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Cães, gatos e primatas | Brasil investiga transmissão da COVID-19 entre animais

Fidel Forato
·3 minuto de leitura

Pesquisadores e cientistas ainda não conhecem, totalmente, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) e formas de transmissão da COVID-19 ainda são um importante objeto de estudo. Há alguns dias, o Brasil registrou, oficialmente, o primeiro caso de um animal doméstico contaminado. Especificamente, uma gata de Cuiabá, no Mato Grosso. Agora, duas pesquisas nacionais investigam o tema, sendo uma das iniciativas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outra da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Diante do caso da gata contaminada com o coronavírus, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Mato Grosso (CRMV-MT) emitiu uma nota, na qual destacava que não há evidências científicas de que animais domésticos são fonte de infecção para humanos. Além disso, uma das ideias dos poucos casos envolvendo cães e gatos registrados no mundo, até agora, é que seriam humanos contaminados que transmitem a COVID-19 e não o contrário.

Pesquisadores brasileiros investigam se cães e gatos podem transmitir a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Luis Wilker Perelo WilkerNet/ Pixabay)
Pesquisadores brasileiros investigam se cães e gatos podem transmitir a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Luis Wilker Perelo WilkerNet/ Pixabay)

Cães, gatos e primatas com coronavírus?

No Rio de Janeiro, cães e gatos de algumas famílias que registraram infecções por coronavírus são testados, a partir de exames do tipo RT-PCR e sorológico. Na cidade, a pesquisa da Fiocruz está focada no bairro de Jacarepaguá, onde existe um contato mais intenso entre animais domésticos e silvestres, o que poderia, em tese, desencadear a disseminação do coronavírus de outras formas.

"Esse contato aumenta o risco de transmissão de vírus com potencial de provocar doença em seres humanos. Cães e gatos podem se tornar elos involuntários de infecções de origem silvestre para o ser humano. Aqui é um microcosmo do que acontece em muitos outros lugares Brasil afora", explicou o pesquisador Ricardo Moratelli para O Globo.

Até o momento, os testes de RT-PCR de cães e gatos realizados deram negativo, entretanto esse não é um fato surpreendente, porque os exames foram feitos muito depois que as famílias registraram o caso da COVID-19. Dessa forma, é possível que no momento do teste, o animal já não estivesse mais contaminado. Agora, os exames sorológicos podem mudar esse quadro, já que buscam por anticorpos contra o coronavírus.

Além dos animais de companhia, a fundação investiga a relação da COVID-19 com morcegos e micos-estrelas — primatas também conhecidos como saguis. Em breve, essa pesquisa da Fiocruz também deve englobar o acompanhamento de roedores, cobras, preguiças, cavalos, bovinos e aves em busca de vírus respiratórios e gastrointestinais, além do coronavírus.

Cães e gatos na mira da COVID-19

De forma mais específica, outra iniciativa da UFPR busca compreender qual o risco de transmissão da COVID-19 entre humanos e animais de estimação. Para isso, a instituição coordenará uma pesquisa nacional que deve avaliar cerca de mil animais, cujos donos tiveram diagnóstico positivo para o coronavírus, confirmado através de exame laboratorial.

Sob coordenação do professor Alexander Welker Biondo, os pesquisadores farão testes gratuitos, por swab — coleta de uma amostra viral de orofaringe e nasofaringe no animal — e sorológico, em cães e gatos em cinco capitais brasileiras. De forma semelhante à iniciativa da Fiocruz, os testes também serão feitos em dois momentos, sendo primeiro o teste RT-PCR e depois o exame para verificar a presença de anticorpos contra a COVID-19.

Participam da pesquisa as capitais: Curitiba (PR); Belo Horizonte (MG); Campo Grande (MS); Recife (PE); e São Paulo (SP). Inclusive, a pesquisa ainda busca voluntários e pessoas interessadas em participar da pesquisa podem escrever para covid19@ufpr.br. Vale lembrar que a pessoa já deve ter o diagnóstico confirmado para a COVID-19.

Fonte: Canaltech

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