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Brasil tem superávit em conta corrente de US$ 1,3 bi em maio, abaixo do esperado

Alex Ribeiro e Estevão Taiar

BC estimava superávit de US$ 3,1 bi; IDP soma US$ 2,552 bi, acima da estimativa da autoridade monetária de US$ 1,5 bi O Brasil registrou um superávit em suas transações correntes de US$ 1,326 bilhão em maio, conforme divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC). A autoridade monetária estimava superávit de US$ 3,1 bilhões. No mesmo mês de 2019, o saldo da conta corrente foi negativo em US$ 1,385 bilhão.

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No ano até maio, por sua vez, houve déficit de US$ 11,334 bilhões, ante déficit de US$ 18,338 bilhões no mesmo período de 2019.

No acumulado de 12 meses, a diferença entre o que o país gastou e o que recebeu nas transações internacionais relativas a comércio, rendas e transferências unilaterais alcançou um saldo negativo de US$ 42,447 bilhões, o equivalente a 2,54% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pela autoridade monetária. Em abril, o déficit foi equivalente a 2,63% do PIB.

A projeção do BC para 2020 é de déficit de US$ 41 bilhões, ou 2,5% do PIB, segundo o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado em março. Amanhã o BC apresenta o RTI do segundo trimestre do ano com novas estimativas.

O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 2,552 bilhões em maio, segundo o BC. A estimativa da autoridade monetária era de ingresso de US$ 1,5 bilhão.

Em maio do ano passado, por sua vez, o IDP tinha somado US$ 8,264 bilhões.

Fazem parte do IDP os recursos destinados à participação no capital e os empréstimos diretos concedidos por matrizes de empresas multinacionais às suas filiais no país e vice-versa. O retorno de investimento brasileiro no exterior também integra essas estatísticas.

No acumulado do ano até maio, o IDP ficou em US$ 20,595 bilhões, contra US$ 31,659 bilhões no mesmo período de 2019.

Nos 12 meses encerrados em maio, somou US$ 67,495 bilhões, ou 4,04% do PIB, contra 4,27% do PIB vistos até abril. Ainda assim, o montante é mais do que suficiente para cobrir o déficit em conta corrente de 2,54% do produto nos 12 meses.

A projeção do BC para 2020 é que o IDP fique em US$ 60 bilhões (5,6% do PIB), segundo o RTI divulgado em março.

Saída de investimento estrangeiro em carteira desacelera

Os investimentos estrangeiros em carteira apresentaram saída líquida de US$ 1,550 bilhão em maio, após saída de US$ 8,038 bilhões em abril, segundo o BC. Em maio do ano passado, por sua vez, saíram US$ 2,450 bilhões.

No mercado de renda fixa, entraram liquidamente US$ 93,85 bilhões no quinto mês de 2020. Considerando apenas as negociações no país nesse segmento, o resultado foi negativo em US$ 545 bilhões.

O fluxo de investimentos estrangeiros em ações via bolsas de valores resultou em saída de US$ 1,709 bilhão no mês, considerando tanto aplicações via bolsa brasileira quanto via Bolsa de Nova York.

Para 2020, a estimativa do BC é que os investimentos estrangeiros em carteira fiquem positivos em US$ 5 bilhões, segundo o RTI divulgado em março.

Remessa líquida em queda

As empresas remeteram liquidamente US$ 32 milhões em lucros e dividendos para o exterior em maio, de acordo com o BC. Em maio de 2019, por sua vez, a remessa foi de US$ 2,241 bilhões. No acumulado do ano, a remessa está em US$ 6,175 bilhões, contra US$ 13,044 bilhões no mesmo período de 2019.

Para 2020, a estimativa do BC é de remessa líquida de US$ 25 bilhões, segundo o RTI divulgado em março.

Gasto de brasileiro no exterior segue em baixa

Os brasileiros gastaram em viagens internacionais US$ 200 milhões em maio, contra US$ 1,471 bilhão no mesmo mês do ano passado do ano passado. Os estrangeiros que estiveram no país deixaram US$ 113 milhões, contra US$ 418 milhões em maio de 2019. Assim, houve um déficit na conta de viagens de US$ 87 milhões em maio de 2020, contra US$ 1,053 bilhão um ano antes.

Para 2020, a estimativa do BC é de US$ 7 bilhões em gastos no exterior.

Taxa de rolagem de 41%

As novas emissões de dívida externa de médio e longo prazo por empresas privadas e estatais somaram o equivalente a 41% das amortizações vencidas ao longo de maio, de acordo com o BC. Uma rolagem abaixo de 100% mostra que as novas colocações foram insuficientes para cobrir todos os pagamentos. Em maio de 2019 a taxa de rolagem havia sido de 83%.

Para empréstimos tomados diretamente, ou seja, sem emissão de títulos no mercado internacional, o BC apurou taxa de rolagem de 22% em maio (153% em maio de 2019). Para emissões envolvendo lançamento de títulos, como bônus, “notes” e “commercial papers”, o percentual foi de 294% no mês passado (1% em maio de 2019).

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