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Você está sofrendo de burnout? Responda a estas perguntas para descobrir

É normal se sentir estressado no trabalho. No entanto, para algumas pessoas, o estresse passa a consumir toda a sua energia, levando à exaustão e ao ódio pelo emprego. Esta situação é conhecida como burnout, uma espécie de esgotamento total.

O burnout costumava ser classificado como um problema relacionado ao cotidiano, mas recentemente a Organização Mundial da Saúde reclassificou a síndrome como um “fenômeno ocupacional”, com o objetivo de mostrar que o burnout é uma síndrome que tem origem no trabalho e é provocada pelo estresse crônico.

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As novas dimensões listadas para caracterizar o burnout são:

  • Sensação de falta de energia e exaustão.

  • Aumento da distância mental em relação ao trabalho, ou sentimentos de negatividade e audácia direcionados ao emprego.

  • Diminuição da eficácia profissional (desempenho no trabalho).

Na era dos smartphones e dos e-mails que chegam a nossas caixas de entrada 24 horas por dia, tem sido cada vez mais difícil se desligar do ambiente de trabalho e daqueles que têm poder sobre nós.

A nova definição de burnout deve ser um sinal de alerta para que os empregadores tenham como objetivo tratar o estresse crônico que não vem sendo gerenciado com sucesso como uma questão de saúde e segurança no trabalho.

Como saber se você está esgotado no trabalho?

Se você acha que pode estar sofrendo de burnout, pergunte-se:

  1. Alguém próximo a você pediu que você reduzisse sua carga de trabalho?

  2. Nos últimos meses, você tem ficado bravo ou ressentido por causa do seu trabalho ou de seus colegas, clientes ou pacientes?

  3. Você se sente culpado por não estar passando tempo suficiente com seus amigos, familiares, ou até consigo mesmo?

  4. Você nota que está se tornando cada vez mais emotivo, chorando, ficando bravo, gritando, ou se sentindo tenso sem nenhuma razão óbvia por trás destes sentimentos?

Se você respondeu a alguma destas questões de forma afirmativa, é hora de mudar.

Estas perguntas foram criadas pelo United Kingdom Practitioner Health Program, e são um bom ponto de partida para que todos os trabalhadores identifiquem se estão correndo risco de desenvolver a síndrome de burnout.

Se você acha que este pode ser o seu caso, o primeiro passo é conversar com o seu supervisor ou com o RH da sua empresa. Muitas companhias já contam com psicólogos externos como parte de seus programas de assistência aos funcionários, com os quais é possível conversar de forma totalmente confidencial.

O que causa o burnout?

Todos nós temos níveis diferentes de capacidade de lidar com dificuldades físicas e emocionais.

Quando excedemos a nossa habilidade de lidar com uma situação, alguma coisa acaba cedendo; o corpo fica estressado se você continuar se esforçando, seja física ou mentalmente, além da sua capacidade.

As pessoas esgotadas costumam sentir uma espécie de exaustão emocional ou uma indiferença, e podem tratar colegas, clientes ou pacientes de uma forma desconectada ou desumanizada. Elas ficam distantes de seus empregos e perdem o zelo pela sua carreira.

Burnout pode acontecer em qualquer área, com qualquer idade (Foto: Getty Images)

Estas pessoas podem se tornar mais cínicas, menos eficientes no trabalho, e perder a vontade de atingir seus objetivos profissionais. A longo prazo, isso é prejudicial tanto para o funcionário quanto para a organização.

Embora o burnout não seja um transtorno psíquico, ele pode levar a questões mais sérias, como crises familiares, síndrome da fadiga crônica, ansiedade, depressão, insônia, e abuso de álcool e drogas.

Quem é mais suscetível ao burnout?

Qualquer trabalhador que lide com pessoas têm o potencial de sofrer de burnout. Isso pode incluir professores, cuidadores, agentes penitenciários e funcionários de lojas de varejo.

Profissionais de serviços de emergência – como policiais, paramédicos, enfermeiras e médicos – apresentam um risco ainda maior por trabalharem em condições altamente estressantes de forma contínua.

Uma pesquisa recente envolvendo 15 mil médicos norte-americanos descobriu que 44% deles estavam enfrentando sintomas de burnout. Um neurologista explicou o que sentia:

Eu detesto vir trabalhar. Eu noto que sou grosso quando estou lidando com a equipe de funcionários e com os pacientes.

Trabalhar até tarde pode mandá-lo para o pronto-socorro (Foto: Getty Images)

Uma pesquisa francesa envolvendo funcionários do pronto-socorro de diferentes hospitais descobriu que um em cada três (34%) estavam esgotados devido a cargas de trabalho excessivas e demandas altíssimas de cuidado.

Os advogados também são vulneráveis ao burnout. Uma pesquisa com 1.000 funcionários de uma renomada firma de advocacia de Londres mostrou que 73% dos advogados expressaram sentimentos relacionados ao burnout, e 58% os associaram à necessidade de ter mais equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

Independentemente de qual é a sua profissão, se você é pressionado além da sua habilidade de lidar com a situação por longos períodos de tempo, é provável que você acabe desenvolvendo a síndrome de burnout.

É possível dizer não a excesso de trabalho

Os empregadores têm uma obrigação organizacional de promover o bem-estar dos funcionários e garantir que não tenham cargas de trabalho e níveis de estresse além do aceitável.

Há coisas que podemos fazer para reduzir o nosso próprio risco de burnout. Uma delas é aumentar nossos níveis de resiliência. Isso significa que conseguiremos responder ao estresse de uma forma saudável, e poderemos “dar a volta por cima” depois de enfrentar desafios, crescendo ao longo do processo.

Você pode aumentar a sua resiliência aprendendo a se desconectar, definindo limites para o seu trabalho, e pensando mais nos seus momentos de lazer. Sempre que puder, proteja-se da interferência do trabalho para evitar que ele invada a sua vida pessoal.

Seja qual for a sua profissão, não deixe que ela seja a única forma pela qual você se define como pessoa.

Por último, se o seu trabalho está lhe deixando deprimido, avalie a hipótese de buscar um novo emprego, ou pelo menos dê uma olhada no que há disponível no seu ramo de especialidade. Talvez você se surpreenda.

Michael Musker

Quartz