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UE pressiona GB por acordo pós-Brexit, mas não 'a qualquer preço'

Aldo GAMBOA
·3 minutos de leitura
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, Bélgica, 14 de outubro de 2020

UE pressiona GB por acordo pós-Brexit, mas não 'a qualquer preço'

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, durante coletiva de imprensa em Bruxelas, Bélgica, 14 de outubro de 2020

Os máximos dirigentes da União Europeia (UE) advertiram nesta quarta-feira (14) o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que o bloco ainda está interessado em um acordo sobre a relação pós-Brexit, "mas não a qualquer preço".

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou no Twitter que a UE "está trabalhando para um acordo, mas não a qualquer preço. As condições devem ser justas (...) Ainda há muito trabalho pela frente".

Enquanto isso, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também recorreu ao Twitter para destacar que ele e Von der Leyen pressionaram "novamente por avanços na mesa de negociações".

Von der Leyen, Michel e Johnson participaram na tarde desta quarta de uma videoconferência, em uma nova tentativa de encontrar uma via para destravar as negociações sobre como será a relação entre Bruxelas e Londres uma vez que o Brexit for consumado definitivamente.

Johnson declarou, por sua vez, que um cordo comercial pós-Brexit era "desejável", embora tenha expressado "sua decepção por não ter obtido mais avanços nas últimas semanas".

Qualquer acordo sobre as relações pós-Brexit deveria ser selado em outubro para dar tempo a ser ratificado em Londres e nas capitais europeias antes de 31 de dezembro.

Embora a União Europeia nunca tenha adotado formalmente a data de 15 de outubro como um ultimato que pende sobre os negociadores, diplomatas já prepararam um rascunho para a cúpula de dois dias que começa na quinta-feira em Bruxelas, onde destacam a necessidade de "intensificar" as conversações.

- Ponto "sem volta" -

Na quinta-feira, os 27 líderes do bloco europeu terão uma nova cúpula em Bruxelas para discutir uma agenda que, no primeiro dia, está concentrada inteiramente na questão do Brexit.

Conforme um rascunho das conclusões ao qual a AFP teve acesso, os líderes manifestaram sua preocupação ao verificar que "os progressos alcançados em áreas de interesse para a UE ainda não são suficientes para chegar a um acordo".

Por conta disso, convidaram o principal negociador europeu, o francês Michel Barnier, para "intensificar as negociações". O objetivo é selar um acordo.

Em uma carta aos líderes que participarão da cúpula, o titular do Conselho destacou que "os próximos dias serão decisivos" e lembrou que alcançar um acordo é um interesse "para as duas partes", embora isso não signifique devam chegar a este ponto "a qualquer preço".

Por outro lado, uma fonte da presidência francesa disse no dia anterior que o dia 15 de outubro continua "longe da realidade das negociações". Para a fonte, Paris ainda considera que 31 de dezembro é o verdadeiro "ponto sem volta".

- O tempo é curto -

O Reino Unido se retirou da UE em 31 de janeiro deste ano, mas continuará aplicando as normas europeias de comércio até 31 de dezembro, no chamado período de transição.

Desde então, Barnier e seu homólogo britânico, David Frost, conduziram negociações trabalhosas sobre a forma em que as duas partes administrarão sua futura relação comercial.

Caso não seja possível chegar a um entendimento, a partir de 1o de janeiro essas relações passarão a ser pautadas pelas normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Ambos os lados insistem que estão prontos para tal cenário e que até mesmo a falta de um acordo seria melhor do que assinar um entendimento defeituoso, mas especialistas alertam sobre a possibilidade de consequências severas.

Em uma tentativa de apressar as negociações, Johnson declarou que 15 de outubro era o prazo limite para decidir se ainda valia à pena continuar insistindo em um acordo ou simplesmente enfrentar um cenário sem acordo.

Barnier, no entanto, deixou claro esta semana que ainda há muito trabalho a ser feito antes de carimbarem as assinaturas.

As três preocupações principais da Europa para selar um acordo estão centradas nas regras da concorrência leal, em como essas regras seriam controladas e na garantia do acesso das frotas de pesca da UE às águas britânicas.

bur-ahg/pc/aa/tt/mvv