Mercado fechado

Bruno Covas volta ao gabinete e reúne-se com Joice após deixar hospital

Cristiane Agostine

Prefeito desconversou sobre sua pré-candidatura à reeleição todas as vezes em que foi questionado Pré-candidato à reeleição, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), receberá nesta segunda-feira a deputada federal Joice Hasselmann (PSL) em seu primeiro dia de despacho na sede do governo municipal depois de passar três semanas internado para iniciar o tratamento contra um câncer no sistema digestivo. Covas convocou uma coletiva de imprensa para falar que pretende se manter na prefeitura e teve sua pré-candidatura à reeleição reforçada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que participou da entrevista.

O prefeito disse que “enquanto estiver dentro das faculdades mentais e condições físicas” será “obrigado a ser prefeito”. Covas afirmou que pretende continuar a trabalhar para “manter a cabeça ocupada”, mas disse que os médicos o proibiram de participar de agendas externas, com aglomeração de pessoas. Mais magro e com barba e cabelo raspados, o tucano disse que fará a terceira sessão de quimioterapia na próxima semana e evitou falar sobre os próximos passos do tratamento, para não fazer “nenhuma ação de futurologia”.

Divulgação/Governo do Estado de São Paulo/Arquivo

Novo escolhe Filipe Sabará como candidato a prefeito em SP

Lula restringe apoio do PT a candidaturas aliadas em 2020

Psol quer o apoio do PT no Rio de Janeiro e em Belém

Depois das três sessões de quimioterapia, Covas deve ser submetido a novos exames dentro de duas semanas, que determinarão a segunda etapa do tratamento. O prefeito foi diagnosticado com um câncer na cárdia, localizada na transição entre o estômago e o esôfago, com metástase no fígado e nos gânglios linfáticos.

A coletiva de imprensa desta segunda-feira se transformou em um evento repleto de secretários municipais, prefeitos regionais e correligionários, que aplaudiam o prefeito e reclamavam de perguntas dos jornalistas. Em um grande auditório da prefeitura, as quatro primeiras fileiras eram só para os convidados de Covas, que também ocuparam cadeiras reservadas à imprensa e os corredores.

O prefeito desconversou sobre sua pré-candidatura à reeleição todas as vezes em que foi questionado, e disse que só tratará do assunto em 2020. Ao lado de Covas, coube a João Doria reiterar que o tucano será candidato e que o PSDB não pretende lançar outro candidato. “Não tem plano B”, disse o governador, afirmando em seguida que Covas “terá saúde e condições” de concorrer na próxima eleição municipal.

Doria evitou falar se tentará atrair Joice Hasselmann para o PSDB, a exemplo do que fez com o deputado federal Alexandre Frota, ou se está articulando um acordo com a deputada do PSL. O governador, no entanto, reafirmou sua proximidade com a deputada. “[Joice] é pessoa de grande valor. Já era antes de entrar na política e continua. Minha amiga de antes, de hoje e do futuro também. Quanto mais próxima ela estiver do Bruno Covas, mas feliz eu ficarei”, disse Doria.

O prefeito disse que o pedido de reunião partiu de Joice e demonstrou irritação ao ser questionado se também desconversará com a deputada sobre as eleições de 2020. “Eu não sei você, mas em público e em privado eu falo a mesma coisa”. Covas resiste a uma eventual composição com a deputada, que é vista por aliados de Doria como um possível ‘plano B’ do governador na eleição municipal de São Paulo.

Apesar de evitar falar sobre a candidatura à reeleição, Covas também demonstrou irritação ao ser questionado se eventualmente poderia deixar de ser candidato para se dedicar ao tratamento contra um câncer agressivo e cuidar de sua saúde. “Nada está sendo escondido. Tudo é claro, transparente, transparência total. Cada momento a sua aflição. Não tem por que ficar nervosa. Fica tranquila. Qualquer dificuldade vai ser enfrentado, feito com transparência, às claras. E 2020 só discuto em 2020.”

O tucano também respondeu de forma ríspida ao ser questionado sobre como ficará a prefeitura a partir de abril, já que o cenário sobre quem poderá sucedê-lo no comando do Executivo municipal caso precise tirar uma licença está indefinido até o fim deste mandato. “Em abril, a minha preocupação é com a minha festa de 40 anos”, disse.

Covas foi eleito como vice na chapa de João Doria em 2016 e assumiu o governo municipal em 2017, quando Doria deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo. Quando o prefeito pede uma licença, quem assume é o presidente da Câmara, Eduardo Tuma (PSDB), que tende a ser mantido no comando do Legislativo em dezembro.

A partir de abril, no entanto, se Tuma assumir a prefeitura municipal, ainda que por um breve período, não poderá disputar mais um mandato na Câmara Municipal. A Constituição determina, em seu artigo 14, que prefeitos, governadores e presidente podem disputar uma vez a reeleição e, para concorrer a outro cargo, precisam renunciar até seis meses antes da eleição.

Caso Tuma se licencie ao mesmo tempo que Covas, integrantes da mesa diretora da Câmara poderão assumir a prefeitura. Vereadores, no entanto, resistem em assumir a prefeitura por poucos dias e perder a possibilidade de se reeleger por mais quatro anos no Legislativo municipal.