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Brasil pede à Índia garantia e previsão de entrega de vacinas contra Covid

GUSTAVO URIBE E RICARDO DELLA COLETTA
·5 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Para tentar amenizar o fracasso na entrega de doses da vacina Oxford/AstraZeneca, o governo brasileiro tem discutido com autoridades indianas a divulgação de um comunicado público no qual o país asiático garanta que elas serão enviadas ao Brasil no curto prazo. Segundo relatos feitos à reportagem, nos últimos dias negociadores do governo entraram em contato com diplomatas indianos para solicitar uma posição que arrefeça o mal-estar criado com a demora no envio de imunizantes contra o coronavírus. A avaliação entre auxiliares do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) é que os sucessivos adiamentos na liberação da carga têm gerado desgaste para o Palácio do Planalto, que apostava na importação para o dar o pontapé na campanha de imunização no Brasil. Uma cerimônia estava sendo preparada para o ato, mas acabou desmobilizada diante do fracasso da operação. Algum tipo de compromisso público da Índia é visto por aliados de Bolsonaro como uma forma de ao menos reduzir os danos políticos que o atraso tem causado. Interlocutores no Planalto têm a expectativa de que o envio dos 2 milhões de doses ocorra na próxima semana, mas outros envolvidos nas negociações têm previsões menos otimistas. Eles apontam que as autoridades indianas ainda não deram sinalização de que a entrega possa ocorrer ainda neste mês. Quem acompanha as conversas ressalta que a Índia tem demonstrado irritação com a insistência do governo Bolsonaro e, principalmente, com a publicidade dada aos planos de buscar os imunizantes no país asiático. Com o avião adesivado no Recife (PE) e o Planalto dizendo que ele decolaria na sexta-feira (15), o governo indiano se viu obrigado a avisar Brasília que a conclusão da operação não seria possível naquele momento. A emissão de uma autorização de venda para o exterior antes mesmo que a Índia iniciasse seu plano de vacinação seria entendida como um descompromisso com a própria população. Interlocutores menos otimistas alertam ainda que não veem razões para a Índia priorizar o Brasil antes de atender objetivos geopolíticos mais imediatos, como os países vizinhos e mesmo nações com quem têm relações mais profundas, como Arábia Saudita e África do Sul. O governo tem enviado sinalizações à Índia para facilitar a publicação da autorização. Além de tentar dar menos publicidade às conversas, a delegação brasileira junto à OMC (Organização Mundial do Comércio) não manifestou oposição quando os indianos defenderam recentemente sua ideia de relaxar obrigações sobre patentes de medicamentos durante a pandemia. No ano passado, quando o tema foi discutido na entidade, o Brasil se alinhou aos Estados Unidos e se opôs à iniciativa era era patrocinada pela Índia e África do Sul. Embora o Brasil não tenha mudado de posição, uma vez que para tanto teria que endossar o pleito indiano, o silêncio foi uma forma de evitar desagradar Nova Déli no momento em que o Brasil depende da boa vontade do país asiático. Desde dezembro, quando começaram as tratativas entre a Fiocruz e o Serum Institute da Índia para a compra das 2 milhões de vacinas, o governo brasileiro tem feito gestões junto à Índia para possibilitar a venda. No início de janeiro, Bolsonaro enviou uma carta para o premiê Narendra Modi pedindo urgência para o tema e o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) apelou para seu contraparte indiano, Subrahmanyam Jaishankar. Na terça-feira (19), a Índia anunciou que começaria a exportar vacinas nesta quarta-feira (20) para seis países. Os destinos são Butão, Maldivas, Bangladesh, Nepal, Mianmar e Seychelles. Conforme o jornal Folha de S.Paulo publicou, Araújo está sob forte pressão de auxiliares de Bolsonaro após o atraso na operação montada para buscar os imunizantes na Índia. Com o fracasso da operação, Bolsonaro teve que assistir ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), ser o protagonista do início da vacinação no Brasil. Adversário do Planalto, Doria foi o patrocinador político da Coronavac, vacina desenvolvida por uma farmacêutica chinesa em parceria com o Instituto Butantan. Sem os imunizantes da Oxford/AstraZeneca, a Coronavac é a única vacina disponível no momento no Brasil. Após as críticas, Araújo determinou que as divisões do Itamaraty reunissem informações sobre a situação de imunização em diversos países. O pedido gerou incomodo entre diplomatas, que consideraram o gesto atrasado e mais um sinal de que o planejamento da vacinação não estava nas prioridades do governo federal. As determinações, encaminhadas pelo comando do ministério a partir da terça (19), são para que diplomatas enviem ao gabinete de Araújo dados como o início da vacinação nos diferentes países, os imunizantes escolhidos e a quantidade de população que já foi protegida. Uma tabela está sendo atualizada com esses dados. A equipe de Araújo também pede dados sobre se os diferentes governos estão enfrentando dificuldades para comprar matérias primas. O chanceler ordenou ainda que os diplomatas informem se os países que estão sob sua alçada de trabalho são produtores de insumos para vacinas contra a Covid-19 e se eles estão em condições de exportá-los para o Brasil. De acordo com interlocutores, havia um monitoramento do atual estágio da vacinação no mundo através de expedientes enviados pelas embaixadas, mas ainda não tinha ocorrido uma solicitação do comando da instituição para centralizar essas informações. A corrida por informações de Araújo ocorre no momento em que o Brasil corre o risco de ver sua campanha de vacinação atrasar ainda mais com dificuldades encontradas para a compra de matérias primas que estão na China. Os dois centros no Brasil responsáveis por fabricar imunizantes dependem da liberação por Pequim de cargas de insumos. A Fiocruz já adiou a previsão de entrega das primeiras doses da Oxford/AstraZeneca produzidas no Brasil de fevereiro para o início de março, justamente pelos problemas no fornecimento de insumos.