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Brexit caótico levaria BOE a cortar juros, segundo Goldman, BofA

David Goodman (London) e Lucy Meakin
·2 minutos de leitura

(Bloomberg) -- Os preparativos do Banco da Inglaterra para as consequências de um Brexit potencialmente turbulento podem incluir uma nova arma até o final do ano.

Na quinta-feira, autoridades monetárias deram o sinal mais forte de que consideram recorrer a taxas de juros negativas, ao dizer que trabalharão com reguladores do setor bancário no quarto trimestre sobre como podem implementar tal política pela primeira vez na história do banco central britânico.

Economistas do Goldman Sachs e do Bank of America Global Research acreditam que o fracasso de um acordo comercial entre o Reino Unido e a União Europeia pode estar entre os fatores que levarão o BOE a cortar os juros abaixo de zero. Isso seria parte de um “cenário de cauda” que também inclui um retorno às medidas de contenção da Covid, escreveram os economistas do Goldman em relatório.

Aumentar os esforços - pouco mais de um mês após o presidente do BOE, Andrew Bailey, ter enfatizado que não havia planos de seguir a maior parte da Europa e do Japão com juros negativos - ocorre em meio a uma maior probabilidade de um fim caótico para a transição pós-Brexit.

O governo do Reino Unido disse que as negociações comerciais com UE nesta semana foram “úteis”. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse ao Financial Times que está “convencida” de que um acordo é possível. Mas a iniciativa do primeiro-ministro Boris Johnson de não respeitar o acordo de retirada da UE aumentou as dúvidas sobre um pacto.

Um Brexit caótico aumentaria a pressão sobre a economia britânica com controles alfandegários, tarifas e custos mais elevados para empresas.

A perspectiva de juros negativos colocou bancos britânicos em alerta. Uma incursão abaixo de zero encolheria ainda mais as margens de juros líquidas e também a oferta das hipotecas mais arriscadas, o que reduziria os preços dos imóveis e a confiança do consumidor, segundo Jonathan Tyce, da Bloomberg Intelligence.

O impacto que juros negativos causariam nos balanços do setor financeiro é um dos motivos pelos quais o BOE resistiu à medida até recentemente. A ferramenta teve resultados diversos em outros lugares, e a Suécia optou por encerrar sua própria experiência com a política no ano passado.

Thomas Costerg, economista sênior da Pictet Wealth Management, em Genebra, diz que um Brexit caótico é a única coisa que faria o BOE provavelmente puxar o gatilho dos juros negativos. Para o HSBC, é a diferença entre nenhum afrouxamento e um pacote de estímulo com corte de juros para zero e um adicional de 100 bilhões de libras (US$ 130 bilhões) em compras de títulos.

Os economistas do BofA projetam redução dos juros para zero em fevereiro, mas um colapso das negociações comerciais da UE pode levar o banco central do Reino Unido a ir ainda mais longe.

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