Brasil tem pelo menos 17 índices de preços

Quase duas décadas depois do fim da hiperinflação, o Brasil ainda convive com pelo menos 17 indicadores de preços. Sete deles têm influência direta sobre o consumidor - corrigem desde salários e aluguéis até contas de telefone e água. Com tantos índices, a inflação no Brasil no ano passado foi de 5,8% ou de 8,1%, a depender do indicador.

Segundo os próprios economistas que chefiam as equipes que pesquisam os principais indicadores, essa profusão de taxas pode confundir o consumidor.

Praticamente todos os contratos de aluguel do País serão reajustados neste ano em cerca de 7,9%, que foi a variação do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) em 2012. No entanto, nos raros casos em que os contratos entre mutuário e inquilino são corrigidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o reajuste será menor, de 5,8%. Por outro lado, os salários, de modo geral, vão seguir outro indicador. A maior parte dos sindicatos brasileiros usa o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para negociações salariais.

Na sopa de letrinhas formada pelas diversas siglas há desde indicadores como o IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que começou a ser calculado em 1939 para estimar a alta de preços para os funcionários da prefeitura de São Paulo, até o Índice de Preços ao Produtor (IPP), criado em 2011 pelo IBGE.

Há também indicadores formados por indicadores, como o Índice Setorial de Telecomunicações (IST), criado pelo IBGE e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para corrigir a tarifa de telefonia no País. O IST é formado por uma cesta de índices, como IPCA e IGP-M.

Mas poucas instituições produzem tantos índices como a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Responsável pela "família dos IGPs", a FGV produz pelo menos oito índices mensais. Alguns, como o IGP-DI e o INCC, não só captam os preços da economia, como também produzem efeito direto sobre o mercado.

Para Eulina Nunes, coordenadora dos índices de preços do IBGE, o Brasil têm índices demais, e isso aliena as pessoas. "Até certo ponto é saudável porque isso ajuda a análise econômica. Mas quando se fala de inflação do idoso, da criança, enfim, há uma certa overdose de índices, e isso confunde." Já Salomão Quadros, coordenador dos "IGPs" da FGV, entende que a variedade de índices facilita o trabalho das diferentes esferas de governo ao direcionar políticas públicas específicas. "A inflação não é a mesma para todo mundo."

Para Rafael Costa Lima, coordenador da Fipe, é importante que a produção dos índices de inflação não fique concentrada nas mãos do setor público. "É importante que outras instituições façam pesquisas", disse Lima.

Além desses, os sindicatos em São Paulo têm um índice próprio à sua disposição. O Dieese divulga desde 1959 o Índice de Custo de Vida (ICV), que estima a variação de preços para famílias paulistas com renda de até 30 salários mínimos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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