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Brasil vive momento diferente em relação a países latinos, diz Mansueto

Patrick Brock

Para o secretário do Tesouro Nacional, recuperação do grau de investimento até o fim do governo é possível O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou nesta terça-feira que o Brasil tem elementos que diferem dos outros países da América Latina afetados pela onda de instabilidade na região. O questionamento foi levantado em sua participação no CEO Forum do Bradesco, em Nova York.

“O Brasil está num momento icônico, é tido como o país mais reformista da América Latina. Hoje, a gente vê problemas políticos em países que tinham uma estabilidade muito grande. E a gente tem alguns movimentos contrarreformas em países que há cinco ou seis anos eram tidos como reformistas,” disse.

Umas maiores dúvidas entre executivos nos bastidores do evento era a possibilidade de a instabilidade no continente contaminar o Brasil, especialmente num momento em que a cotação do dólar atinge novo recorde.

Num contexto em que realmente se diferencie dos vizinhos mais turbulentos, Mansueto acredita que o Brasil retomar o grau de investimento até o fim do governo é “totalmente possível” e depende do que o governo conseguir aprovar da agenda reformista.

“Vários economistas colocam a reforma tributária como empecilho para o Brasil crescer mais rápido,” disse o secretário.

“A [reforma] da Previdência que foi aprovada era impossível de ser aprovada há um ano,” afirmou, lembrando do clima na Esplanada dos Ministérios quando o teto de gastos foi aprovado, em 2016.

“Precisava botar um tapume, porque o pessoal que era a favor não podia olhar o pessoal que era contra, senão ia ter briga.”

Conseguiu-se a reforma da Previdência e o governo também encaminhou uma série de outras reformas sem problemas, ressaltou. O mesmo raciocínio vale para as atuais propostas tributárias e a independência do Banco Central, observou ainda.

Segundo o secretário, o País está terminando 2019 em situação melhor que o esperado, exceto pelo crescimento. Ele culpou a incerteza em relação à capacidade do governo de aprovar a reforma da Previdência, o desastre em Brumadinho e a crise argentina pelas previsões frustradas.

“A gente começa o próximo ano com um cenário muito melhor, um cenário de inflação benigna, baixa, com taxa de juros baixa

Juros baixos

O secretário afirmou que a redução dos juros já começou a chegar nos tomadores e citou alguns setores importantes para a geração de emprego, como o imobiliário, que já estariam começando a reagir.

Mansueto ressaltou a queda brutal na Selic nos últimos anos que permitiu ao governo emitir uma Letra do Tesouro Nacional (LTN) de 12 meses com juro abaixo de 1%, por exemplo.

“Antigamente, os estrangeiros vinham para o Brasil porque ele pagava juro alto. Hoje, eles fazem isso com o México”, disse Mansueto para exemplificar a mudança de paradigma. “Ninguém esperava essa trajetória de juros” no Brasil, salientou.

A dívida pública certamente encerrará o ano em no máximo 80% do PIB, um patamar que deve receber ajuda de mais um pagamento do BNDES ao Tesouro nas próximas semanas, de R$ 30 bilhões, disse Mansueto. Por outro lado, mesmo que a histórica queda da Selic propicie um patamar mais baixo nas novas emissões, o país ainda precisa lidar com o legado de títulos de juros altos emitidos em 2015 e seu consequente efeito na chamada “regra de ouro” do orçamento, concluiu o secretário.