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Brexit brutal causaria caos na fronteira e mais perdas que pandemia, diz governo

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Fachada do Parlamento europeu, em Bruxelas, em 31 de janeiro de 2020
Fachada do Parlamento europeu, em Bruxelas, em 31 de janeiro de 2020

Longas filas de caminhões se formarão na fronteira para cruzar o Canal da Mancha em janeiro, se Reino Unido e União Europeia não concluírem um acordo de livre-comércio pós-Brexit - alertou o governo britânico nesta quarta-feira (23).

"Esta não é uma predição, ou uma previsão", mas um "exercício prudente para estabelecer o que pode acontecer no pior dos cenários", explicou o ministro do Gabinete, Michael Gove, ao Parlamento.

Na véspera, o instituto de pesquisa independente The UK in a Changing Europe já havia alertado que uma saída brutal da UE no final do ano, quando o período de transição termina, poderia custar à economia britânica quase três vezes mais, no longo prazo, do que a pandemia de coronavírus.

O centro de pesquisa, que trabalhou em parceria com a London School of Economics (LSE), estima que, na ausência de um acordo, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico perderia 5,7% em 15 anos em relação ao nível atual, contra 2,1% devido à pandemia de covid-19.

O cenário apontado por Gove se baseia, por sua vez, na estimativa de que apenas "entre 50% e 70% das grandes empresas e apenas entre 20% e 40% das pequenas e médias empresas estariam preparadas para a aplicação estrita dos novos requisitos europeus".

Assim, apenas "30% a 60%" dos caminhões chegariam à fronteira, depois de cumpridas as formalidades necessárias para suas mercadorias, explicou o ministro.

"Portanto, as autoridades francesas iriam enviá-los de volta para a fronteira, bloqueando a passagem", acrescentou, referindo-se a uma possível fila de "7.000 caminhões", ou seja, um atraso de dois dias, segundo documento publicado pelo governo.

As negociações entre britânicos e europeus em busca de um grande acordo de livre-comércio para reger suas relações pós-Brexit estão paralisadas há meses. 

E, agora, enfrentam a nova ameaça representada pelo projeto do primeiro-ministro Boris Johnson de modificar alguns dispositivos do acordo de divórcio - um tratado internacional em vigor desde que o Brexit foi efetivado em 31 de janeiro. A proposta está enfurecendo seus ex-parceiros.

jit-acc/mar/tt