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Cérebro alongado de pequeno dinossauro é reconstruído por cientistas

Natalie Rosa
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Há cerca de 230 milhões de anos, onde hoje está localizado o Brasil e a Argentina, viveu um pequeno dinossauro bípede chamado Buriolestes schultzi, que tinha um formato de cérebro um tanto quanto peculiar. Uma equipe de paleontólogos brasileiros, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, e da USP (Universidade de São Paulo), reconstruiu o órgão para analisar o comportamento e a evolução desses animais.

A criatura também conta com uma cabeça afinada, cauda longa, dentes afiados, e era parente próximo do gigante braquiossauro, que tinha cerca de 24 metros de comprimento, bem maior que o seu parente mais velho. O primeiro fóssil parcial do Buriolestes schultzi foi encontrado na região sul do Brasil por Rodrigo Muller da UFSM, em 2009, e o segundo em 2015, dessa vez com o crânio do animal quase completo. Graças a esse exemplar foi possível fazer a reconstrução do cérebro, que pesava apenas 1,5 grama, um pouco mais leve que uma ervilha, através da tomografia computadorizada.

<em>Imagem: Reprodução/Márcio L. Castro</em>
Imagem: Reprodução/Márcio L. Castro

O cérebro, além de ser extremamente leve, também tinha um formato alongado, como o dos crocodilos. O órgão foi desenhado com base nos contornos da cavidade de dentro do crânio, permitindo que os cientistas descobrissem que o lobo flocular, uma parte do cerebelo, era particularmente grande, o que permitia o rastreamento da presa com os olhos. Segundo os pesquisadores, essa região era pequena em seus parentes braquiossauros, entre outros saurópodes, significando que essa estrutura evoluiu de forma menos importante.

A criatura contava ainda com pequenos bulbos olfativos no cérebro, mostrando que o olfato não era um sentido muito crucial para o pequeno animal. Já nos saurópodes seguintes, os bulbos cresceram relativamente, o que pode ter ajudado apenas na detecção de predadores, uma vez que eles eram herbívoros.

"Isso abre uma janela para a evolução mais antiga do cérebro e um dos sistemas sensoriais dos maiores animais que já andaram sobre a terra, os dinossauros saurópodes", conta Lawrence Witmer, paleontólogo norte-americano que estuda saurópodes, ressaltando ainda que esses animais de movimento lento acabaram perdendo suas capacidades que seus ancestrais, como o Buriolestes, possuía.

Pesquisas sobre os cérebros dos dinossauros conseguem revelar seus hábitos, forma de caçar e evolução, o que ainda é bastante limitado, mas para isso é necessário que seja encontrado mais exemplares intactos de crânios, o que também é raro.

Fonte: Canaltech

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