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Brasileiros aumentam em 10% a produção de lixo durante a pandemia

·11 min de leitura

Na semana que marca o Dia Mundial da Alimentação — celebrado dia 16 de outubro —, o Yahoo Finanças inicia uma série de vídeos de receitas que trazem muito mais do que apenas um prato: trazem todo o ato político que há em comê-lo. "Comer: Ato Político" é apresentada pelo chef e gastrólogo Zeh Barreto, que comanda a cozinha com receitas prática e dicas preciosas para você economizar e melhorar a qualidade da sua alimentação e bem-estar. O Yahoo encerra neste sábado a série com seis episódios diários com os temas: Inflação dos alimentos; Vegetarianismo; Alimentos ultraprocessados; Dicas para evitar o desperdício; Como reduzir o delivery; e Como fazer o descarte correto.

Acompanhem!

por Ethieny Karen e Thalya Godoy

O Brasil aumentou a produção de lixo em 12,4 milhões de toneladas no período de nove anos, apontam os dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2020, elaborado pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). O país saiu de 66,7 milhões de toneladas em 2010 para 79,1 milhões de toneladas em 2019.

O Brasil é o 4º país que mais produz lixo no mundo, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), ficando atrás apenas dos Estados Unidos (1º lugar), da China (2º) e da Índia (3º).

Durante a pandemia, a produção de resíduo domiciliar cresceu cerca de 10% e deve chegar em média 25% ou mais, segundo a Abrelpe.

No Brasil são produzidas cerca de 11,3 milhões de toneladas de resíduo plástico por ano, e apenas 1,28%, equivalente a 145 mil toneladas, são recicladas e reinseridas na cadeia produtiva, indicam os dados do Atlas do Plástico, realizado pela Fundação Heinrich Böll Brasil.

Mesmo sendo um problema global, a situação no Brasil é agravante. No país 2,4 milhões de toneladas de plásticos são descartadas de forma incorreta e 7,7 milhões acabam em aterros sanitários.

A poluição criada pelo plástico gera mais de US$ 8 bilhões de prejuízo à economia global, destaca o Levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Os mais prejudicados são os setores pesqueiros, turismo e de comércio marítimo.

Um estudo intitulado “Solucionar a Poluição Plástica: Transparência e Responsabilização” realizado pela WWF, aponta que o volume de plástico que vaza para os oceanos é de aproximadamente 10 milhões de toneladas, o que corresponde a 23 mil aviões Boeing 747 pousando sobre os mares e os oceanos. Se continuar nesse ritmo, até 2030, encontraremos o equivalente a 26 mil garrafas plásticas no mar a cada 2km.

Photo by: STRF/STAR MAX/IPx 2021 9/20/21 Quality of life issues continue in Manhattan as garbage is scattered throughout city streets. Budget cuts during the Coronavirus have impacted trash pickup.
(Foto: Getty Images)

Aproximadamente metade dos produtos plásticos que poluem o mundo hoje foram criados nos anos 2000. E só em 2450 eles serão decompostos.

A lei 12.305, sancionada em 2 de agosto de 2010, regulamenta a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela estabelece diretrizes para os setores públicos e empresas lidarem com os resíduos gerados. Devido a PNRS, é exigida a transparência das instituições no gerenciamento de seus resíduos.

Essa lei tem como intuito a melhora da qualidade de vida, preservação ambiental e sustentabilidade. O aumento do consumo nas cidades ocasiona uma grande quantidade de lixo.

De acordo com dados do Panorama dos Resíduos Sólidos 2020, cada brasileiro produz, em média, 379 kg de lixo por ano, correspondendo a mais de 1 kg por dia. O Brasil gera quase 37 milhões de toneladas de lixo orgânico todos os anos. Esse resíduo tem potencial econômico para virar adubo, gás combustível e até mesmo energia. No entanto, apenas 1% do que é descartado é reaproveitado.

De acordo com dados do IBOPE de 2018, 75% dos brasileiros não separam materiais recicláveis. Desse percentual, 39% não separam lixo orgânico dos demais e 77% têm ciência de que o plástico é reciclável.

Formas de diminuição do lixo têm ganhado força nos últimos anos. A compostagem é um processo natural de decomposição e reciclagem de matéria orgânica de origem animal ou vegetal.

Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), apontam que o material orgânico corresponde a cerca de 52% do volume total de resíduos produzidos no Brasil e boa parte vai parar em aterros sanitários, onde são misturadas com os demais materiais e não têm tratamento específico.

Caio Simões é empreendedor na área de serviço de coleta e compostagem dos resíduos orgânicos. Ele utiliza o lixo como fonte de adubo em plantio agroflorestal, produzindo alimentos orgânicos e reflorestando áreas degradadas. O sócio no empreendimento, Gabriel Lucas, estima que eles já tenham aproveitado cerca de 30 toneladas de alimentos com a compostagem.

