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Bug em app de pesquisas médicas da Apple coletou dados de usuários

Felipe Demartini
·2 minuto de leitura

A Apple e a Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, pediram desculpas aos participantes de pesquisas médicas por meio do aplicativo Hearing Study, que coletou dados de seus usuários de forma não informada nos termos de uso. De acordo com os responsáveis pelo trabalho, um bug fez com que as informações fossem obtidas ao longo de 30 dias, sendo que as condições para participação não incluíam tais informações no momento do consentimento.

O software foi lançado no ano passado em uma parceria entre a universidade e a Apple, para utilizar o iPhone, o Watch e outros dispositivos da Maçã em estudos relacionados à saúde auditiva. O objetivo dos pesquisadores era entender de que forma o uso constante de fontes de ouvido, junto com os sons do ambiente, poderia contribuir para a perda da escuta em longo prazo. Para isso, eram coletados dados sobre o volume em que os acessórios eram configurados, assim como o áudio em volta do participante, assim como certas telemetrias de saúde, como dados sobre os tipos de exercício realizados pelos usuários ou sua frequência cardíaca.

A ideia é que as informações seriam enviadas de forma anônima para os pesquisadores, que alegam uma falha de programação como a causa da junção de informações históricas de 30 dias para os tipos de coletas autorizadas. A própria Apple também tinha acesso aos dados por causa dos problemas e, no comunicado, afirmou que não seria capaz de identificar os usuários a partir deles, mesmo por meio de uma análise do volume como um todo.

<em>App oficial da Apple usava dispositivos em estudos de saúde auditiva; empresa pediu desculpas por coleta de informações sem informar devidamente os usuários (Imagem: Divulgação/Apple)</em>
App oficial da Apple usava dispositivos em estudos de saúde auditiva; empresa pediu desculpas por coleta de informações sem informar devidamente os usuários (Imagem: Divulgação/Apple)

O professor Richard Neitzel, líder do estudo pela Universidade de Michigan, assina a nota que vem sendo enviada aos usuários afetados, pedindo desculpas e informando que uma atualização posterior resolveu o problema. Ainda assim, em prol da transparência, a instituição e a Apple vieram à público informar que as informações de histórico já foram apagadas e que o anonimato dos participantes da pesquisa sobre audição está protegido, sem que seja possível identificar diretamente nenhum deles a partir da telemetria obtida pelo uso do Hearing Study.

Por meio da nota, as instituições também pedem que todos os participantes da pesquisa atualizem o aplicativo para a versão mais recente, que não possui o bug que leva à coleta de dados de forma equivocada e não explicitada nos termos de uso. Segundo a Apple e a universidade, não existem indícios de comprometimento ou nenhum tipo de mau uso dos dados, enquanto ambos afirmam seguirem compromissados com a privacidade.

Fonte: Canaltech

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