Brasil e Rússia assinam acordos para dobrar comércio bilateral

Brasília, 20 fev (EFE).- O Brasil e a Rússia assinaram nesta quarta-feira uma série de acordos em diferentes áreas que tem como objetivo aumentar o fluxo comercial entre os dois países dos atuais US$ 5,9 bilhões para pelo menos US$ 10 bilhões nos próximos anos.

Os acordos foram assinados por ocasião da visita realizada hoje ao Brasil do primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, que se reuniu com a presidente Dilma Rousseff e com outras autoridades.

"Discutimos e chegamos a acordos em diferentes projetos que podem ampliar o comércio bilateral e elevá-lo a US$ 10 bilhões anuais", afirmou Medvedev aos jornalistas.

Entre o estipulado se destacam decisões que facilitam a importação de trigo russo por parte do Brasil e a exportação de derivados de soja e de carne suína brasileiras para a Rússia. Outro acordo prevê a possível aquisição pelas Forças Armadas brasileiras de até cinco baterias de mísseis antiaéreos russas.

"Consideramos que uma troca anual de US$ 10 bilhões corresponde ao potencial de nossos países e é uma meta que pode ser atingida nos próximos anos", afirmou Medvedev, que além de se reunir com Dilma liderou a delegação russa em uma reunião de uma comissão de alto nível na qual se discutiram acordos de cooperação bilateral.

O Brasil e a Rússia, integrantes dos Brics, que reúne as maiores economias emergentes e que também contam com a China, Índia e África do Sul, consideram que sua atual troca comercial, apesar de estar crescendo, é ínfima em relação as suas potencialidades.

O comércio entre os dois países somou no ano passado US$ 5,9 bilhões, com exportações brasileiras de US$ 3,1 bilhões e importações de US$ 2,9 bilhões, o que tornou a Rússia apenas o 19º parceiro comercial do Brasil.

Os acordos assinados foram negociados durante o Comitê de Cooperação Russo-Brasileira, uma comissão de alto nível cuja VI assembleia geral foi realizada nesta quarta-feira em Brasília sob a liderança do primeiro-ministro russo e do vice-presidente Michel Temer.

Entre os frutos da reunião, Temer citou especificamente o acordo fitossanitário que permite ao Brasil importar livremente trigo russo.

Apesar ser um dos maiores celeiros agrícolas do mundo, o Brasil precisa importar trigo para suprir sua demanda interna e adquire o grão principalmente da Argentina, Canadá e Estados Unidos, mas nos últimos anos teve que buscar novos mercados devido à queda de produção de seus abastecedores.

"Também alcançamos acordos que suavizam as restrições do passado em relação à carne suína brasileira na Rússia", afirmou Temer.

Apesar das restrições sanitárias, a Rússia foi no ano passado o segundo maior importador de carne suína brasileira, com 127.000 toneladas do produto, o que corresponde a 21,85% das exportações do Brasil.

No ano passado, as exportações brasileiras do produto somaram US$ 1,49 bilhão. O objetivo é transformar a Rússia em seu principal cliente, acima da Ucrânia, que o ano passado importou 138.700 toneladas de carne bovina.

Outro acordo assinado que pode elevar significativamente a troca comercial é a "Declaração de Intenções para a Cooperação na Defesa Antiaérea", que prevê a futura aquisição por parte do Brasil de baterias de mísseis antiaéreos russas, assim como o desenvolvimento conjunto de equipamentos bélicos.

O Brasil manifestou interesse em adquirir cinco baterias de mísseis antiaéreos russos, três do tipo Pantsir-S1 e duas do modelo Igla, mas os preços ainda estão sendo negociados.

Temer e Medvedev também mencionaram o avanço nas negociações bilaterais nas áreas de energia elétrica, energia nuclear, tecnologia espacial, petróleo e produção industrial.

O primeiro-ministro russo destacou que o Brasil e a Rússia tiveram opiniões parecidas em assuntos discutidos nos Brics e em organizações multilaterais como a ONU e o G20.

"Alcançamos consenso na maioria das posições sobre a economia internacional, o que é muito importante considerando a atual crise", afirmou.

Após sua visita ao Brasil, Medvedev viajará para Havana, onde se reunirá com o presidente cubano, Raúl Castro. EFE

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