Mercado abrirá em 1 h 25 min

Brasil vai responder a deputados dos EUA e pedir diálogo para acordo comercial

MARINA DIAS
·3 minutos de leitura

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O governo brasileiro decidiu responder à carta dos deputados democratas da Comissão de Orçamento e Assuntos Tributários da Câmara dos EUA, que dizem ser contrários ao fechamento de um acordo comercial mais amplo entre Brasil e EUA. A embaixada brasileira em Washington vai enviar um documento à mais importante comissão do Congresso americano para tentar reverter a percepção dos parlamentares de que o governo Jair Bolsonaro negligencia questões básicas de direitos humanos e meio ambiente. Escalado para elaborar a resposta aos deputados, o indicado a embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, admite que há problemas em diversas áreas do país, mas diz que esta será uma oportunidade para pedir o diálogo com os democratas e corrigir o que chamou de "percepções distorcidas ou exageradas." "O foco é o que está acontecendo, reconhecendo, quando é o caso, que temos desafios. Há áreas que têm problemas no Brasil, nenhum país é perfeito. Estamos enfrentando essa enorme pandemia, temos desafios grandes na Amazônia, desafios sociais imensos. O governo tem políticas públicas para tentar resolver isso, mas elas podem ser sempre aprimoradas", afirmou Forster à reportagem. O diplomata não quis antecipar os pontos que devem ser rebatidos pelo governo brasileiro na carta aos deputados americanos, mas disse que são "juízos de valores baseados em impressões ou notícias específicas." "Vamos discutir democracia, vamos discutir meio ambiente", disse Forster. "Não se trata aqui da defesa cega de certas posições ou de divulgação de propaganda, são fatos." Na quarta-feira (3), o presidente da comissão, Richard Neal, enviou uma carta ao representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, dizendo que o comitê se opunha à ampliação das relações comerciais entre os dois países, porque o governo Jair Bolsonaro vem demonstrando "total desconsideração pelos direitos humanos." "Nós nos opomos fortemente a buscar qualquer tipo de acordo comercial com o governo Bolsonaro no Brasil. O aprimoramento do relacionamento econômico entre os EUA e o Brasil, neste momento, iria minar os esforços dos defensores dos direitos humanos, trabalhistas e ambientais brasileiros para promover o estado de direito e proteger e preservar comunidades marginalizadas", diz o documento assinado por 24 dos 25 parlamentares de oposição a Trump que compõem o comitê. Segundo Forster, o documento "demarcou as áreas de preocupação" dos deputados mas não coloca "nenhuma barreira intransponível" para o pretenso acordo comercial entre os dois países. Em outras ocasiões, diz o diplomata, integrantes da comissão também se opuseram a acordos que acabaram sendo fechados --como o que substituiu o Nafta, trato entre EUA, México e Canadá. Os democratas têm maioria na comissão que, muitas vezes, precisa dar autorização ao presidente americano para negociar determinados acordos comerciais que não sejam emendados pelo Congresso. A carta dos democratas diz que o governo Bolsonaro demonstra "completo desrespeito por direitos humanos básicos, pela necessidade de proteger a Amazônia, os direitos e a dignidade dos trabalhadores e mantém práticas econômicas anticompetitivas." Bolsonaro tem sido criticado pela imprensa estrangeira por causa da flexibilização de políticas de controle do desmatamento, por sua postura autoritária e sua condução da pandemia que já matou mais de 33 mil pessoas no Brasil. Desde março do ano passado, quando Bolsonaro esteve em Washington, Brasil e EUA discutem a possibilidade de um acordo comercial entre os países. É consenso dos dois lados que não deve haver livre comércio, mas sim medidas de facilitação de negócios que podem desembocar em um acordo comercial mais amplo.