Marcus Negri é sócio-fundador e diretor operacional do Composta Rua, que realiza a coleta de resíduos orgânicos porta a porta dos clientes, tratando-os no pátio de compostagem da empresa.O empreendimento nasceu para promover a prática para clientes que desejavam destinar os resíduos para compostagem, mas não queriam se envolver no processo.

“Temos um perfil de clientes variado. A maioria do público é composto desde pessoas com práticas saudáveis e alimentação natural, bem como pessoas que percebem os benefícios e a economia do tratamento adequado dos resíduos”, conta.

O empreendedor afirma que é possível ter uma composteira em casa, com modelos de fácil instalação e manuseio, que atendem famílias e indivíduos sozinhos. “Existem pontos a serem percebidos e respeitados, mas com algumas mudanças simples na rotina as composteiras são facilmente incorporadas à dinâmica da residência”.

A compostagem abre discussão para alimentos com pouco impacto ambiental. Os adeptos a esse tipo de reciclagem, buscam ter uma vida se alimentando com produtos orgânicos e com baixo uso de plástico.

Horta orgânica como uma forma de investimento

Mirian Wrublevski foi motivada a empreender no setor de produtos orgânicos quando viu que o acesso a esses alimentos tinha limitações nos centros urbanos. As amigas, que faziam tratamento de câncer na época, nunca tinham ouvido falar do bacupari, um fruto com propriedades anticancerígenas. No sítio de Mirian os bacuparizeiros fruticavam, enquanto nos mercados nem sinal da fruta.

Diante do cenário, ela quis levar produtos saudáveis para mais pessoas, alimentos produzidos sem agrotóxicos para que estivessem na mesa de mais famílias. “Vi que faltava um lugar que se apoderasse da tecnologia da internet e geolocalização para fazer isso”, ela relembra.

A catarinense criou, então, o aplicativo Quintal, que trabalha com hortas urbanas, ligando os produtores rurais aos consumidores.

“O aplicativo surgiu da observação do cenário pré-pandêmico da minha cidade: de um lado a oferta comercial escassa de alimentos orgânicos, e de outro lado toda a abundância de frutas e verduras que tínhamos no nosso sítio e nas hortas da casa de familiares e amigos”.

Much more garbage than can fit in the box
(Foto: Getty Images)

O mercado de produtos orgânicos movimenta uma receita bilionária anualmente. De acordo com dados da Associação de Promoção dos Orgânicos (Organis), o faturamento do setor em 2020 foi de R$ 5,8 bilhões, crescimento de 30% acelerado pela pandemia.

Por geolocalização, é possível encontrar o que os vizinhos oferecem, desde a produção de sítios e chácaras, até de hortas domésticas e floreiras de sacada. Também há a produção em escala comercial, com selo de orgânico ou que não use agrotóxicos.

A negociação é feita diretamente no aplicativo com o anunciante e a combinação do pagamento, da entrega ou retirada é sem intermediários. A agricultora catarinense coleciona relatos de consumidores que descobriram novos alimentos ou que voltaram a sentir sabores da infância.

“Não precisamos mais aguardar pela feira semanal ou a cesta de orgânicos se quisermos comer algo saudável de verdade. Podemos comprar do vizinho, valorizar o trabalho dele de preservação do solo, da água e do ar, que são ativos que extrapolam muros e divisas", acredita.

Uma horta além de ser sinônimo de alimentação, também pode ser fonte de terapia. A pandemia proporcionou a oportunidade para quem pode ficar em casa e tinha interesse em investir no trabalho manual com o solo. Era uma saudade ou até curiosidade de sentir a terra entre os dedos, semear, cuidar e colher os frutos.

“Na pandemia vi a oportunidade de fazer uma horta e percebi que tudo que estudei dava para trabalhar de forma mais leve e menos invasiva no corpo, mexendo com plantas e tudo o que envolve esse universo”, afirma Gia Fiore, de 34 anos, formada em nutrição, gastronomia e jardinagem.

O estudo a que a nutricionista se refere é sobre terapia corporal, que estuda desde 2014, com conceitos sobre o tema de Wilhelm Reich.

“Reich não ficou tentando tratar o paciente somente na fala. Ele começou a observar o corpo do ser humano, de seus pacientes em seu laboratório e na década de 50 criou sua teoria”.

A premissa é que o corpo alcance saúde e bem-estar quando as emoções e pensamentos, vistos como integrados, fiquem em equilíbrio.

“O corpo é algo que somatiza doenças. Anos de sofrimento sem percepção lá na frente surge o adoecimento”.

Gia alinhou os seus estudos sobre a terapia corporal à oportunidade de cultivar uma horta em casa como uma forma de buscar uma vida mais saudável de corpo e mente.

