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Brasil pode tirar vantagens do atraso no leilão 5G, diz presidente da TIM

Rafael Bitencourt
·3 minutos de leitura

Executivos de telecomunicações destacam possibilidade de aproveitar o modelo de redes abertas que permite a contratação de equipamentos de diferentes fabricantes O presidente da TIM Brasil, Pietro Labriola, disse hoje que o Brasil pode tirar vantagens do atraso do leilão de licenças da quinta geração de telefonia celular (5G). Durante o evento Painel Telebrasil 2020, o executivo explicou que isso pode ocorrer se o país conseguir aproveitar a evolução mais recente do novo padrão tecnológico, com o conceito “OpenRAN” — modelo de redes abertas, que permite a contratação de equipamentos de diferentes fabricantes. Durante o evento, Labriola defendeu que a percepção dos clientes sobre a qualidade do serviço evoluiu na pandemia. Para ele, o setor deve estar preparado para dar respostas a este comportamento. “Precisamos nos aproximar dos clientes” e ressaltou a necessidade de aperfeiçoar a interação com os usuários finais. Para o presidente da TIM Brasil, Pietro Labriola, chegada do 5G exigirá amadurecimento das operadoras Maira Vieira/Valor O presidente da TIM considera que o novo momento do setor, que será marcado pela chegada do padrão 5G, exigirá que as operadoras amadureçam o modelo de competição entre si e de cooperação com outros setores. Labriola disse que o setor tem dificuldade de prever “como fazer dinheiro” com a nova tecnologia. Ele explicou que grande parte dos novos produtos que surgirão no mercado terá o preço definido pelas empresas que vão contratar a conexão das operadoras. Labriola mencionou alguns exemplos dos novos modelos de negócios que surgirão, tais como a venda de um tênis conectado, uma cirurgia à distância ou um carro autônomo. “Isso não depende da nossa operadora de telecom, porque é a Flávia [Bittencourt, CEO da Adidas do Brasil, presente no evento] que vai fazer o modelo, que vai cobrar pelo tênis", disse. O principal executivo da TIM no Brasil relatou que essa preocupação não existia na evolução dos padrões anteriores, como a substituição do 3G pelo 4G. Segundo ele, isso gera grande incerteza sobre o custo justo de aquisição das licenças 5G, que será definido no leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O presidente da Nokia do Brasil, Luiz Tonisi, disse que o 5G tem o potencial de adicionar US$ 1,2 trilhão à economia brasileira até 2035, com acréscimo de 1,1 ponto percentual ao PIB nacional. Tonisi reforçou a possibilidade de impulsionar o mercado 5G com o uso do modelo OpenRAN, que permite à operadora reduzir custos e contratação de equipamentos. “Nós também, da Nokia, acreditamos numa rede aberta, que seja agnóstica, que seja para todos”, afirmou. Para o executivo, o OpenRAN, conceito que é discutido pelo setor em todo o mundo, trará a vantagem de poder estruturar uma rede dedicada ao padrão 5G, com alto nível de confiabilidade. Automação industrial Ao discutir sobre as diversas possibilidades de aplicação do padrão 5G, o presidente da Siemens do Brasil, Pablo Fava, disse hoje que “tudo depende mais da imaginação do que da tecnologia”. O executivo ressaltou que a quinta geração da telefonia celular provocará mudança “muito radical” na área de automação industrial. Um dos exemplos citados por Fava é conferir a robôs a atribuição de automação, com sistemas de comunicação em tempo real e de inteligência artificial. “O 5G vai ser habilitador de muitas novidades”, disse.