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Braskem reverte lucro e tem prejuízo de R$ 887,8 milhões no 3º trimestre

Rita Azevedo

No mesmo período, a margem bruta da companhia caiu quase dez pontos percentuais e receita com vendas recuou em todos os países onde ela atua Braskem teve queda de 57% no Ebitda no 3º trimestre deste ano

Dado Galdieri/Bloomberg

A indústria petroquímica Braskem teve prejuízo líquido atribuível aos sócios da empresa controladora de R$ 887,8 milhões no terceiro trimestre deste ano, revertendo lucro líquido de R$ 1,344 bilhão no mesmo período do ano passado, segundo demonstrações financeiras enviadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta quinta-feira.

De acordo com o comunicado da empresa, o prejuízo se deve ao impacto negativo da depreciação do real frente ao dólar sobre a exposição líquida da companhia não designada para hedge accounting.

A receita líquida de vendas teve redução de 18% entre os dois períodos, totalizando R$ 13,368 bilhões de julho a setembro deste ano.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficou em R$ 1,548 bilhão no terceiro trimestre deste ano, uma queda de 57% frente ao Ebitda de R$ 3,58 bilhões no mesmo período de 2018.

Análise

Analistas que acompanham a Braskem tinham a expectativa de que no terceiro trimestre a companhia reportasse um conjunto de resultados fracos. Os números apresentados pela petroquímica na noite de ontem mostraram que o desempenho foi pior que o esperado.

O prejuízo de R$ 887,8 milhões é um número mais de três vezes maior que os R$ 293,4 milhões projetados por analistas consultados pelo Valor. A projeção levava em conta a média das estimativas do Santander, UBS, Safra, J.P.Morgan e Morgan Stanley.

Os analistas também estimavam que o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado trimestral recuasse 54,2%, para R$ 1,64 bilhão. A queda foi ainda maior, de 57%, para R$ 1,54 bilhão.

Em relação à receita líquida, a Braskem reportou resultado acima do esperado. A previsão era de queda de 19,3% na comparação anual, a R$ 13,2 bilhões. O recuo foi menor, de 18%, para R$ 13,3 bilhões.

Margem bruta

A margem bruta da Braskem caiu quase dez pontos percentuais no terceiro trimestre de 2019, quando comparada com a registrada um ano antes. O indicador, que mostra a relação entre o resultado das vendas após a dedução dos custos e a receita, passou de 22% para 12,8%.

A queda foi impulsionada pelo recuo de 18% na receita, para R$ 13,36 bilhões, que não foi compensado pela redução de 8,5% nos custos no período.

O forte recuo da rentabilidade sobre as vendas no terceiro trimestre repete o ocorrido no segundo trimestre deste ano, quando a margem bruta passou de 23,8% para 12,4%. Naquele trimestre, porém, foi o aumento dos custos que pesou sobre o resultado.

Em relação ao operacional, a margem da Braskem ficou em 4,17% no terceiro trimestre deste ano — quase 13 pontos percentuais da registrada no mesmo período de 2018. O resultado antes do financeiro e dos tributos da companhia caiu quatro vezes para R$ 558,6 milhões.

Na linha financeira, o prejuízo líquido mais que dobrou para R$ 2,03 bilhões, com o aumento de 9% nas despesas, a queda de 5% nas receitas e a variação cambial líquida que teve efeito negativo de R$ 1,36 bilhão.

Receita com vendas

A receita líquida da petroquímica Braskem recuou em todos os países de atuação da companhia no terceiro trimestre, na comparação anual.

No Brasil, a receita líquida em dólar recuou 17%, para US$ 2,51 bilhões, com a queda de 4% na venda de resinas e de 5% de químicos. As exportações de resinas aumentaram 9%, devido ao aumento do volume exportado ao Mercosul, enquanto as dos químicos recuaram 9%, com a menor disponibilidade do produto.

A demanda, diz a Braskem, foi menor na comparação anual já que no terceiro trimestre de 2018 houve o efeito positivo do fim da greve dos caminhoneiros.

Nos Estados Unidos e na Europa, a queda na receita foi de 23%, para US$ 655 milhões. As vendas aumentaram 4% no mercado americano, devido à maior disponibilidade de produtos, e ficaram estáveis no europeu.

A demanda, segundo a Braskem, recuou nos Estados Unidos em linha com o menor desempenho do crescimento da economia e impactos da guerra comercial com a China. Na Europa, a demanda melhorou com o avanço da economia e o aumento da utilização de bens de consumo.

No México, as vendas recuaram 2% influenciando na queda de 29% na receita líquida, para US$ 185 milhões. No período, segundo a Braskem, a demanda mexicana foi afetada pelo menor crescimento da economia do país, que sofre com a queda da produção industrial e o enfraquecimento da confiança dos investidores.