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Como a Bytedance, startup mais valiosa do mundo, quer dominar o ocidente

(Foto: Chesnot/Getty Images)
(Foto: Chesnot/Getty Images)

por Matheus Mans

Nada de Uber, Netflix ou Airbnb. Atualmente, quem assume o trono de startup mais valiosa do mundo é a chinesa Bytedance. Avaliada em mais de US$ 75 bilhões e com uma previsão de faturamento acima dos US$ 14 bilhões só para 2019, a empresa tem conquistado usuários ao redor do mundo com aplicações de inteligência artificial. E, por meio de um serviço de vídeos musicais, pretende fazer a esperada conexão entre oriente e ocidente.

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O sucesso da empresa começou a ser trilhado em 2012, quando o fundador Zhang Yiming, então com apenas 29 anos, desenvolveu um agregador global de notícias. Chamada de Toutiao, a aplicação permitia que chineses encontrassem conteúdo de sites, jornais e blogs num único lugar. Depois, por meio de um sistema de inteligência artificial, acabou se transformando numa rede social de notícias. Já são 120 milhões de usuários ativos diários.

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No entanto, o sucesso veio de fato com o TikTok, aplicativo que, também por meio de inteligência artificial, permite que qualquer pessoa crie vídeos divertidos e com edição de ares profissionais. Atualmente, já são mais de 1,2 bilhão de usuários ao redor do mundo. Inclusive no Brasil, onde a empresa abriu um escritório em São Paulo voltado unicamente para difundir o uso do app e, principalmente, fomentar cultura de marcas e influenciadores.

“Depois dos problemas que Baidu e Alibaba encontraram no ocidente, parecia que nenhuma outra grande empresa chinesa faria sucesso aqui”, afirma José Ricardo dos Santos, CEO da LIDE China, grupo de empresários que realizam acordos entre o Brasil e o país asiático.

TikTok

O motivo do TikTok ser usado como a cruzada particular da Bytedance, e não o Toutiao, se resume a um simples fato: a facilidade no uso. Mistura de YouTube com o Instagram, o serviço permite que usuários criem vídeos e os edite rapidamente. Assim, a partir de funcionalidades apoiadas em inteligência artificial, é possível publicar vídeos com uma edição quase profissional, com apenas alguns toques, deixando o vídeo mais divertido.

Depois disso, é possível compartilhar as criações com toda a base de usuários da plataforma por meio de marcações e hashtags. Ou seja: alcance de 1,2 bilhão de pessoas.

“Assim como YouTube, Instagram e Facebook, o TikTok tem uma linguagem universal. Não importa que ele seja chinês. É o usuário que o faz, que mantém seu ecossistema interno funcionando”, afirma o analista de mídias digitais, Eomar Baptista. “Assim, ao contrário de outras aplicações chinesas, repletas de aspectos da cultura oriental, o TikTok tem mais liberdade para passear por diferentes mercados. Todo mundo ama ver vídeos divertidos”.

Com essa premissa, a rede social já está alcançando números expressivos. Segundos dados divulgados pelo The Wall Street Journal, obtidos por meio de um investidor da empresa, o usuário do TikTok visita o app mais de oito vezes ao dia, por 45 minutos em média. E, por enquanto, o sucesso está mais restrito aos jovens com menos de 20 anos. No entanto, analistas de mercado acham que esse cenário pode mudar a partir de 2020.

“O TikTok tem tudo para ser a menina dos olhos no próximo ano. É um oceano azul repleto de possibilidades. E, assim como já foi o momento do Orkut e do Facebook, também podemos ver um momento de TikTok no futuro”, afirma Fabrício Macias, especialista em marketing digital que tem se dedicado a estudar a aplicação da Bytedance. “O momento da tecnologia chinesa está chegando. Acho que WeChat e TikTok vão comandar a mudança”.

Futuro

No entanto, é claro, o domínio não vai ser simples. Por mais que já tenha tantos adeptos e usuários espalhados pelo mundo, a Bytedance terá que fazer um esforço de marca para conseguir penetrar em vários segmentos da sociedade e não ser apenas um app do momento, para jovens. Para isso, segundo analistas, é imprescindível que comece a fazer parcerias e alianças, mostrando para outros públicos suas funcionalidades e soluções.

“Tudo sopra a favor da Bytedance. Mas eles precisam perceber que não podem enfrentar o mercado ocidental sozinhos. Por mais que o TikTok já tenha até influenciadores próprios, é preciso atrair marcas e parceiros locais de conteúdo. Isso ajuda a empresa a se firmar e a fazer com que outros públicos, além dos jovens, se interessem”, afirma Eomar, analista de mídias. “Senão, acaba se tornando um aplicativo de nicho a ser facilmente canibalizado”.

Já Macias acha que a Bytedance pode ir além. “O Snapchat não conseguiu dominar o mercado por conta do Facebook, que o destruiu depois de uma tentativa fracassada de compra”, afirma o analista. “No caso da Bytedance, acho mais fácil acontecer o inverso. Com a expansão do TikTok no ocidente, o Zuckerberg vai ter que prestar mais atenção pra não ser engolido nos próximos anos. A tecnologia é cíclica. O Facebook também pode ser”.

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