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Bolsonaro é pessoalmente responsável pela atenção negativa que Brasil recebe, diz presidente de consultoria internacional

Mariana Sanches - @mariana_sanches - Da BBC News Brasil em Washington

"Bolsonaro é o pior presidente democraticamente eleito a lidar com a crise do coronavírus". A opinião não é de um oposicionista ao governo do mandatário brasileiro, mas de Ian Bremmer, 50 anos, cientista político americano formado em política internacional. Autor do best-seller Nós versus Eles: o fracasso do globalismo, Bremmer é fundador da consultoria Eurasia Group — com escritórios nos Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Cingapura e Brasil — e cujo trabalho é fazer análise política de risco para alguns dos maiores investidores do mundo.

Segundo Bremmer, "Bolsonaro é pessoalmente responsável pela atenção internacional negativa que o país tem recebido". Em entrevista à BBC News Brasil, no entanto, ele descarta que o país tenha se tornado "um pária internacional" por causa disso. "Não acho que alguém deva mudar toda a sua visão do Brasil a longo prazo por causa de um presidente que pode não ser reconduzido na próxima eleição".

Bremmer, que ficou órfão de pai aos quatro anos e teve uma infância pobre em conjuntos habitacionais na região metropolitana de Boston, Massachusetts, analisa a situação atual do Brasil, as eleições presidenciais americanas em novembro, a possível guerra fria entre China e Estados Unidos e a nova ordem global, que tem retirado dos organismos multilaterais importância para mediar a relação entre diferentes países.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

BBC News Brasil - Nas últimas semanas e meses, o Brasil viu uma avalanche de críticas de veículos e analistas internacionais. Só para citar dois exemplos, o colunista de relações internacionais do Financial Times disse que "o populismo de Jair Bolsonaro está levando o país ao desastre" e o Telegraph diz que o presidente "quebrou o Brasil". Você diria que o país agora é visto como um pária internacional?

Ian Bremmer - Não, não. O Brasil não é visto como um pária internacional. As pessoas ainda estão fazendo negócios com o Brasil. É um grande mercado emergente, é a maior economia da América do Sul. É uma democracia em funcionamento, embora tenha um presidente que administrou mal a crise do coronavírus e levou o Brasil a ser o novo epicentro do surto, e que tem um conjunto cada vez maior de escândalos de corrupção contra si e sua família, poucos anos depois de o país passar pelo turbilhão da Operação Lava Jato.

Claramente o Brasil está com desempenho significativamente abaixo do que poderia ter, dadas todas as vantagens da demografia extraordinária, com uma classe média emergente, da incrível biodiversidade, da produção de commodities e dos recursos naturais disponíveis. O Brasil é um país que você esperaria ver se saindo bem. E agora o país não está indo bem. E o presidente do Brasil é um grande motivo para isso.

BBC News Brasil - Bolsonaro é hoje a principal razão para o mal-estar internacional com o Brasil?

Bremmer - É certamente uma das principais razões. O presidente Bolsonaro é um personagem incrivelmente divisivo. As coisas que ele diz no Brasil normalmente não seriam grande notícia internacional. Seria talvez controverso dentro do próprio Brasil, mas, no contexto em que estamos, algumas das coisas que ele disse são enormemente polêmicas e controversas.

Toda a questão dos testes pessoais (de Bolsonaro) para coronavírus, depois que o filho dele (Eduardo Bolsonaro) falou com a Fox News e disse que ele estava com coronavírus, o que depois ele negou, ou quando ele fala sobre a cloroquina e o modo como ele promoveu isso como um remédio, a recusa em implementar o distanciamento social, sua participação em manifestações populares, o fato de ter demitido seu popular ministro de saúde (Luiz Henrique Mandetta) e então, algumas semanas depois, outro ministro da saúde pedir demissão (Nelson Teich).

Mesmo quando você o compara com o presidente Trump, que é controverso ao máximo nos Estados Unidos, é preciso admitir que Bolsonaro é pior, e isso não é pouca coisa. Então, eu acho que o presidente brasileiro é pessoalmente responsável por grande parte do foco internacional negativo que o Brasil está recebendo. E isso se torna um desafio para o país.

