chanceler mexicano Marcelo Ebrard esclareceu que este não será um "tema relevante" na cúpula "porque já está no caminho de uma resolução".

Previamente ao encontro trilateral, organizações empresariais dos países envolvidos pediram "uma resolução rápida" dessas controvérsias.

Desde que o USMCA entrou em vigor, em julho de 2020, foram registradas 17 disputas comerciais, ante 77 durante o Nafta (1994-2020).

Por sua vez, López Obrador propôs ampliar a integração comercial para todo o continente americano para consolidar o bloco como "região econômica no mundo", aos moldes da União Europeia, e fazer um contrapeso à China.

"É pouco provável que a maioria dos governos latino-americanos, muitos dos quais já têm acordos de livre-comércio com os Estados Unidos, aceitem essa proposta", disse à AFP Michael Shifter, presidente do centro de análise Diálogo Interamericano.

yug-axm/sem/yow/ltl/tt/rpr/mvv