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Breno Góes lança CD que vai do lúdico ao sombrio

Alex Braga*
·3 minuto de leitura

RIO — O som da banda The Who, as tintas do pintor David Hockney e as imagens do cineasta Pedro Almodóvar forjaram o artista Breno Góes, compositor e cantor carioca que está lançando seu segundo CD, “Judô”. Com 12 músicas, o álbum é um mergulho numa estética muito própria, que concilia o lúdico com o sombrio. Prova disso são os versos da canção “Energia negativa”: “Eu não tenho condição de conviver com as pessoas normais. Enquanto todos dizem ‘namastê, amor e paz’, eu cultivo inveja, ira e outros pecados capitais”.

Todas as faixas são composições próprias de Breno, que partilha — pela música — memórias, vivências e valores. O próprio título, “Judô”, é carregado de memória afetiva, pois ele praticou a modalidade na infância e adolescência e diz que até hoje carrega ensinamentos do esporte:

— O judô não é uma luta, mas um esporte que inspira uma disputa saudável e a perseverança. Se caiu, levanta e continua. Não existe vencedor e derrotado, são disputas para aprimorar talentos.

Morador de Copacabana, Breno, que está terminando o doutorado sobre a literatura de Eça de Queiroz, diz que seu gosto pela música veio da família e foi aprimorado com a formação acadêmica. O artista conta que as viagens de férias eram oportunidades de conhecer mais a MPB.

— O primeiro a me influenciar no mundo da música foi meu pai, que é violonista clássico. A música está no meu berço familiar. Depois, foram as viagens que fazíamos para Londrina, cidade natal da minha mãe, na ocasião ouvíamos os monstros da MPB, como Elis, Milton, Chico e Gil. Paralelamente, minha mãe me introduziu ao mundo da literatura e me fez ver que romances e canções eram simplesmente formas diferentes de se contar histórias — diz.

Na estrada da música, Breno construiu muitas parcerias. Em “Judô”, por exemplo, duas canções são interpretadas por outras pessoas. A primeira, “Cicatriz”, por Clarissa Paranhos, sua mulher; e a segunda é a música “Tragédia de Luz del Fuego”, interpretada por Simone Mazzer, figura endeusada por Breno pela bela voz.

Também no campo da composição ocorreram colaborações muito profícuas. Por exemplo, “Unhas e cabelos”, escrita com Paulinho Moska, foi gravada por Gal Costa e está no álbum “Pele do futuro” da cantora. O fato é visto com orgulho por Breno:

— Sempre que vejo, pela internet, a Gal cantando “Divino maravilhoso” no Festival da Canção de 1968 analiso a importância da música na formação cultural e política do Brasil. Ter uma música minha cantada por esse mito é causa de muito orgulho. Sinto que meu nome está num pequeno rodapé da história da MPB.

O Rubel é outro amigo parceiro de Breno Góes. O jovem músico, que é uma das promessas da nova geração da MPB, expressa suas impressões sobre o segundo álbum do artista:

—Breno tem um gosto particular por rimas, e quando a rima aparece, eu o imagino feliz de ter a encontrado ela e isso me deixa feliz. Cito acanção do pai (“Passo de aranha”) ... é de matar. O disco todo parece trazer aquela sensação da gente estar chegando nos trinta.

Nesse período de pandemia, Breno aproveitou o isolamento social e mergulhou nos escritos de Aldir Blanc. A produção literária do compositorde “O bêbado e o equilibrista” o surpreendeu tanto que quase pensou em mudar o tema de sua tese de doutorado. Mesmo não concretizando a modificação, a obra de Blanc influenciou a sua carreira:

— A morte do Aldir me comoveu. Daí me interessei em conhecer mais profundamente a sua obra, não só a música, mas, também, as crônicas quesaíam no jornal Pasquim. Me surpreendi com a beleza e profundidade que encontrei, e com a coragem de não encarar nada como sagrado. Tudo viraassunto de botequim na sua obra. Aldir ganhou um admirador, e seus escritos vão influenciar, com certeza, os meus trabalhos futuros.

“Judô” está disponível em todos os serviços de streaming e na página do YouTube de Breno. O disco foi concebido no Estúdio Carolina, entre amigos, como o produtor Gus Levy. Seu primeiro álbum, “Depois do susto”, foi lançado em 2015 e também está acessível na internet.

*Estagiário, sob a supervisão de Milton Calmon Filho

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