Veja, acaba de haver uma votação na Holanda que foi contrária a acordo comercial entre União Europeia e Mercosul (que levou 20 anos pra ser negociado e foi anunciando em 2019). Por quê? Por causa de Bolsonaro e sua má gestão do desmatamento e do clima. E isso foi muito antes do coronavírus.

Um dos motivos pelos quais ele foi eleito é que ele é um outsider, um antiestablishment e um político de orientação populista. Ele diz o que pensa e usa obscenidades para isso. Todas essas coisas o tornam muito popular entre sua base no Brasil, que ainda é bastante significativa, mesmo que ele tenha perdido muita popularidade nos últimos dois meses. Ele se tornou motivo de escárnio internacional e muitos líderes mundiais o chamam de 'Trump dos trópicos', um título que ele talvez pessoalmente goste, mas que garanto que não o ajuda a negociar com a maioria dos líderes mundiais hoje.

BBC News Brasil - Você aconselha alguns dos maiores e mais importantes investidores do mundo. O que você diria hoje para eles sobre colocar seu dinheiro no Brasil?

Bremmer - Quando montamos nossos dois primeiros escritórios baseados em países em desenvolvimento, os instalamos no Brasil e fizemos isso porque, no Brasil, a longo prazo, há um grande população com tendências demográficas muito promissoras. O país possui uma classe média relevante, tem boa educação, o custo do trabalho é comparativamente barato e há um forte sistema bancário e boa cultura empresarial. Um ótimo nível internacional, além de ser um lugar interessante para se estar, com uma cultura e uma sociedade maravilhosas. Então, o que quero dizer é que existem muitas razões para entrar no Brasil.

E se pensarmos a longo prazo no mundo, Bolsonaro pode dizer que ele não vai obedecer o Supremo Tribunal Federal, mas o fato é que você tem um Judiciário independente no Brasil, um Congresso independente, com partidos políticos que não são subservientes ao presidente brasileiro.

Assim, da mesma maneira que Trump diz ou tuita coisas que não se tornam políticas públicas reais, o mesmo acontece com Bolsonaro. Portanto, não acho que alguém deva mudar toda a sua visão do Brasil a longo prazo por causa de um presidente eleito democraticamente que pode não ser reconduzido na próxima eleição.

Mas existe uma crise no momento que é ao mesmo tempo econômica e sanitária e o governo brasileiro está respondendo muito mal exatamente por causa da liderança. E isso é um problema no curto prazo, digamos, nos próximos um ou dois anos, porque essa crise estará conosco por mais alguns anos até que tenhamos uma vacina que seja fabricada e distribuída globalmente. Então podemos esperar um desempenho consideravelmente ruim do Brasil por enquanto.

Para Bremmer, a falta de credibilidade nos dados brasileiros de covid-19 mostram que Bolsonaro é incapaz de lidar com a crise

BBC News Brasil - Você vê a real possibilidade de um boicote aos produtos brasileiros no exterior devido à insatisfação com o manejo da pandemia ou com o tratamento dado pelo governo brasileiro ao meio ambiente?

Bremmer - Eu ficaria muito surpreso se isso acontecesse. No ambiente internacional, o denominador comum sobre coisas como direitos humanos está diminuindo. Há menos liderança global, há menos coordenação multilateral. Certamente há exceções, como a Alemanha da (chanceler Angela) Merkel ou a França do (presidente Emmanuel) Macron. Mas estamos enfrentando a maior contração global da economia das nossas vidas. E lidando com uma pandemia global, que vai acabar matando milhões de pessoas. Não acho que, nessas circunstâncias, os países estejam facilmente dispostos a se envolver em boicotes a bens produzidos por democracias. Não mesmo.

Então eu não exageraria o fato de Bolsonaro ofender muita gente internacional e domesticamente a ponto de dizer que o Brasil se tornou um pária. O Brasil não é um pária. Assim como os Estados Unidos não são um pária por causa do Trump. Sabemos que nem (o primeiro ministro canadense) Justin Trudeau, nem (o presidente mexicano) Lopez Obrador gostam de Trump, mas eles foram capazes de fazer um novo acordo comercial juntos porque os Estados Unidos são a economia mais importante do mundo.

