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Brasil prevê alta de 4,3% na safra de grãos 20/21, para recorde de 268,7 mi t

Por Roberto Samora
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Máquinas durante colheita de grãos no Brasil
Máquinas durante colheita de grãos no Brasil

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - A safra total de grãos e oleaginosas do Brasil 2020/21 foi estimada nesta quinta-feira em recorde de 268,7 milhões de toneladas, aumento de 11 milhões de toneladas ou 4,3% ante 2019/20, com impulso de grandes colheitas esperadas de soja e milho, principalmente, apontou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No momento em que o plantio dessas safras está em fase inicial na maioria dos Estados, em meio a preços elevados decorrentes da forte demanda e um câmbio que estimula exportações, a Conab citou um crescimento na produtividade esperada, já que projeta alta de apenas 1,3% na área plantada na comparação com a safra anterior, para 66,8 milhões de hectares.

A Conab lembrou que o aumento maior na produção do que na área ocorre na expectativa de uma recuperação nas produtividade do Rio Grande do Sul, cujas lavouras foram "severamente prejudicadas pela estiagem na última safra, além da expectativa de melhores rendimentos para o milho segunda safra na região Centro-Sul".

A melhor produtividade ocorre apesar de a companhia considerar que o La Niña está estabelecido. Especialistas, contudo, dizem que o fenômeno tem baixa intensidade neste momento, o que limitaria danos às lavouras por eventuais estiagens, principalmente no Sul.

Além de uma nova safra recorde de soja, cuja estimativa de 133,7 milhões de toneladas ficou acima das expectativas de uma pesquisa realizada pela Reuters, a safra de milho do país foi estimada em históricas 105,2 milhões de toneladas, ante 102,5 milhões de toneladas em 2019/20.

A projeção para o milho se baseia na forte demanda, com um consumo doméstico projetado em 71,8 milhões de toneladas, aumento de 4,6%.

"Esse crescimento de consumo doméstico se deve ao bom desempenho esperado para o setor de proteína animal brasileira no mercado exportador para 2021", disse.

Diante disso, importações também serão necessárias, com a Conab mantendo um volume de 900 mil toneladas para a safra 2020/21, assim como o esperado para 2019/20.

"É importante destacar que a Conab se mantém atenta ao cenário nacional de abastecimento de milho e as probabilidades de realizar ajustes no volume total a ser importado do grão devido a deficiências logísticas regionais", continuou.

O estoque final de milho esperado para a safra 2020/21 deverá ser de 9,7 milhões de toneladas, queda de 7,2% em relação ao período anterior.

Apesar disso, em fevereiro de 2022 o Brasil deverá ter milho suficiente para atender a demanda total por um período de aproximadamente 1,6 meses, disse a estatal.

Para 2019/20, a Conab estimou a exportação de milho em 34,5 milhões de toneladas, enquanto vê embarques de 35 milhões em 2020/21, abaixo do recorde histórico de 2018/19, de 41 milhões de toneladas.

OUTROS PRODUTOS

No caso do arroz, outro produto que tem registrado recordes de preços, assim como a soja, a Conab projeta um crescimento de 1,6% na área plantada, com um produção estimada em 10,9 milhões de toneladas, queda de 2,7% na comparação anual, com a estatal esperando menores produtividades.

Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de arroz em 2020/21 deverão se manter acima de 1 milhão de toneladas, mas no caso dos embarques para o exterior terão recuo de 400 mil toneladas na nova safra ante o ciclo anterior.

No caso do algodão, a Conab projeta redução de 3% na área plantada, para 1,6 milhão de hectares, e produção ficando em 2,8 milhões de toneladas, com o mercado da pluma sendo impactado pela pandemia.

Na safra anterior, a produção somou um recorde de 3 milhões de toneladas.

(Por Roberto Samora; edição de Luciano Costa)