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Brasil precisa de flexibilidade em suprimento de energia elétrica, diz ONS

Gabriela Ruddy e Letícia Fucuchima
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Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema, a redução da demanda de energia na pandemia mostrou que o país precisa que a geração elétrica realize ajustes O Brasil precisa de maior flexibilidade no suprimento de energia elétrica, afirmou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase) na manhã desta quarta-feira (30). De acordo com o executivo, a redução da demanda de energia durante a pandemia de covid-19 demonstrou que o país precisa que a geração elétrica realize ajustes, para acompanhar melhor a demanda. A maior queda mensal deste ano foi registrada em abril, quando a carga nacional mensal chegou a ser 11,6% menor na comparação anual. “Na visão do ONS, neste momento não precisamos tanto de potência, mas precisamos de bastante flexibilidade", explicou. Ciocchi mencionou como possíveis fontes de flexibilidade as usinas hidrelétricas, pequenas centrais elétricas e termelétricas a gás. Ele citou a possibilidade de uso de biogás. “O sistema interligado é um patrimônio do sistema elétrico brasileiro. Podemos ter recursos espalhados pelo território nacional buscando atingir essa flexibilidade. Nossa matriz é diversa e deve continuar assim”, acrescentou. De acordo com o presidente do conselho de administração da CCEE, Rui Altieri, o país passa por um momento crucial para aperfeiçoar a matriz energética. O Brasil tem um conjunto de termelétricas a óleo, combustível que será descontratado a partir de 2023. “Não vamos recontratar térmicas ineficientes e ambientalmente inadequadas. Essa térmicas cumpriram seu papel, vamos honrar os contratos até o final, mas depois disso não podemos recontratá-las da maneira que estão contratadas hoje”, acrescentou. A expectativa era de que os contratos fossem substituídos nos leilões A-4 e A-5 para térmicas existentes ou novas a gás natural e carvão, previstos para abril deste ano, mas as concorrências foram suspensas devido à crise causada pela pandemia. A expectativa é que os leilões sejam reagendados para 2021. Segundo ainda Ciocchi, o Brasil tem garantia de fornecimento de energia elétrica e potência pelo menos até 2025. Mesmo assim, o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema não descartou a possibilidade de haver espaço para novos leilões de potência ou energia, dependendo da evolução da demanda. Período seco O Brasil deve encerrar o período seco do ano com o nível dos reservatórios de hidrelétricas acima do mesmo período do ano passado, afirmou o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema. O país já está na transição para o período mais úmido e a expectativa é que não ocorram atrasos no começo das chuvas. Ainda assim, Ciocchi afirma que ainda há pontos de atenção. "Não é a situação ideal, os reservatórios ainda sofrem com a estiagem nos últimos anos. Para os reservatórios do Sudeste, estamos com operação bastante cautelosa, principalmente da Bacia do Rio Grande”, explicou. Queimadas As queimadas próximas a grandes linhas de transmissão são uma preocupação para o ONS, afirmou o diretor-geral do órgão, na coletiva de imprensa após o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase). “É uma preocupação recorrente todo ano. [Este ano] está numa normalidade ruim”, acrescentou, ao ser perguntado sobre o crescimento das ocorrências na região do Pantanal nas últimas semanas. O executivo destacou a necessidade de ampliar as ações de conscientização da população sobre o assunto. “Quase todo incêndio tem uma causa humana, como um resto de cigarro ou uma fogueira feita inadvertidamente”, exemplificou.