E lógica parecida serve para o Brasil, a maior economia da América do Sul. É um lugar atraente para o longo prazo por muitas e muitas razões que não desaparecem com o que está acontecendo no presente. Existem desafios profundos no Brasil, mas também há muitas oportunidades a longo prazo.

BBC News Brasil - Na última sexta-feira, o governo Bolsonaro deixou de publicar o acumulado de mortes e casos por covid-19 e anunciou que poderia inclusive recontar as mortes, diante de números considerados "fantasiosos".

Bremmer - Isso só mostra que Bolsonaro é de longe o presidente eleito democraticamente mais incapaz de responder à crise do coronavírus.

BBC News Brasil - O governo de Bolsonaro tem ampla inspiração no presidente americano, Donald Trump, e investiu pesadamente em se aproximar da Casa Branca. Como você avalia essa abordagem e qual é a chance hoje de haver um acordo de livre comércio entre os dois países em breve?

Bremmer - É difícil imaginar algo sendo feito nesse ambiente político antes da eleição. Certamente há interesse entre os dois países e vimos isso como um desejo (dos dois presidentes), mas o processo é muito, muito lento. Trump definitivamente gosta de Bolsonaro, está feliz de tê-lo a seu lado no palco internacional, mas Trump é fundamentalmente unilateralista, ele é 'América First' ('Estados Unidos primeiro', slogan de Trump) e o Brasil não faz parte disso. Portanto, este é um ambiente em que é mais difícil realizar a cooperação internacional, independentemente dessa boa relação.

Para Bremmer, Trump gosta de ter Bolsonaro a seu lado no palco internacional, mas Trump é fundamentalmente unilateralista

BBC News Brasil - No Brasil, o governo tenta vender que a aproximação com Trump é um sinal da importância do país. Afinal, qual a relevância do Brasil para os Estados Unidos?

Bremmer - O Brasil não é assunto constante no noticiário. Os Estados Unidos estão enfrentando um desemprego de dois dígitos, mais de cem mil mortos em uma pandemia, protestos súbitos por questões raciais em todo o país no momento. A maioria dos americanos não tem ideia de que você tem os mesmos problemas de desigualdade racial no Brasil, a maioria dos americanos não tem ideia de que o Brasil é o epicentro do coronavírus. E na classe política, o foco está muito mais na China, na Europa, ou no México e no Canadá.

O Brasil não é uma área de preocupação de segurança nacional, a relação econômica é bastante consistente. E mesmo quando está na ordem do dia, como quando surgiram os problemas na Amazônia (no ano passado), o americano médio não prestou tanta atenção a isso. Não dá pra dizer que o Brasil é uma prioridade.

BBC News Brasil - Os Estados Unidos hoje enfrentam a epidemia mais mortal desde a gripe espanhola, a pior recessão desde 1929 e a maior onda de protestos populares desde 1968. Como você vê o desempenho do presidente Trump em cada uma dessas frentes?

Bremmer - Trump é divisivo e sua base, de 35% a 43% dos americanos, o apoia, não importa o que ele faça. Então, se você olhar para o lado econômico, os Estados Unidos tiveram uma resposta econômica muito rápida e robusta, e as ações do FED (Federal Reserve, o Banco Central americano) têm sido incrivelmente fortes e todos apoiam Jerome Powell (o presidente do FED), nomeado por Trump. Eu acho que ele está fazendo um ótimo trabalho de forma consistente com os republicanos e os democratas, com (o secretário do Tesouro americano Steven) Mnuchin e (com a democrata presidente da House of Representatives Nancy) Pelosi, gastaram muito dinheiro quando precisava (o FED injetou US$1,5 trilhão em socorro à economia na crise do coronavírus). Foram benefícios desemprego, auxílio emergencial para todos, alívio para as empresas, e muito mais.

