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Brasil vai promover etanol em visita de Bolsonaro à Índia, diz Unica

Por Marcelo Teixeira
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Por Marcelo Teixeira

SÃO PAULO (Reuters) - O etanol será um dos principais temas na agenda do presidente Jair Bolsonaro em viagem oficial à Índia em janeiro, disse nesta terça-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), importante associação do setor.

O presidente da Unica, Evandro Gussi, afirmou que o Brasil vai discutir meios de apoiar a Índia no fortalecimento de seu programa de etanol, incluindo como aumentar a produção do biocombustível e sua mistura com gasolina, o que poderia reduzir estoques de açúcar no país asiático e dar força aos preços do açúcar.

"A Índia pode ter grandes benefícios econômicos e ambientais com um impulso a seu programa de etanol", disse Gussi, que estará na Índia com Bolsonaro durante a visita.

Segundo o chefe da Unica, o aumento na produção e mistura de etanol na Índia reduziria a necessidade de o governo subsidiar o setor de açúcar e também cortaria custos do país com importação de petróleo e gasolina.

A maior mistura de etanol à gasolina poderia ainda reduzir a poluição nas grandes cidades indianas, um problema crítico para o país, disse Gussi.

"Eu estive em Délhi durante a última crise de poluição deles. Era difícil respirar", afirmou.

A Unica estima que o uso de etanol no Brasil em 2019 levará a reduções totais de emissões de carbono de 80 milhões de toneladas.

O Brasil adiciona 27% de etanol à gasolina, enquanto 90% da frota de carros do país pode utilizar 100% de etanol hidratado devido a seus motores "flex".

"A Índia poderia reduzir significativamente a poluição com o etanol. Seria algo fácil para eles", disse ele.

Gussi afirmou que a Unica fará um "road show" em fevereiro para promover o etanol em outros países asiáticos, como Tailândia, China e Paquistão.

Atualmente, o governo brasileiro está questionando na Organização Mundial do Comércio (OMC) os subsídios fornecidos pela Índia ao setor açucareiro, afirmando que o apoio financeiro estatal, especialmente para as exportações do adoçante, afeta as regras comerciais e mantém os preços globais baixos.

Julio Maria Borges, especialista em açúcar e etanol da consultoria paulistana JOB, disse que o acréscimo da flexibilidade ao setor açucareiro indiano, com a possibilidade de que também se produza etanol, pode evitar a produção com prejuízos para alguns países --incluindo a própria Índia.

Ele afirmou em relatório que as exportações de açúcar do Brasil na atual temporada não teriam gerado dinheiro suficiente para que as usinas cobrissem custos e depreciação. As vendas de etanol, entretanto, cobririam tais custos e ainda gerariam ganhos de cerca de 15%.