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Brasileiro recebe prêmio internacional por app para pessoas com deficiência visual

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Brasileiro recebe prêmio internacional por app para pessoas com deficiência visual
Brasileiro recebe prêmio internacional por app para pessoas com deficiência visual

Entre os destaques do 6º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), está João Pedro de Goes Novochadlo, vencedor do Young Innovator Prize (Prêmio Jovem Inovador). O brasileiro, que é criativo tecnologista, foi reconhecido pelo desenvolvimento de um aplicativo que utiliza tecnologia de microlocalização e Inteligência Artificial para facilitar a interação e a locomoção de pessoas com deficiência visual.

João Pedro de Goes Novochadlo, vencedor do Prêmio Jovem Inovador 2021, do 6º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS. Imagem: Arquivo pessoal
João Pedro de Goes Novochadlo, vencedor do Prêmio Jovem Inovador 2021, do 6º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS. Imagem: Arquivo pessoal

Novochadlo, de 29 anos, é natural de Curitiba (PR), e mora atualmente em Los Angeles, Califórnia (EUA), onde faz mestrado em empreendedorismo social pela Universidade do Sul da Califórnia, como bolsista da Fundação Lemann. Simultaneamente, está fazendo pós-graduação em gestão em tecnologia social, pelo Centro Universitário Internacional (Uninter).

Em entrevista ao Olhar Digital, ele conta que o Veever, projeto que iniciou em 2015 e ganhou viabilidade técnica a partir de 2018, surgiu da vivência como voluntário em uma entidade curitibana de assistência a pessoas com deficiência visual. “Fiz alguns trabalhos voluntários em um instituto que atende pessoas com deficiência visual, e acabei tendo contato com alguns desafios que essas pessoas enfrentam no dia a dia”, relata.

Segundo Novochadlo, uma situação específica, que aconteceu quando ele estava levando os residentes a um passeio, desencadeou sua vontade de fazer algo mais por essas pessoas. “Estávamos para fazer um passeio e, como os carros estavam lotados, acabei acompanhando um deles de ônibus. Naquele momento, percebi que a acessibilidade em meios urbanos não era adequada e era bastante complexa, afinal, se estivesse sozinho, ele precisaria parar todos os ônibus para saber qual era a linha, se estava cheio, se de fato era um ônibus, etc”.

Aplicativo Veever em fase de desenvolvimento. Imagem: Arquivo pessoal
Aplicativo Veever em fase de desenvolvimento. Imagem: Arquivo pessoal

Startup de tecnologia assistiva oferece solução baseada em quatro pilares

E, então, nasceu a Veever, hoje uma startup de operação nacional que, de acordo com idealizador, tem potencial de atender qualquer lugar no mundo que deseje tornar acessíveis seus espaços internos e externos.

“Somos uma startup que trabalha com tecnologia assistiva para pessoas com deficiência utilizando quatro pilares técnicos centrais em nossa solução: sistemas de microlocalização, aplicativos mobile, computação em nuvem e inteligência artificial”, explica Novochadlo. “Ao colocar dispositivos Bluetooth (beacons) dispostos em ambientes internos e externos, as informações são transmitidas ao smartphone do usuário. O mapeamento desses espaços é feito por um algoritmo de inteligência artificial que prevê e corrige algumas inconsistências na disseminação da informação. Este conteúdo é interpretado por meio de um aplicativo gratuito que usa um banco de dados offline e um assistente de voz para localizar, orientar e descrever os arredores do usuário”.

Ele conta que outras funcionalidades embutidas nos smartphones, como giroscópio e GPS, também são utilizadas para se ter uma noção maior do que está naquele espaço. “Por fim, o gerenciamento de dados é armazenado em uma plataforma de nuvem, permitindo que o gerente de infraestrutura tenha controle sobre o que está sendo enviado. Os padrões de uso também podem ser monitorados para a coleta de insights”.

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Atualmente, a tecnologia da Veever está em processo de validação para disponibilidade em espaços como escolas e shopping centers, além de eventos como o Rock in Rio. No entanto, para transporte, ainda não. “Como a gente instala um dispositivo, que envia informações para o celular do usuário, a gente poderia instalar num ônibus, e quando o ônibus se aproximasse do usuário, ele receberia essa informação. Mas, em se tratando de transporte público, isso envolve toda a burocracia relacionada aos governos”, explica o jovem empreendedor.

