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Brasil perde uma posição em ranking de competitividade

·3 minuto de leitura

SÃO PAULO — Após registrar avanços por quatro anos seguidos, o Brasil perdeu uma posição no ranking da edição 2021 do Anuário de Competitividade Mundial (WCY, na sigla em inglês) elaborado pelo instituto suíço International Institute for Management Development (IMD), com a participação, no Brasil, da Fundação Dom Cabral (FDC). Em um ano com grandes mudanças de posições na lista por causa da pandemia, o Brasil aparece na 57ª posição entre 64 países.

A Suíça subiu duas posições e lidera o levantamento, seguida por Suécia, Dinamarca e Países Baixos. A campeã do ano passado, Singapura, aparece em quinto lugar. Completam o "top ten" Noruega, Hong Kong, Taiwan, Emirados Árabes e Estados Unidos.

De acordo com Carlos Arruda, coordenador do levantamento na FDC — onde é professor e diretor do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo — o enfrentamento à pandemia alterou fortemente o ranking.

— Em geral, as nações europeias e asiáticas se saíram melhor, por terem um sistema de proteção social mais robusto e por estarem com uma estratégia digital e de inovação. Por outro lado, todos os países da América Latina do ranking perderam posições — afirmou Arruda, lembrando que neste ano houve a inclusão de um país, Botswana, que estreou na 61ª posição do ranking.

Arruda afirma que o Brasil não perdeu mais posições que outros países por ter conseguido dar respostas rápidas na crise, como no pagamento do auxílio emergencial. Assim o país ganhou uma posição no fator "Performance da Economia", chegando à 51ª posição neste quesito.

Por outro lado, perdeu posições nas outras três categorias do ranking: infraestrutura, que engloba questões como tecnologia, inovação e educação — no qual o país está em último lugar —, eficiência do setor privado e eficiência do governo:

— O Brasil tem passivos importantes na eficiência de governo, como as reformas que não fazemos ou fazemos parcialmente apenas. Isso está muito atrasado, é uma âncora que nos segura no passado. Mas o que vai nos levar para o futuro é a pauta de ciência, tecnologia, inovação e educação, onde estamos muito atrasados e não temos prioridade — afirmou.

“Vale observar, ainda, a trajetória dos outros BRICS comparativamente ao Brasil. Enquanto o país caiu da 56ª para a 57ª posição, a Rússia ganhou 5 posições em relação à última edição, ocupando agora a 45ª colocação, a Índia manteve-se na 43ª posição e a China sustentou sua trajetória ascendente, passando do 20º para o 16º lugar. Apenas a África do Sul também registrou queda, declinando da 59ª para a 62ª colocação. O desempenho excepcional da China se explica pela redução contínua da pobreza e aumento da infraestrutura e dos níveis educacionais”, informa o relatório.

Na região, o país está atrás de Chile (44ª posição), México (55ª) e Colômbia (56ª posição), e à frente de Peru (58ª), Argentina ( 63ª.) e Venezuela (64ª, último país do ranking).

O ranking é elaborado com a análise de 360 indicadores, sendo que dois terços deles são de dados estatísticos de diversos órgãos nacionais e internacionais e um terço dos dados decorre de uma pesquisa. No Brasil, ela foi feita pela FDC, que entrevistou cinco mil pessoas.

Arruda lembra que o índice tem mais de 30 anos e passa por constantes ajustes. Ele acredita que a temática de sustentabilidade tende a ganhar mais peso nos próximos ano, o que seria um desafio adicional para o país em um momento de piora da percepção das políticas ambientais do governo.

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