“Na hortoterapia, o principal não é a planta, mas o corpo, sem esquecer da respiração e das destravas das tensões musculares ocasionadas por neuroses crônicas que adquirimos ao longo dos anos”, afirma Fiore.

No Brasil, a horticultura é comumente utilizada como uma terapia ocupacional em clínicas e hospitais, como auxílio em tratamentos.

Certificação

De acordo com dados do Censo Agropecuário de 2017, existem 68.7 mil estabelecimentos agropecuários certificados com produção orgânica no Brasil. A pesquisa apontou que 39.6 mil estabelecimentos se dedicavam à produção vegetal, 18.2 mil possuíam produção animal e 10.8 mil estabelecimentos tinham produção vegetal e animal orgânicas.

Para um produto natural ser considerado orgânico precisa atender alguns critérios durante o plantio, colheita e manejo. A produção precisa estar de acordo com a Lei 10.831/ 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica, e também com a Portaria 52 de 15 de março de 2021, que estabelece o regulamento técnico para sistemas orgânicos de produção e a listagem de insumos e práticas liberadas para estes sistemas orgânicos.

A propriedade também necessita ser certificada por um órgão independente credenciado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), de forma periódica, que garantirá ao produtor um “certificado de conformidade orgânica” e o direito de usar o “selo orgânico”.

A certificação garante que aquele alimento não possui agrotóxicos, é livre de organismos geneticamente modificados, sem o uso de produtos químicos sintéticos, e que a sua produção zela pela conservação do meio ambiente e da comunidade ao redor.

“O maior benefício da certificação, ao meu ver, é para o cidadão brasileiro. Para nós produtores funciona como uma ‘missão’ de entregar alimento, matar a fome com produtos realmente saudáveis, 100% nobres e de total qualidade”, afirma o produtor rural e associado-colaborador da Associação dos Produtores Rurais Orgânicos e Agroecológicos de Jacareí (Aproaj), José Fortes.

O orgânico é um conceito baseado na agroecologia, mas que também pode caminhar com outros modelos como a agricultura biodinâmica, a permacultura e a sintropia.

José tem um sítio desde 1994 e sempre trabalhou com princípios agroecológicos, de respeito à natureza, sustentabilidade e locavorismo (compra de alimentos de pequenos empreendimentos locais). Em 2018 ele começou a transição e em setembro de 2020 iniciou o processo para o primeiro ano de certificação, com a Aproaj como articuladora do processo.

VALENCIA, SPAIN - APRIL 27: David, the boss of the organic farming project
(Foto: Rober Solsona/Europa Press via Getty Images)

A produção e venda dos alimentos é feita de forma associativa com a Aproaj, que comercializa atualmente uma variedade de cerca de 80 produtos.

A associação também trabalha com compostagem, um processo que precisa atender critérios para ser considerado como orgânica.

Entre os compostos utilizados estão o conhecido esterco e o bokashi, que contém farelo de arroz, farinha de osso, farelo de mamona, inoculante caseiro (E.M), cinza de fogo, calcário e um fertilizante que tem na formulação fósforo, cálcio e magnésio.

“Para que um insumo possa ser liberado para uso temos que apresentar sua receita, como se fosse uma receita de bolo, ou no caso dos insumos comerciais, apresentar nome, fabricante e registro no Mapa, para a certificadora”, conta o agricultor de orgânicos.

A compostagem liberada é rica em nutrientes para o solo e, por consequência, para a planta, como esterco de gado, restos de culturas, palha seca, calcário, cinza de fogão e inoculante caseiro (EM).

Consumo de produtos orgânicos cresce

Tatiana Marques de Pinho é jardinista há 10 anos. Começou como um hobbie e se tornou profissional. Além do seu trabalho com jardins, também fabrica produtos naturais como desodorantes, cicatrizantes, spray e decorações.

Ela atende pessoas que estão começando a ter seus jardins em diversos ambientes, como grandes casas e até pequenos apartamentos, pensando em jardins que sejam bonitos, mas também em hortas com vegetais nutritivos.

Ela explica que uma horta orgânica tem suas particularidades. “É necessário que o cultivo desses alimentos seja realizado somente com técnicas naturais, para o controle de pragas e adubação. Ou seja, não devem ser usados produtos químicos nos processos”, pontua Tatiana.

Os alimentos advindos de uma horta orgânica são melhores para a saúde tanto do produtor quanto do consumidor, não agridem o meio ambiente, pois não são utilizados agrotóxicos sintéticos, transgênicos ou fertilizantes.

Taiana Pinho ressalta que a compostagem ajuda na redução das sobras de alimentos e é uma solução simples para a reciclagem desses resíduos que são gerados em casa. “A compostagem é rica em adubo, fazendo com que as plantas cresçam, produzam alimentos de forma saudável e com maior rendimento que chamamos de ‘ciclo natural orgânico'".

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