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Brasileiro é isolado em quarto de hotel na Argentina: "É como uma prisão"

O engenheiro mecânico brasileiro Paulo Roberto Carvalho Alves está isolado em hotel na Argentina. Foto: arquivo pessoal

Por Renan Botelho (@renan_botelho)

Quando desembarcou em Rosário, na Argentina há uma semana, o engenheiro mecânico Paulo Roberto Carvalho Alves, de 52 anos, achou que seria apenas mais uma viagem de trabalho. Na noite de segunda-feira (16), seus planos mudaram radicalmente. Por conta da pandemia do coronavírus, o presidente do país, Alberto Fernández, incluiu o Brasil na lista de países em zonas de risco, obrigando todo turista brasileiro a entrar em quarentena.

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"A informação aqui é muito desencontrada. Ainda na terça (17), eu fui trabalhar normalmente e voltei para o hotel. Me informaram que eu talvez tivesse que ficar em quarentena, mas eu não achei que precisaria porque tinha passagem de volta. Eu desci para tomar café da manhã na quarta (18), voltei para o quarto e não me deixaram mais sair", conta Paulo Roberto, que estava com a volta marcada para sexta-feira (20) e teve que adiar por conta da nova ordem.

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O engenheiro foi avisado que, caso decidisse sair do seu quarto do hotel, a polícia seria acionada. "Estou trancado. Trazem café e colocam na porta. Quase não tenho contato com ninguém. Até a limpeza do quarto não tem mais, eu que tive que fazer. Eu pedi para trocarem toalha, roupa de cama… Mas só podem quando a quarentena acabar", diz Paulo Roberto. "Você fica sozinho, sem informação, longe de todo mundo. É como uma prisão, você se sente aprisionado", completa. 

A Polícia Federal argentina e o Departamento de Migrações passaram a patrulhar os hotéis para garantir que os turistas de países em zonas de risco estejam isolados. "A polícia veio, mas não fez nada. Deixou só um papel para dizer que veio", desabafa o brasileiro. "Me disseram que eu poderia ir embora se eu conseguisse um exame médico. Chamaram uma ambulância, a médica me deu um atestado dizendo que não tenho nenhum sintoma do coronavírus", conta. 

Graças ao atestado, Paulo Roberto conseguiu agendar sua passagem para o próximo dia 23, mas uma nova ordem do presidente Fernández o preocupa. "Agora todo mundo recebeu ordem de ficar em quarentena até o próximo dia 31. Fiquei chateado, preocupado. Eu liguei para imigração, ninguém atende. Liguei para o aeroporto, desligam na sua cara. Fiquei 30 minutos esperando até conseguir falar com alguém e me disseram que, como eu tenho a passagem, não vão me barrar no caminho para o aeroporto, mas a gente fica com receio", comenta. 

Caso algo mude novamente e ele seja impedido de voar no aeroporto argentino, Paulo Roberto cogita dirigir até a fronteira do Paraguai para conseguir voltar para sua família, em São Paulo. "Eu pensei nisso, mas são duas horas dirigindo. Espero que dê certo no aeroporto", diz.