Acho que essa resposta vai diminuir agora que tivemos bons números de empregos (em maio, os Estados Unidos tiveram a criação de 2,5 milhões de empregos, revertendo a tendência de aumento no desemprego) e que estamos nos aproximando das eleições. Acho que o Congresso vai diminuir o ritmo, e isso tornará mais difícil para os EUA realmente serem tão rápidos quanto as pessoas gostariam na recuperação econômica. Então tivemos de saída uma ação forte e vamos ter um enfraquecimento.

Na saúde, é exatamente o contrário, resposta inicial muito fraca, com Trump, se comportando como um líder de torcida. Ele interrompeu a viagens da China cedo e foi só. Não conseguiu testes que funcionassem no volume necessário, e não rastreou casos de contaminação. Foi muito mais fraco do que a Alemanha, a Coreia do Sul. Mas quando finalmente Trump levou o assunto a sério, ele e os governadores ao menos garantiram que os hospitais estejam funcionando bem e que a UTIs não fiquem sobrecarregadas, como aconteceu na Itália. Como perdemos a chance de agir cedo, muito mais pessoas morreram em consequência.

Mas você sabe, agora que estamos com três meses de quarentena, você está começando a ver os americanos responderem com muito mais eficácia. Agora, nas questões raciais, é aí que Trump realmente falhou. Os incidentes de organizações supremacistas brancas aumentaram muito nos últimos três anos. O país se sente muito mais dividido do que antes. Os republicanos estão todos do lado de Trump, os democratas todos não o suportam. E a resposta de Trump ao descontentamento com a questão racial é usar o Exército, obviamente um recurso antidemocrático. Ele só se preocupa com sua própria imagem e não se importa com pessoas que não votam nele. E isso é um problema sério para um líder em tempos de crise doméstica. Então é aí que ele realmente está falhando.

BBC News Brasil - Qual é o possível impacto dos protestos na eleição presidencial que acontecerá em cinco meses?

Bremmer - Não há dúvida de que os índices de aprovação dele seguem inabaláveis. Ele está com 42% de aprovação no momento. E ele estava com 42% quando o desemprego estava em um nível recorde. E com 42% quando a economia estava crescendo e não havia mortes por coronavírus. Então isso ficou constante. E o fato de o general (James) Mattis (ex-secretário de defesa de Trump que o acusou de atacar a Constituição americana) ter dito coisas ruins sobre ele é sem precedentes, é lamentável, mas o país está tão dividido que isso não está afetando a popularidade de Trump.

Por outro lado, há números bons de emprego agora, o que surpreendeu a todos pela rapidez na recuperação. Eu não acho que isso signifique que a economia dos Estados Unidos voltará ao normal tão cedo, mas Trump fez uma volta olímpica com isso. Isso realmente vai ajudar Trump nas pesquisas? Provavelmente não, porque as pessoas que não gostam de Trump, continuarão não gostando dele e não há nada que Trump possa fazer sobre isso. E o oposto também é válido.

BBC News Brasil - No caso da pandemia, o governo americano tem culpado a China pela situação. De fato, a China é hoje o principal antagonista dos EUA. Ambos os países parecem à beira de uma nova guerra fria. Que análise você faz da situação e o que isso significa para o mundo?

Bremmer - Sim, eles estão se movendo nessa direção. Certamente é lamentável. Não há confiança entre os dois países. Também não havia confiança quando Barack Obama era o presidente. Mas até então havia pelo menos interdependência econômica, o que fazia os americanos e os chineses quererem continuar trabalhando juntos porque precisávamos um do outro. Essa interdependência está desaparecendo no lado da tecnologia. Não temos acesso ao seu mercado. Eles não têm acesso ao nosso mercado. Estamos cada vez mais lutando contra eles internacionalmente em tecnologia.

E você tem Hong Kong, você tem Taiwan (dois casos em que os Estados Unidos acusam a China de suprimir direitos da população local de autodeterminação e democracia). As empresas dos Estados Unidos, que fizeram um processo de terceirização de manufaturas e serviços na China, vão se afastar cada vez mais do país. Isso significa que as economias estarão menos interligadas, menos interdependentes.

