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Buracos negros trilhões de vezes mais massivos do que o Sol podem existir

Daniele Cavalcante
·5 minutos de leitura

São poucos os tipos de buracos negros reconhecidos pela ciência atual, sendo eles os de massa estelar e os supermassivos. Há algum tempo, os astrônomos buscam evidências de outras variedades, como os intermediários ou ainda menores que os de massa estelar. Mas um novo estudo sugere buscar pelo maior buraco negro sobre o qual já se ouviu falar, trilhões de vezes maior do que os supermassivos nos centros das galáxias.

Até agora, os maiores buracos negros que se tem notícia são os supermassivos, que têm alguns bilhões de vezes mais massa que estrelas humildes como o Sol. Parece que existe uma besta-fera desse tipo no coração de cada galáxia, mas talvez eles não sejam os maiores no cosmos — por mais que os supermassivos já estejam em uma escala muito difícil de se imaginar. Eles nascem a partir de uma simples estrela, desde que ela seja grande o suficiente.

Bem, há também algo apelidado de "buraco negro ultramassivo", e um deles está localizado no centro do quasar TON 618, a mais de 10 bilhões de anos-luz de distância. Ele é atualmente o maior do universo, pelo menos entre os que já pudemos detectar. Possui 66 bilhões de vezes a massa do nosso Sol. Entretanto, apesar de estupidamente grande, ele não parece muito diferente dos demais localizados em centros galácticos, de modo que também é classificado como supermassivo.

Estrelas como o Sol não têm massa o bastante para entrar nesse processo, por isso não encontramos buracos negros com a mesma massa que o Sol, ou ainda inferiores. Mesmo assim, os cientistas estão à procura dessa espécie de “mini buracos negros” hipotéticos. Já os intermediários, outra classe que ainda existe apenas no mundo das hipóteses científicas (mesmo que já existam evidências de termos detectado um deles), são bem mais massivos que o Sol, mas muito inferiores aos supermassivos.

(Imagem: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay)
(Imagem: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay)

Agora, surge a hipótese de uma nova espécie que fariam os supermassivos parecerem minúsculos. Eles poderiam ter no mínimo um trilhão de massas solares (10 vezes maior do que o maior buraco negro conhecido atualmente) e poderiam ser ainda maiores. Obviamente, há uma série de fatores que impedem de encontrar esses titãs (se é que eles existem), como a própria dificuldade de se detectar um buraco negro sem saber onde ele supostamente está.

No caso dos supermassivos, não é tão difícil: sabemos, ou cogitamos, que há pelo menos um no centro de cada galáxia. Mas e quanto aos “super mega ultra massivos”? Onde vivem? De que objetos se alimentam? Onde procurar? Bem, se os cientistas encontrarem esse objeto, poderão explicar quantos tipos de buracos negros devem existir e aprender mais sobre seus processos de formação.

Buracos negros podem crescer de dois modos: através da colisão com outros buracos negros e se alimentando de matéria, como poeira e estrelas. O primeiro buraco negro apareceu quando o universo tinha menos de um bilhão de anos e, ao longo das eras, outros surgiram e se fundiram, se alimentaram e se tornaram os famosos supermassivos. Mas isso só pode acontecer quando os objetos — outros buracos negros ou estrelas — estão perto o suficiente para serem engolidos.

Ou seja, se não houver muitos buracos negros nas vizinhanças, as fusões não acontecerão com muita frequência. Além disso, os mecanismos de levam um objeto a cair no buraco negro faminto é bastante complexo, o que também limita um pouco a taxa de crescimento desses “predadores” cósmicos. Por isso, os maiores buracos negros já detectados representam um grande desafio para o entendimento atual da astrofísica.

Simulação de colisão entre dois buracos negros, que resulta aproximadamente na soma de suas respectivas massas, exceto por um pouco de matéria que pode se perder na emissão de energia (Imagem: Reprodução/Raúl Rubio)
Simulação de colisão entre dois buracos negros, que resulta aproximadamente na soma de suas respectivas massas, exceto por um pouco de matéria que pode se perder na emissão de energia (Imagem: Reprodução/Raúl Rubio)

Por outro lado, se pudermos um dia encontrar um buraco negro “super mega ultra massivos” (apelidados em inglês de SLABs sigla para buracos negros estupendamente grandes), os cientistas teriam ainda mais problemas para explicar sua existência. Isso provavelmente faria com que eles considerem outras possibilidades para compreender a formação desses objetos misteriosos. Mas como encontrar algo hipotético sem saber onde ele deveria estar? Bem, o novo artigo (ainda não revisado por pares) propõe algumas ideias.

Por exemplo, devido ao tamanho, eles poderiam afetar a evolução gravitacional de suas galáxias nativas, criando formas estranhas através da influência no centro galáctico, mudando a forma como as colisões entre galáxias acontecem. Outra pista pode ser a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, um resquício do Big Bang encontrado em todo o universo. Um buraco negro tão poderoso provavelmente seria capaz de afetar essa radiação. Os mega-titãs poderiam até mesmo afetar a misteriosa matéria escura.

Ainda é cedo para dizer se os SLABs realmente existem, e o artigo proposto trabalha apenas com algumas possibilidades e restrições sobre o quão grandes podem ser, além de como procurar por eles. Pode ser muito complicado colocar isso na prática, assim como foi complexo e demorado capturar a primeira imagem real de um buraco negro “comum”. Seja como for, é fascinante pensar na ideia de um colosso com 10 bilhões de bilhões de vezes a massa do Sol, engolindo qualquer coisa que exista no universo desde os primeiros milênios após o Big Bang.

Fonte: Canaltech

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