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Buracos de minhoca podem ser encontrados em ondas gravitacionais, sugere estudo

·3 minuto de leitura

Já imaginou quantas descobertas incríveis faríamos se pudéssemos viajar rapidamente para qualquer lugar do universo? Isso não é possível agora, mas pode ser que existam atalhos: os buracos de minhoca, estruturas (ainda hipotéticas) no espaço-tempo que poderiam nos levar a outras galáxias em segundos. Mas como encontrá-los? Aliás, será que eles existem? Alguns cientistas acreditam que sim, e apostam nas ondas gravitacionais para detectá-los.

Buracos de minhoca ainda são meramente especulativos, mas possíveis na teoria da Relatividade Geral de Einstein. Isso não significa que existam de fato, mas fornece algumas pistas de onde os cientistas podem procurar por esses objetos. Com os buracos negros, a história não foi muito diferente — o conceito nasceu com a Relatividade Geral, mas apenas décadas mais tarde foi confirmada a primeira detecção.

Mas como e onde procurar um buraco de minhoca? Mais importante ainda, como saber que encontramos um? Alguns cientistas suspeitam que buracos negros são, na verdade, buracos de minhoca disfarçados, o que pode ser um grande problema porque talvez não haja muita diferença entre os dois. Pior ainda, talvez buracos de minhoca estejam dentro de buracos negros — um lugar famoso por sua capacidade de destruir qualquer coisa que se aproxime demais.

Felizmente, a ciência encara dificuldades como desafios, então há físicos teóricos dedicados na tarefa de tentar encontrar buracos de minhoca e provar que eles são reais. Na matemática, eles funcionam, e foi através dela que um pesquisador chamado Diego Rubiera-Garcia descobriu que buracos de minhoca podem habitar dentro de buracos negros. Para chegar a esse resultado, ele aplicou um conjunto de regras alternativas à Relatividade Geral na física dos buracos negros.

Como seria a forma de um buraco de minhoca simétrico, segundo físico da RUDN University (Imagem: Reprodução/Federico.ciccarese/Wikimedia Commons/Allen Dressen)
Como seria a forma de um buraco de minhoca simétrico, segundo físico da RUDN University (Imagem: Reprodução/Federico.ciccarese/Wikimedia Commons/Allen Dressen)

Substituir a famosa teoria de Einstein é uma tática ousada, mas faz sentido. É que para entender buracos negros e buracos de minhoca, é preciso lidar com objetos de tamanhos infinitamente inferiores ao que a física conhecida permite. Isso significa que algo está errado, e esse “algo” pode ser a mecânica quântica ou a Relatividade Geral. Colocar ambos à prova incansavelmente é uma das maneiras de tentar encontrar o que estamos “deixando escapar”.

Quando Rubiera-Garcia fez sua matemática em modelos de buracos negros, a singularidade desapareceu e deu lugar a um buraco de minhoca. “Então, seria possível para um observador passar por esse buraco de minhoca e cruzar para outra região do universo”, disso ele. O problema é que uma hipótese funcionar na matemática não significa que esteja correta. É preciso observar algo no universo capaz de provar que essa ideia é verdadeira, mas nesse caso há um problema — não podemos entrar em um buraco negro para ver se dentro dele há um buraco de minhoca. Mesmo se pudéssemos chegar até um deles, seria simplesmente um risco inaceitável.

Entretanto, há uma maneira de tentar verificar a matemática de Rubiera-Garcia, que é através de ondas gravitacionais. Essas ondulações no espaço-tempo são emitidas por objetos muito massivos quando colidem com outros “pesos-pesados” cósmicos, como estrelas de nêutrons e os próprios buracos negros. Nem sempre podemos detectá-las, porque embora viajem à velocidade da luz por todo o universo, elas enfraquecem antes de chegar até nós. Mas experimentos como o LIGO e Virgo já detectaram algumas delas, confirmando uma previsão de Einstein e inaugurando uma nova era na astrofísica.

As ondas gravitacionais são fascinantes porque, através delas, é possível saber muito sobre os objetos que as criaram. Isso significa que se houver um buraco de minhoca dentro dos buracos negros que geram as ondulações no espaço-tempo, pode ser que os cientistas consigam encontrá-los. A má notícia é que os buracos de minhoca fariam ondas tão sutis que os instrumentos atuais não podem detectá-las. A boa notícia é que no futuro o projeto Laser Interferometer Space Antenna (LISA), da ESA, pode conseguir fazer essa detecção quando for lançado em 2034.

Fonte: Canaltech

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