Câmara dos Representantes dos EUA analisa acordo sobre abismo fiscal

Washington, 1 jan (EFE).- A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, de maioria republicana, iniciou no início da tarde desta terça-feira um debate sobre o pré-acordo alcançado ontem à noite no Senado para evitar o abismo fiscal.

O pré-acordo, elaborado no Senado e aprovado com 89 votos a favor e oito contra, estende as isenções impositivas que já têm uma década e beneficiam a maioria dos contribuintes, mas aumenta os impostos para indivíduos com renda anual acima de US$ 400.000.

A sessão da câmara começou sem que se saiba ainda se o presidente da casa, o republicano John Boehner, submeterá o acordo à votação. O capelão da câmara chegou a pedir uma "intervenção divina" que tire os Estados Unidos de sua crise fiscal.

"Os americanos estão muito divididos em opiniões e interesses", disse em sua prece de abertura o sacerdote jesuíta Patric J. Conroy. Dentro de dois dias, em 3 de janeiro, será iniciado um novo período legislativo e dezenas de congressistas que perderam a eleição em novembro podem ser decisivos caso o acordo orçamentário aprovado no Senado seja votado.

O chefe da minoria republicana no Senado, Mitchell McConnell, disse que o acordo, apesar de não impedir o aumento de qualquer tipo de imposto, como defendia seu partido, ao menos protege a maioria das famílias de um acréscimo das taxas.

O chefe da maioria republicana na Câmara dos Representantes, John Boehner, não expressou seu apoio nem oposição ao acordo. Já o deputado Tom Cole, de Oklahoma, um dos líderes republicanos na câmara baixa, manifestou seu apoio à proposta em uma entrevista nesta manhã na cadeia "MSNBC".

Na atual Câmara dos Representantes, que conta com 435 membros, 241 são republicanos, número que diminuirá quando for inaugurado o novo mandato na quinta-feira.

Fontes políticas indicam que Boehner poderia contar com um contingente fiel de quase 100 republicanos para aprovar o acordo do Senado com poucas modificações.

O restante dos votos deverá vir de 194 democratas, muitos dos quais estão descontentes com a proposta, porque contempla reduções das despesas do governo em programas de assistência social, educação e saúde.

Se a Câmara dos Representantes aprovar o acordo do Senado com poucas emendas, haverá uma conferência de conciliação e todas as decisões serão retroativas à meia-noite de 31 de dezembro, de forma que as medidas que tecnicamente já entraram em vigor serão anuladas. EFE

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