Isso levará a mais combates, mais confrontos, mesmo que (o democrata Joe) Biden seja o próximo presidente. Eu acho que isso vai acontecer. E certamente nos próximos meses essa tensão se intensificará, tanto por causa da pandemia — que Trump reputa, com certa razão, ao acobertamento dos chineses — quanto porque Trump nunca se responsabiliza por nada, então lança isso sobre os chineses. Então, quero dizer, estamos caminhando para uma guerra fria agora com os chineses. Espero que isso não aconteça, mas essa é a direção que estamos seguindo no momento.

BBC News Brasil - Trump tem enfraquecido organismos multilaterais que os próprios Estados Unidos ajudaram a construir. Qual é a estratégia por trás disso? Isso aumenta de alguma maneira o poder americano no mundo?

Bremmer - Eu não acho que enfraquecer essas instituições aumenta o poder americano. Trump já anunciou a retirada do acordo nuclear iraniano, do acordo climático de Paris, da Organização Mundial de Saúde, embora não possa sair de todos eles, ao menos não tão rápido. Portanto, há mais anúncios do que realidade, mas, ainda assim, é muito óbvio que Trump não está muito interessado em acordos multilaterais.

Esses acordos foram originalmente criados pelos Estados Unidos, então quando Trump sai, ele está reduzindo definitivamente a influência americana em todo o mundo. Eu aceito essa realidade. Mas também tenhamos em mente que as próprias instituições são mais fracas porque a ordem global mudou. Mas como os Estados Unidos têm bancos mais fortes, detém as grandes empresas de tecnologia, têm a moeda de reserva global, coisas que os aliados não têm, mesmo que essa retirada dos organismos multilaterais prejudique os Estados Unidos, o país ainda está saindo disso em uma posição melhor do que muitos de seus aliados.

BBC News Brasil - Em cinco meses, os EUA viverão eleições presidenciais. Qual é a sua aposta hoje?

Bremmer - Nesse momento cada um deles tem a mesma chance que você tem de acertar se sai cara ou coroa quando jogamos uma moeda. Quero dizer, (Joe) Biden é obviamente muito mais popular e seus índices de aprovação em todo o país são mais altos. Ele provavelmente ganhará por muitos milhões de votos no voto popular, mas isso não significa que ele ganhará os votos necessários no colégio eleitoral. Os swing-states (Estados pêndulos) estão muito mais competitivos dessa vez. O voto não é obrigatório, então motivar o eleitor a ir às urnas é importante. Só que, vamos ter em mente que haverá distanciamento social. Há muitas oportunidades para suprimir a votação nesse ambiente.

E Trump fará tudo o que puder para tentar manter o comparecimento às urnas relativamente baixo, e ele tem uma base mais entusiasta, menor do que a Biden, mas mais entusiasmada. Então ainda é muito cedo para dizer quem vai ganhar a eleição neste momento.

Em termos da diferença que faz para o país e para o mundo, obviamente, hum, as divisões nos Estados Unidos são aceleradas por Trump. Ele é o presidente mais divisivo da minha vida, mas as divisões no país já estavam expandindo até mesmo sob Obama, por razões estruturais, pelo desemprego proveniente do desenvolvimento tecnológico e do livre comércio. Temos uma desigualdade crescente nos Estados Unidos, economicamente. Temos um crescente sentimento anti-imigração. Fracassamos em retirar as pessoas da pobreza. Isso é estrutural. E não importa se o governo é Biden, é Obama, é Trump. Essas coisas estão crescendo.

Elas crescem mais rapidamente sob um presidente como Trump, e um líder abertamente populista. E, é claro, globalmente, a divisão também aumenta sob Trump, que é unilateralista na maneira como ele pensa sobre o mundo. Mas direi que acho que as questões estruturais são realmente muito maiores do que quem é o presidente americano individual. E devemos lembrar disso.

BBC News Brasil - Se Joe Biden vencer, o que isso significa para o mundo? E para o Brasil, que investiu tanto em relação com Trump?

Bremmer - Não acho que o bom sentimento entre Trump e Bolsonaro tenha ajudado muito o Brasil até agora. E acho que a abordagem multilateral que você veria de Biden em política externa seria, de diferentes formas, mais consistente e um pouco menos volátil do que temos agora.

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