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Brasil tem dois dispositivos digitais por habitante, diz FGV

Gustavo Brigatto

Segundo levantamento número de computadores, notebooks, tablets e smartphones em uso no Brasil chegou a 424 milhões O número de computadores, notebooks, tablets e smartphones em uso no Brasil chegou a 424 milhões, ou dois dispositivos por habitante, segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP). A base ativa é composta principalmente por smartphones, que representam 56% do total.

O crescimento em relação a 2019 não foi tão forte – eram 420 milhões ano passado — porque as compras de equipamentos no país estão mais em ritmo de substituição de aparelhos antigos do que na compra por novos usuários, segundo o professor Fernando Meirelles, responsável pela pesquisa. O país já tem nove computadores e um smartphone para cada habitante.

Mesmo em relação à troca de equipamentos, o professor disse que o número não foi tanto quanto era esperado. “Eu achava que haveria um crescimento maior na venda de equipamentos, mas não foi tanto. O aumento foi em acessórios, como monitores, [com pessoas equipando seus escritórios em casa]”, disse em evento on-line, na manhã desta quinta-feira (4). A pesquisa feita por Meirelles, tradicionalmente divulgada em um evento em abril, foi liberada só agora por conta da pandemia.

O levantamento, que chegou à sua 31ª edição este ano, mostra que o percentual de investimento e gastos das empresas brasileiras em tecnologia em relação à receita, em 2019, chegou a 8%, um leve aumento em relação à pesquisa anterior (7,9%). A média equivale ao tamanho dos setores de tecnologia e comunicação (TIC) na economia e varia entre diferentes segmentos, chegando a 15,7% entre os bancos, 11,4% em serviços e caindo para 6,7% em saúde.

O custo anual por usuário chegou a R$ 52 mil, contra R$ 46,8 mil em 2018. Na divisão por setores, os valores sobem para R$ 60 mil em serviços e caem para R$ 48 mil na indústria e R$ 33 mil no comércio. De acordo com Meirelles, os gastos com tecnologia não se beneficiam do ganho de escala e tendem a aumentar quanto maior for a empresa.

Efeito home office

Segundo o professor, a tendência é que para 2020 o volume de recursos direcionados a tecnologia aumente como efeito da necessidade de colocar funcionários trabalhando de casa e também de criar ou aprimorar operações no mundo digital.

De acordo com ele, é difícil precisar o impacto, mas algumas mudanças que estão sendo aceleradas neste momento serão permanentes. O professor se usou como exemplo ao dizer que, apesar de escrever, estudar e dar aulas sobre ensino a distância há muito tempo, aprendeu muito sobre o assunto nos últimos meses, porque passou a usar muito mais a ferramenta.

“Estou morrendo de saudades de dar aula presencial. Nada substitui o presencial. Mas tenho certeza que uns 20% a 30% de qualquer curso terá que ser mais on-line”, disse.