Mercado fechado
  • BOVESPA

    109.068,55
    -1.120,02 (-1,02%)
     
  • MERVAL

    38.390,84
    +233,89 (+0,61%)
     
  • MXX

    50.725,96
    -294,69 (-0,58%)
     
  • PETROLEO CRU

    72,40
    -1,85 (-2,49%)
     
  • OURO

    1.799,00
    +1,00 (+0,06%)
     
  • BTC-USD

    16.855,90
    -128,35 (-0,76%)
     
  • CMC Crypto 200

    394,86
    -7,18 (-1,79%)
     
  • S&P500

    3.933,92
    -7,34 (-0,19%)
     
  • DOW JONES

    33.597,92
    +1,58 (+0,00%)
     
  • FTSE

    7.489,19
    -32,20 (-0,43%)
     
  • HANG SENG

    18.814,82
    -626,36 (-3,22%)
     
  • NIKKEI

    27.686,40
    -199,47 (-0,72%)
     
  • NASDAQ

    11.498,75
    -67,25 (-0,58%)
     
  • BATS 1000 Index

    0,0000
    0,0000 (0,00%)
     
  • EURO/R$

    5,4664
    -0,0123 (-0,22%)
     

Brasil terá responsabilidade fiscal 'sem atender tudo que sistema financeiro quer', diz Lula

Lula sentado em sala, olhando para o lado e sorrindo
Após participar da COP27 no Egito, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Portugal

O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou nesta sexta-feira (18/11) que o Brasil terá responsabilidade fiscal "sem precisar atender tudo que o sistema financeiro quer".

"Fui eleito para cuidar de 215 milhões de brasileiros e, sobretudo, das pessoas mais necessitadas, e eu já dei demonstrações de que responsabilidade fiscal a gente aprende dentro de casa. Eu aprendi com minha mãe e tive responsabilidade fiscal".

Lula disse que "não há razão para esse medo, essa flutuação da bolsa" e que é preciso tomar cuidado "para não ser vítima de especulação".

O presidente eleito falou com a imprensa no Palácio de São Bento, em Lisboa, acompanhado do primeiro-ministro de Portugal, António Costa. Antes, o petista se reuniu com o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa.

Em resposta a reações do mercado financeiro sobre suas declarações, Lula disse que às vezes "aparece nervosismo na bolsa que não há explicação de ser". Ele relembrou resultados da economia durante seu governo e disse: "Ninguém tem autoridade para falar em política fiscal comigo, porque durante todo meu período de governo, eu fui o único país do G20 que fiz superávit primário durante todos os oito anos do meu mandato".

Depois de dizer que já deu demonstrações de preocupação com a responsabilidade fiscal, o presidente eleito disse: "Se a gente tiver que fazer uma dívida para construir um ativo novo, que a gente faça com responsabilidade para o país voltar a crescer".

Lula e António Costa sorrindo e prestes a apertarem as mãos, na frente de bandeiras
Lula e o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, se encontraram no Palácio de São Bento, em Lisboa

Questionado sobre a carta dos economistas Armínio Fraga, Edmar Bacha e Pedro Malan publicada pela Folha de S.Paulo, Lula disse que ainda não leu o texto, mas emendou: "Sou um cara muito humilde e gosto de conselho, e se o conselho for bom, pode ter certeza que eu sigo".

No texto, os economistas afirmam que não dá para conviver com tanta pobreza, desigualdade e fome no Brasil, mas que "o desafio é tomar providências que não criem problemas maiores do que os que queremos resolver". Afirmam, ainda, que "a alta do dólar e a queda da Bolsa não são produto da ação de um grupo de especuladores mal-intencionados" e que "a responsabilidade fiscal não é um obstáculo ao nobre anseio de responsabilidade social, para já ou o quanto antes".

'Bolsonaristas raivosos'

O presidente eleito mencionou preocupação com segurança e falou em "bolsonaristas raivosos" após ser questionado sobre a carona que pegou, para chegar ao Egito, no jato do empresário José Seripieri Filho, fundador da Qualicorp e dono da QSaúde. O empresário chegou a ser preso em 2020 em operação que investigava supostas irregularidades na campanha de José Serra (PSDB-SP) ao Senado, em 2014. As suspeitas acabaram sendo descartadas.

