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Brasil perde para russos no vôlei masculino e não vai à final das Olimpíadas pela 1ª vez desde 2000

·4 minuto de leitura

TÓQUIO, JAPÃO (FOLHAPRESS) - Uma das favoritas ao ouro em Tóquio, a seleção brasileira de vôlei masculino não conseguiu mais uma vez superar os russos, perdeu na semifinal, por 3 sets a 1 (25/18, 21/25, 24/26 e 23/25), e ficou fora da disputa pelo ouro pela primeira vez desde Sidney-2000.

O time do técnico Renan Dal Zotto fracassou diante da seleção do Comitê Olímpico da Rússia, que já havia batido os brasileiros na fase de grupos por 3 a 0 -mesmo placar na Liga das Nações, em junho, na Itália.

O terceiro set foi crucial para o emocional dos atletas de Renan. O Brasil chegou a abrir 20 a 12, mas deixou os adversários, eficientes no bloqueio e no saque, virarem e chegarem com o confiança no quarto e último set na Ariake Arena, que contou com a presença de integrantes a delegação brasileira, entre eles Ana Marcela, medalha de ouro na maratona aquática.

Agora, o Brasil vai disputar o bronze contra França ou Argentina, que jogam na noite desta quinta-feira.

A queda na semifinal em Tóquio tirou a seleção brasileira do que poderia ser sua quinta final consecutiva. Nas quatro edições anteriores, a seleção levou o ouro no Rio, em 2016, e em Atenas-2004. Ficou com a prata em Londres-2012 e Pequim-2008. O ouro veio em Barcelona-1992, oito anos depois da prata em Los Angeles-1984, que tinha Renan em quadra.

Campeão da Copa do Mundo de 2019, a seleção brasileira vinha sendo apontada como uma das principais equipes na briga por medalha em Tóquio. No entanto, a equipe não conseguiu se sobressair ante ao estilo de jogo dos russos, que são bem eficientes no bloqueio e apresentam consistência no saque.

Depois de passar pelo Japão na semifinal, o técnico Renan Dal Zotto disse que era o momento de tirar o estudo para encontrar uma alternativa de pará-los na semifinal.

Para dinamitar a muralha russa, a seleção precisaria contar com o passe do levantador Bruninho e finalizações certeiras dos ponteiros Leal e Lucarelli e do oposto Wallace.

Assim que acabou o confronto contra o Japão pelas quartas de final, Renan disse que era o momento de tirar o estudo da gaveta para conseguir vencer os russos. A seleção fez um primeiro set quase impecável tanto na defesa quanto no ataque.

Diante do poderoso bloqueio russo, os brasileiros foram felizes na cobertura dos atacantes, e fecharam o primeiro set por 25 a 18.

Na segunda parcial, porém, os brasileiros cometeram erros no. No último ponto, o ponteiro Kliuka encheu o braço, e o líbero Thales não conseguiu chegar na bola. Thales e Leal bateram boca em quadra, e Bruninho pediu calma.

O tempo fechou de vez para o Brasil a partir do terceiro set. O time controlava a partida, chegou a abrir 20 a 12, mas tomou uma virada de 26 a 25. Os atletas não conseguiam esconder o abatimento, assim como o técnico Renan.

A última vez que o Brasil caiu na semifinal foi nos Jogos de Seul-1988, contra a Argentina. Na campanha do título em 2016, a seleção passou pelos russos na semifinal, uma espécie de revanche após os brasileiros perderem o ouro para os europeus em Londres.

Apesar da possibilidade do bronze, o elenco da seleção deixou Ariake Arena em clima de luto. Havia grande expectativa de brigar pelo título olímpico depois de um ciclo com bons resultados, entre eles a Copa do Mundo de 2019.

O time se reencontrou neste ano, após a pandemia de Covid-19 cancelar a temporada de 2020. Conquistou a Liga das Nações, em junho, em Rimini, na Itália. Competição na qual a equipe verde-amarela também levantou a taça e foi comandada pelo auxiliar Carlos Schwanke.

O técnico Renan Dal Zotto, que contraiu o coronavírus em abril, só voltou a comandar a seleção em julho deste ano, a poucas semanas da estreia do Brasil contra a Tunísia.

Após 36 dias internado com quadro grave de coronavírus, ele cumpriu uma rotina rigorosa de recuperação física, com até três sessões diárias de fisioterapia, para conseguir chegar e trabalhar em Tóquio.

Renan, presente em três Olimpíadas como jogador, assumiu a seleção em janeiro de 2017 no lugar de Bernadinho e sob desconfiança: não conduzia uma equipe à beira da quadra há quase dez anos.

Substituir Bernardinho é uma tarefa das mais complicadas. No cargo por 16 anos, o treinador conduziu o Brasil a dois ouros (Atenas-2004 e Rio-2016) e duas pratas (Pequim-2008 e Londres-2012).

O Brasil alternou altos e baixos momentos ao longo da competição na capital japonesa. Dos cinco confrontos na primeira fase, perdeu somente para Rússia por 3 sets a 0 e demonstrou dificuldades de superar a marcação e o bloqueio dos europeus. Teve boa vitória contra os Estados Unidos, mas por pouco não foi derrotado pela Argentina e a França.

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