Mercado fechado
  • BOVESPA

    108.976,70
    -2.854,45 (-2,55%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    51.668,64
    -310,37 (-0,60%)
     
  • PETROLEO CRU

    76,28
    -1,66 (-2,13%)
     
  • OURO

    1.754,00
    +8,40 (+0,48%)
     
  • BTC-USD

    16.593,95
    +134,24 (+0,82%)
     
  • CMC Crypto 200

    386,97
    +4,32 (+1,13%)
     
  • S&P500

    4.026,12
    -1,14 (-0,03%)
     
  • DOW JONES

    34.347,03
    +152,97 (+0,45%)
     
  • FTSE

    7.486,67
    +20,07 (+0,27%)
     
  • HANG SENG

    17.573,58
    -87,32 (-0,49%)
     
  • NIKKEI

    28.283,03
    -100,06 (-0,35%)
     
  • NASDAQ

    11.782,75
    -80,00 (-0,67%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,6244
    +0,0991 (+1,79%)
     

Brasileiros deixam de gastar US$ 1,6 bi nos EUA por demora em visto

WASHINGTON, ESTADOS UNIDOS (FOLHAPRESS) - Os prazos para conseguir um visto de turista no Brasil para visitar os Estados Unidos podem passar de um ano, e, em tempos de economia vacilante, os norte-americanos têm perdido um bom dinheiro com isso. Em 2023, potenciais turistas brasileiros devem deixar de gastar US$ 1,6 bilhão (R$ 8,5 bilhões) nos EUA, segundo pesquisa recente da U.S. Travel Association, que representa empresas do setor.

O problema começou com a pandemia, quando a emissão de vistos ficou 20 meses suspensa, e nunca foi resolvido. Hoje, quem procurar um Consulado dos EUA em São Paulo para tirar um visto de turista, além de gastar cerca de R$ 850 (US$ 160), precisará esperar 482 dias para ser entrevistado, quase um ano em quatro meses.

Com a maior demanda, a capital paulista tem o pior tempo de espera, mas em outras cidades o prazo também é longo. Em Porto Alegre, onde se espera menos, é preciso aguardar 324 dias.

"Prazos de espera ultrajantes mandam uma mensagem para os viajantes de que os EUA estão fechados para negócios", diz o presidente da U.S. Travel Association, Geoff Freeman, em nota. "Demoras excessivas no visto são na prática uma proibição de viagem. Ninguém vai esperar um ou dois anos".

De acordo com o estudo da entidade, 69% dos viajantes internacionais em potencial do Brasil não têm um visto americano. Além disso, 61% deles afirma que provavelmente escolherá outro país para visitar que não os EUA se o prazo de espera pelo visto ultrapassar um ano, como ocorre hoje.

Mesmo com a demora, em setembro, dado mais atualizado do governo americano, o Brasil foi o país para o qual foram emitidos mais vistos de turista. Foram 58.056 só naquele mês, a frente de países bem mais populosos, como a Índia (44.036 vistos).

Por lá, os prazos chegam a ser ainda mais severos, e a espera para conseguir marcar um visto de turista chega hoje a 961 dias em Nova Déli e 999 dias em Mumbai, quase três anos. Potenciais viajantes indianos deixarão de gastar no ano que vem US$ 1,2 bilhões nos EUA, segundo a mesma pesquisa. Esse número salta para US$ 2,4 bilhões entre turistas mexicanos -na cidade do México, a espera hoje é de 675 dias.

Ao todo, 6,6 milhões de potenciais turistas de todas as nacionalidades deixarão de gastar US$ 11,6 bilhões nos EUA no ano que vem, segundo a entidade. É claro que é uma pequena fração do que a indústria movimenta -em 2019, antes da pandemia, turistas gastaram US$ 233,5 bilhões no país, segundo dados do governo-, mas que não ajuda em tempos de economia vacilante, com perspectiva de recessão no próximo ano. Afinal de contas, os turistas não gastam apenas em passagens aéreas e hospedagem, mas também no comércio local e em bares e restaurantes.

E o governo americano reconhece isso. Um porta-voz do Departamento de Estado, ao qual fica subordinado o escritório de Assuntos Consulares, disse à Folha de S.Paulo que o processamento de vistos em tempo hábil é essencial para a economia americana.

O Departamento de Comércio lançou neste ano uma estratégia nacional de turismo que inclui facilitar as viagens ao país e quer atrair 90 milhões de visitantes estrangeiros até 2027, que podem gastar US$ 279 bilhões no país anualmente.

Para isso, o Departamento de Estado afirma que o número de contratações em consulados dobrou em 2022 em relação a 2021 -uma opção adotada, afirma o governo, é expandir a contratação de familiares de diplomatas para que atuem nesses departamentos mais burocráticos em consulados no exterior.

O governo diz ainda que a análise dos vistos está indo mais rápido do que o previsto e que a expectativa é que ainda neste ano sejam atingidos os níveis pré-pandêmicos. Ainda que os dados do Brasil não mostrem isso, o governo afirma que a média mundial de espera para uma entrevista para visto de turista é de aproximadamente dois meses.

Para o setor de turismo, ainda não é o suficiente. A U.S. Travel Association pede que o governo Biden reduza para 21 dias o tempo de espera para análise de vistos para o Brasil, Índia e México, e que esse limite seja válido para 80% dos países até setembro de 2023.

Não é a primeira vez que o país passa por esse tipo de problema. No começo da década passada, a espera para conseguir um visto também aumentou de forma expressiva em pouco tempo e o país perdeu cerca de 30% do total de viajantes internacionais entre 2000 e 2010, segundo dados da Casa Branca.

Em 2012, o então presidente Barack Obama baixou uma ordem executiva determinando que a capacidade de análise de vistos no Brasil e na China aumentasse 40%. Além disso, determinou que 80% dos vistos de não-imigrantes fossem analisados em até três semanas.

TEMPO DE ESPERA PARA ENTREVISTA DO VISTO DE TURISTA

São Paulo - 482 dias

Brasília - 431 dias

Rio de Janeiro - 423 dias

Recife - 337 dias

Porto Alegre - 324 dias

Fonte: Departamento de Estado dos EUA