"É importante lembrar que um presidente eleito tem que cuidar de sua segurança, sobretudo num país em que você tem bolsonaristas raivosos se espalhando pelo mundo afora."

Antes, Lula disse que nem o governo do Egito nem os governadores que o convidaram para participar da COP27 poderiam bancar a despesa da viagem. "Eu tinha um amigo que queria ir na COP e tinha um avião, e eu fui com ele".

O petista criticou, ainda, o atual governo por não oferecer um transporte oficial.

"Se o Estado brasileiro fosse democrático e a gente tivesse um presidente responsável, quem sabe ele tivesse oferecido um avião da FAB pra me levar. Mas não ofereceu, paciência."

Em outro momento da fala, Lula criticou ataques a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em Nova York, nos Estados Unidos.

"Não posso achar que isso faz parte da democracia", disse. "A democracia exige que as pessoas tenham limites."

Transição de governo

Em relação aos trabalhos da transição de governo, Lula foi questionado sobre a "demora" na criação de um grupo de trabalho sobre a área de Defesa.

"As coisas são criadas de acordo com o tempo necessário. Estou voltando ao Brasil amanhã, a partir de segunda, terça-feira eu vou assumir a minha tarefa de coordenação geral. Vou tentar trabalhar a ideia de começar a montar governo e criar grupo de transição que falta ser criado."

Lula disse, ainda, que "nunca teve problema em conviver com as Forças Armadas brasileiras".

Mais cedo nesta sexta-feira, o coordenador técnico da equipe de transição de governo, Aloizio Mercadante (PT), afirmou que o ministro da Defesa do futuro governo Lula será um civil.

'Não foi o mundo que isolou o Brasil, foi o Brasil que se isolou'

Lula caminha perto de carro e de seguranças e faz gesto de abrir os braços
Imprensa portuguesa destacou que volta de Lula ao poder representa retomada nas relações entre Brasil e Portugal

Na declaração que fez à imprensa brasileira e portuguesa, Lula repetiu falas sobre o meio ambiente que fez durante a COP27, no Egito, e aproveitou para criticar a política externa do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).

O presidente eleito disse que fazia quatro anos que o Brasil "estava totalmente isolado do mundo".

"Não foi o mundo que isolou o Brasil, foi o Brasil que se isolou", afirmou Lula, acrescentando que o atual presidente "fazia questão de não conversar com ninguém".

O primeiro-ministro português, que havia declarado apoio a Lula antes do segundo turno, destacou que o presidente eleito do Brasil escolheu Portugal como sua primeira viagem bilateral depois de eleito.

"O mundo tinha muita saudade do Brasil", disse.

Em outubro, António Costa divulgou vídeo em apoio a Lula nas redes sociais, no qual o primeiro-ministro português disse ter "muita saudade das relações de amizade entre Portugal e Brasil". Na gravação, Costa diz que estava se posicionando como secretário-geral do Partido Socialista de Portugal.

Ao noticiar a previsão de visita de Lula a Portugal, a imprensa portuguesa destacou que Bolsonaro nunca esteve no país enquanto presidente e que, no Brasil, cancelou um encontro em julho com Marcelo Rebelo de Sousa porque o português encontraria Lula.

O jornal Expresso escreveu que a visita de Lula "marca uma nova etapa das relações luso-brasileiras, que tinham sido objeto de um distanciamento institucional durante a Presidência de Jair Bolsonaro". O jornal Público disse que há "carga simbólica" na visita de Lula "por decorrer no ano do bicentenário da independência brasileira e por acontecer meses depois de Bolsonaro ter rejeitado receber o chefe de Estado português".

A visita do presidente português ao Brasil no 7 de setembro deste ano, que marcou o bicentenário, também foi lembrada. Ex-embaixadores apontaram que faltou atenção de Bolsonaro com o presidente português — o dono da Havan, Luciano Hang, chegou a ficar posicionado entre os presidentes brasileiro e português no evento oficial do 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63686129