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Briga entre Heitores para na Justiça e acirra disputa a prefeito de Fortaleza

Redação Notícias
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Candidato pelo PSL a prefeito de Fortaleza, Heitor Freire luta na Justiça para manter o nome de batismo na campanha. (Foto: Divulgação)
Candidato pelo PSL a prefeito de Fortaleza, Heitor Freire luta na Justiça para manter o nome de batismo na campanha. (Foto: Divulgação)

Com 11 candidatos a prefeito, a eleição de Fortaleza neste ano igualou o recorde do pleito de 2004 em número de postulantes. Dois deles, que se chamam Heitor, brigam pela preferência do uso do nome de batismo na campanha. O caso já foi parar na Justiça Eleitoral.

Heitor Freire (PSL), 39, participa de sua primeira eleição para o Executivo. O empresário foi eleito deputado federal em 2018 se apresentando como o "candidato de Jair Bolsonaro" e teve expressivos 97.201 votos no único estado no qual o presidente eleito perdeu em todas as cidades.

No material de campanha que começou a distribuir em setembro, Heitor Freire se apresenta apenas como "Heitor 17", o que causou confusão com um dos rivais.

Aos 64 anos, Heitor Férrer (Solidariedade) está no quinto mandato de deputado estadual no Ceará. Sua trajetória política começou em 1989, na Câmara Municipal de Fortaleza, onde foi vereador por três mandatos.

O médico participa de sua quarta eleição para prefeito. Em 2012, ficou em terceiro lugar, com 21% dos votos no primeiro turno, pouco atrás de Roberto Cláudio (PDT), atual prefeito em segundo mandato, que naquele ano derrotou Elmano Freitas (PT) no segundo turno.

Férrer acionou a Justiça Eleitoral para que Freire seja obrigado a usar o sobrenome no material de campanha. Na visão do deputado estadual, seu histórico de campanhas anteriores pode fazer com que as pessoas o associem a Freire e se confundam na hora de votar.

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Com nomes iguais e sobrenomes parecidos, há também coincidência nos números dos partidos que o eleitor precisa digitar na urna eletrônica: 17 para Freire, 77 para Férrer.

"Está para nascer o cabra que vai me impedir de usar o nome que minha mãe e meu pai me deram", diz Freire.

"Longe de mim tamanha pretensão, que ele mude seu nome de batismo. O que eu quero é justamente o contrário, é que ele use seu nome de batismo assim como eu uso o meu, com nome e sobrenome para que não haja confusão do eleitor", afirma Férrer.

No último dia 2, Férrer conseguiu uma decisão judicial favorável que determina que Freire agregue seu sobrenome a todo o material de campanha, desde adesivos e bandeiras até o jingle.

O juiz eleitoral André Teixeira Gurgel citou trecho do artigo 12 da legislação eleitoral no qual diz que "o candidato às eleições proporcionais indicará, no pedido de registro, além de seu nome completo, as variações nominais com que deseja ser registrado, até o máximo de três opções, que poderão ser o prenome, sobrenome, cognome, nome abreviado, apelido ou nome pelo qual é mais conhecido, desde que não se estabeleça dúvida quanto a sua identidade".

"Eu tenho 32 anos de vida pública. Se alguém disser: 'Olha, o deputado Heitor foi assaltado ali na praça Portugal [região nobre de Fortaleza]' qualquer fortalezense vai pensar no Heitor Férrer. Só tinha um Heitor na política, o Freire entrou tem só dois anos", diz Férrer.

Foi determinado pela Justiça o prazo de 48 horas para que Freire fizesse as alterações e uma multa diária de R$ 1.000 caso houvesse descumprimento. Freire disse que recorreu, mas que só recebeu a notificação no dia 6 e que cumprirá a decisão modificando o novo material de campanha que será produzido.

Heitor Férrer, candidato pelo Solidariedade, acionou a Justiça Eleitoral para que o adversário use o sobrenome na campanha. (Foto: Divulgação)
Heitor Férrer, candidato pelo Solidariedade, acionou a Justiça Eleitoral para que o adversário use o sobrenome na campanha. (Foto: Divulgação)

Muita coisa, porém, já está nas ruas apenas com "Heitor 17". "Primeiro achei que fosse fake news, que o Férrer não ia perder tempo com isso. Quando vi que era verdade, me assustei. Sou conhecido como Heitor 17, fiz minha campanha para deputado federal assim. Não tenho sobrenome importante, não tenho padrinho, tenho só meu nome que todo mundo conhece. E pegue todos os outros candidatos, todos usam um nome só", rebate Freire.

Se brigam pelo uso do nome na campanha, os dois candidatos têm algo em comum: são hoje oposição ao PDT do prefeito Roberto Cláudio e dos irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes.

Férrer, que já foi do PDT e do PSB, partidos ligados à esquerda, ganhou nos últimos dias antes do registro o apoio do MDB do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira, que indicou o vice da chapa, o deputado estadual Walter Cavalcante.

"Hoje digo nos meus pronunciamentos que não sou dos extremos [direita e esquerda], estou ali mais pelo meio, onde está a virtude", disse Férrer.

Já Freire é um dos principais nomes da direita no Ceará e permaneceu no PSL após a saída do presidente Bolsonaro em novembro de 2019.

Um mês antes, um áudio de uma conversa entre Bolsonaro e Freire sobre a liderança do PSL na Câmara vazou. O presidente avaliava colocar seu filho Eduardo (PSL-SP) no posto.

Freire nega que tenha sido responsável pelo vazamento. "Sou independente. Continuo com os valores conservadores, da família, igual ao presidente Bolsonaro, mas não concordo com tudo. Por exemplo: sou a favor da continuidade da Lava Jato. E não tive problema algum com ele, tive com alguns bolsonaristas."

da Folhapress