Em relação a convênios com empresas de transporte particular, Novochadlo diz que parcerias seriam muito bem-vindas. “Não temos nenhum tipo de parceria com ninguém. Seria ótimo se conseguíssemos parceiros como a Uber ou a 99, por exemplo, para podermos instalar o dispositivo nos veículos credenciados nessas plataformas”.

Reconhecimento nacional e internacional pelo trabalho para pessoas com deficiência visual

O BRICS Young Scientists Conclave (Fórum de Jovens Cientistas do BRICS, em tradução livre) é um fórum internacional que busca reunir os jovens expoentes de cada um dos países do bloco e fomentar debates e reflexões sobre tecnologia e inovação.

Neste ano, o evento, que tem como objetivo de promover o intercâmbio de conhecimento e boas práticas entre jovens pesquisadores dos países que integram o BRICS. ocorreu de forma online, com duração de quatro dias, e seguindo o horário de Bangalore, na Índia. A premiação aconteceu na última quinta-feira (16). Você pode assistir, na íntegra, por meio deste link.

“O Fórum de Jovens Cientistas do BRICS é uma excelente oportunidade para os pesquisadores em início de carreira do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul possam se encontrar, apresentar seus trabalhos, trocar experiências do que estão pesquisando e também criar novas redes, novos grupos de colaboração”, declarou ao site do governo federal o coordenador-geral de Cooperação Multilateral do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Carlos Matsumoto, que chefiou a delegação.

Para a categoria de Jovens Inovadores, na qual o brasileiro foi vencedor, cada país do BRICS fez uma seletiva para escolher quatro representantes na competição. “Estima-se que tenham sido cerca de 1100 inscrições”, disse Novochadlo, que soube do edital por meio da indicação de uma colega na embaixada dos EUA. “Felizmente, fui um dos brasileiros selecionados para compor a delegação que participaria do evento”.

A delegação brasileira, liderada pelo MCTI, foi composta por 19 jovens cientistas selecionados com o apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

Esse não é o primeiro prêmio que o projeto de Novochadlo recebe. “Já recebemos diversas premiações e acreditações, como a minha nomeação para o programa ‘Young Leaders of The Americas’ do governo americano, residência na Estação Hack do Facebook, em São Paulo, prêmio de Consagração Pública entregue pela prefeitura de Curitiba e fui vencedor nacional e representante brasileiro em competições internacionais da Organização das Nações Unidas”.

Veever também visa acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva

Novochadlo e sua equipe, formada por Lohann Paterno e Leonardo Custódio, pretendem melhorar ainda mais a Veever, aumentando seu leque de atividades. “Hoje, estamos trabalhando para aprimorar nosso algoritmo de mapeamento de espaços para que a Inteligência Artificial nos ajude a reduzir a possibilidade de erros, e acredito que, muito em breve, adicionaremos funcionalidades para pessoas com deficiência auditiva”.

João Pedro de Goes Novochadlo em reunião com seus sócios Lohann Paterno e Leonardo Custódio. Imagem: Arquivo pessoal
João Pedro de Goes Novochadlo em reunião com seus sócios Lohann Paterno e Leonardo Custódio. Imagem: Arquivo pessoal

No âmbito dos negócios, ele conta que “grandes parcerias” estão sendo fechadas na área de turismo. “Almejamos, até o fim do ano, lançar nossa solução em um famoso ponto turístico brasileiro”.

O jovem acredita que sua vivência internacional também será útil para os destinos da Veever. “A possibilidade de ser um bolsista da Fundação Lemann e poder realizar um mestrado nos Estados Unidos tem me permitido criar conexões valiosas que, possivelmente, permitirão nossa expansão para fora do país”.

Para Novochadlo, essas premiações, especialmente as internacionais como a do BRICS, são mais do que um reconhecimento de seu trabalho. “Como minha temática é sobre acessibilidade e inclusão, fiquei muito surpreso e, ao mesmo tempo, muito feliz em ver que um projeto voltado para isso acabou se sagrando vencedor. Isso é um bom sinal, de que, de fato, o mundo já está pensando nisso: que acessibilidade e inclusão não são opções, isso precisa ser mandatório. E eu acredito que, cada vez mais, com mais fomentos e apoio do governo, das instituições e universidades, a gente vai conseguir tonar esse mundo cada vez melhor”.

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