Mercado fechado
  • BOVESPA

    120.061,99
    -871,79 (-0,72%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    48.609,19
    +80,22 (+0,17%)
     
  • PETROLEO CRU

    62,20
    -0,47 (-0,75%)
     
  • OURO

    1.790,90
    +12,50 (+0,70%)
     
  • BTC-USD

    56.223,57
    -8,81 (-0,02%)
     
  • CMC Crypto 200

    1.294,47
    +31,51 (+2,50%)
     
  • S&P500

    4.155,08
    +20,14 (+0,49%)
     
  • DOW JONES

    34.002,44
    +181,14 (+0,54%)
     
  • FTSE

    6.912,45
    +52,58 (+0,77%)
     
  • HANG SENG

    28.621,92
    -513,81 (-1,76%)
     
  • NIKKEI

    28.508,55
    -591,83 (-2,03%)
     
  • NASDAQ

    13.792,75
    -1,50 (-0,01%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    6,7006
    -0,0019 (-0,03%)
     

Buraco negro M87 começa a revelar seus segredos

Juliette COLLEN
·3 minuto de leitura

Os astrônomos que revelaram o primeiro buraco negro aos olhos do mundo conseguiram capturar a imagem do campo magnético perto de sua borda, um grande passo para melhor compreender esses misteriosos monstros cósmicos - de acordo com um estudo divulgado nesta quarta-feira (24).

Em 10 de abril de 2019, o gigantesco buraco negro alojado no coração da galáxia Messier 87 (M87), localizada a 55 milhões de anos-luz de distância, apareceu para nós, sob o aspecto de um círculo escuro cercado por um anel flamejante.

Obtida graças à colaboração internacional Event Horizon Telescope (EHT), a imagem histórica foi a evidência mais direta já obtida da existência de buracos negros, objetos tão massivos e compactos que nada lhes escapa, nem mesmo a luz.

Dois anos depois, após análise dos dados recolhidos em 2017, os cientistas do EHT sabem mais sobre a mecânica do objeto supermassivo, que tem vários bilhões de vezes a massa do Sol. Seu trabalho foi publicado no The Astrophysical Journal Letters.

E uma nova imagem do objeto foi divulgada em luz polarizada - como por meio de um filtro que ajuda a isolar uma parte do anel luminoso.

"A polarização da luz contém informações que nos permitem compreender melhor a física por trás da imagem vista em abril de 2019, o que não era possível antes. Este é um grande passo", ressaltou Ivan Marti-Vidal, coordenador de um dos grupos de trabalho do EHT e pesquisador da Universidade de Valência (Espanha).

"Observamos de verdade o que os modelos teóricos previam, o que é incrivelmente satisfatório!", comemorou Frédéric Gueth, vice-diretor do Instituto de Radioastronomia Milimetrada (Iram), cujo telescópio faz parte da rede EHT.

A polarização revelou a estrutura do campo magnético localizado na borda do buraco negro e tornou possível produzir uma imagem precisa de sua forma, semelhante a um turbilhão de filamentos.

Este campo magnético extremamente poderoso - muito mais do que o da Terra - opõe uma resistência à força da gravidade do buraco negro: "ocorre uma espécie de equilíbrio entre as duas forças, como um combate, ainda que, no final, o vencedor seja a gravidade", explica o astrônomo.

"O campo magnético na borda do buraco negro é forte o suficiente para repelir gás quente e ajudá-lo a resistir à força da gravidade", explica Jason Dexter, da Universidade do Colorado em Boulder, nos Estados Unidos.

Nenhuma matéria sai de um buraco negro uma vez engolida ("agregada"). Mas o ogro cósmico, por mais poderoso que seja, não engole "100% de tudo em seu ambiente: uma parte escapa", desenvolve o pesquisador do CNRS.

Essa parte da matéria que não é capturada - cerca de 10% - é ejetada, e o campo magnético desempenha um papel fundamental neste mecanismo. "A matéria seguirá uma trajetória ao longo das linhas do campo", continua Frédéric Gueth.

A força magnética permitiria, portanto, não apenas extrair matéria, mas também ejetar poderosos jatos de luz a velocidades imensas, estendendo-se por pelo menos 5.000 anos-luz além da própria galáxia.

Estes jatos energéticos vindos do núcleo da M87 "são um dos fenômenos mais misteriosos desta galáxia", segundo o ESO (Observatório Europeu Austral).

Acredita-se que a interação das forças descobertas pelo EHT atue em todos os buracos negros, desde os menores até os supermassivos que espreitam no centro da maioria das galáxias, incluindo a Via Láctea.

Nenhuma informação escapa dos buracos negros, nunca seremos capazes de observá-los diretamente. "O que acontece lá dentro continuará um mistério. O desafio é, portanto, entender o máximo possível o que acontece ao redor, porque está necessariamente interligado", finaliza o pesquisador.

A sessão anual de observação simultânea da rede EHT, cancelada na última primavera (boreal) devido à pandemia de covid-19, deve ser retomada no final de abril. A adição de novos telescópios, incluindo o observatório NOEMA do Iram, nos Hautes-Alpes, permitirá melhorar ainda mais a precisão das imagens obtidas.

juc/may/mpm/mr/tt